Duas semanas depois...
- vamos amor. Me ataque.
- é sério? - Juliette perguntou divertida.
- é claro que é sério. Vamos, não está levando a esgrima a sério.
- não quero te atacar com a espada. Quero beijos e amor.
- e já não venho te dando isso todos os dias e todas as noites?
- tem me dado sim... Mas eu estou feliz e quero de novo. Tenho certeza que vai ficar bom. O médico falou que tudo em ti está bem.
- é meu amor. Vamos ver se o tratamento vai servir.
- vai sim. Eu tenho certeza que ele vai. Rodolffo...
- diga...
- estou me sentindo tão bem ultimamente... Que tal dançarmos um pouco hoje? Não gosto de esgrima. - ela falou largando a espada e rodou suas saias sobre o chão.
- amor... É importante que saiba se defender.
- eu sei atirar de revólver, espingarda e rifle, não tenho forças para a esgrima, muito menos tamanho.
- mas fica tão linda se esforçando a empunhar a espada.
- ah... Hoje não quero mais isso. Quero comemorar. - ela disse sorridente. - que tal um banho de rio?
- pode ser.
- vamos meu amor.
Eles entraram no rio e lá mergulharam juntos, nadaram e fizeram seus desafios.
Juliette ficou rosa de tanto sorrir.
- está tão bonita minha princesa.
- acha?
- sim... Qual o motivo de tanta felicidade?
- sua saúde, sua ida ao médico, um diagnóstico que não é grave. Tudo isso.
- só isso?
- por hora sim...
- está me escondendo alguma coisa Juliette Stuart?
- talvez... Mas não é certo. Então não vou contar.
- tá bem.
- ficará feliz amor.
- estou feliz meu amor. Sua felicidade é a minha.
- isso é bom. Sem ansiedade.
- e que tal irmos a terra firme?
- ali? - falou apontando para um lugar que a mata era fechada.
- não é muito confortável, mas você fica por cima.
Juliette sorriu e lhe beijou a boca.
- tá bem. - ela disse se livrando dos braços dele e nadaram juntos até a margem.
Naquele lugar inusitado e desconfortável se permitiram a um contato único e urgente.
Juliette levantou-se do colo do marido vermelha de vergonha.
- estamos impossíveis esses dias. - ela concluiu. - tivemos seis meses de muito fogo, mas agora estamos bem piores.
- e daí? Não tem nenhum mal nisso. São coisas nossas... A sociedade tem seus tabus, nós não.
- me sinto uma mulher devassa.
- eu te amo por ser exatamente como é. E não é devassa e se for, é só minha. Eu sou um devasso, sempre fui. - disse rindo.
- e eu não sei. - Juliette gargalhou. - mas acho que devemos sossegar um pouco.
- temos que aproveitar. Daqui uns dias estará em seus momentos e eu ficarei abandonado. - fez cara de manhoso.
- não faça drama. - ela disse o recriminando.
- eu só achei que teríamos mais tempo. Mas me enganei com as datas.
- é... Talvez tenhamos.
Ela tinha esperança de algum momento nesses dias ter finalmente concebido. Ela orava para que suas regras não viessem naquele mês. Seria a maior prova do seu pressentimento.
- acredita mesmo que pode ter um grãozinho nosso aqui? - ele acarinhou sua barriga.
- até que me provem o contrário, eu creio. Deus me mostrou e eu confio.
- que os anjos digam amém.
- não terá medo, não é?
- terei... Muito medo, mas estou pronto. Quero muito que seja real.
- preciso te revelar uma coisa...
- revele.
- todas as mulheres da família de minha mãe até a quarta geração antes de mim, tiveram meninas no primeiro parto.
- e qual o problema?
- não me ouviu? Minha bisavó, minha avó, minha mãe, todas tiveram meninas como primeiro filho. A sociedade quer meninos, teu pai quer um neto e não uma neta.
- eu não me importo com isso. Não vou dá atenção a uma coisa absurda dessas... Eu vou amar qualquer um, como amo a você. Se for menina só quero que saia a sua cara.
- ah meu amor...
- não vamos nos preocupar com isso. Se for para ser, será. Sem ansiedade.
- sim... Sem ansiedade.
Eles colaram os lábios e ficaram ali abraçados por um tempo até que o sol começasse a castigar.
...
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Fica comigo
FanfictionUma união arranjada. Um homem poderoso e uma jovem sem escolhas, pressionada pela família. Será possível que o amor vença em meio as adversidades?
