Capítulo 42: Ataques

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Duas semanas depois...

- vamos amor. Me ataque.

- é sério? - Juliette perguntou divertida.

- é claro que é sério. Vamos, não está levando a esgrima a sério.

- não quero te atacar com a espada. Quero beijos e amor.

- e já não venho te dando isso todos os dias e todas as noites?

- tem me dado sim... Mas eu estou feliz e quero de novo. Tenho certeza que vai ficar bom. O médico falou que tudo em ti está bem.

- é meu amor. Vamos ver se o tratamento vai servir.

- vai sim. Eu tenho certeza que ele vai. Rodolffo...

- diga...

- estou me sentindo tão bem ultimamente... Que tal dançarmos um pouco hoje? Não gosto de esgrima. - ela falou largando a espada e rodou suas saias sobre o chão.

- amor... É importante que saiba se defender.

- eu sei atirar de revólver, espingarda e rifle, não tenho forças para a esgrima, muito menos tamanho.

- mas fica tão linda se esforçando a empunhar a espada.

- ah... Hoje não quero mais isso. Quero comemorar. - ela disse sorridente. - que tal um banho de rio?

- pode ser.

- vamos meu amor.

Eles entraram no rio e lá mergulharam juntos, nadaram e fizeram seus desafios.

Juliette ficou rosa de tanto sorrir.

- está tão bonita minha princesa.

- acha?

- sim... Qual o motivo de tanta felicidade?

- sua saúde, sua ida ao médico, um diagnóstico que não é grave. Tudo isso.

- só isso?

- por hora sim...

- está me escondendo alguma coisa Juliette Stuart?

- talvez... Mas não é certo. Então não vou contar.

- tá bem.

- ficará feliz amor.

- estou feliz meu amor. Sua felicidade é a minha.

- isso é bom. Sem ansiedade.

- e que tal irmos a terra firme?

- ali? - falou apontando para um lugar que a mata era fechada.

- não é muito confortável, mas você fica por cima.

Juliette sorriu e lhe beijou a boca.

- tá bem. - ela disse se livrando dos braços dele e nadaram juntos até a margem.

Naquele lugar inusitado e desconfortável se permitiram a um contato único e urgente.

Juliette levantou-se do colo do marido vermelha de vergonha.

- estamos impossíveis esses dias. - ela concluiu. - tivemos seis meses de muito fogo, mas agora estamos bem piores.

- e daí? Não tem nenhum mal nisso. São coisas nossas... A sociedade tem seus tabus, nós não.

- me sinto uma mulher devassa.

- eu te amo por ser exatamente como é. E não é devassa e se for, é só minha. Eu sou um devasso, sempre fui. - disse rindo.

- e eu não sei. - Juliette gargalhou. - mas acho que devemos sossegar um pouco.

- temos que aproveitar. Daqui uns dias estará em seus momentos e eu ficarei abandonado. - fez cara de manhoso.

- não faça drama. - ela disse o recriminando.

- eu só achei que teríamos mais tempo. Mas me enganei com as datas.

- é... Talvez tenhamos.

Ela tinha esperança de algum momento nesses dias ter finalmente concebido. Ela orava para que suas regras não viessem naquele mês. Seria a maior prova do seu pressentimento. 

- acredita mesmo que pode ter um grãozinho nosso aqui? - ele acarinhou sua barriga.

- até que me provem o contrário, eu creio. Deus me mostrou e eu confio.

- que os anjos digam amém.

- não terá medo, não é?

- terei... Muito medo, mas estou pronto. Quero muito que seja real.

- preciso te revelar uma coisa...

- revele.

- todas as mulheres da família de minha mãe até a quarta geração antes de mim, tiveram meninas no primeiro parto.

- e qual o problema?

- não me ouviu? Minha bisavó, minha avó, minha mãe, todas tiveram meninas como primeiro filho. A sociedade quer meninos, teu pai quer um neto e não uma neta.

- eu não me importo com isso. Não vou dá atenção a uma coisa absurda dessas... Eu vou amar qualquer um, como amo a você. Se for menina só quero que saia a sua cara.

- ah meu amor...

- não vamos nos preocupar com isso. Se for para ser, será. Sem ansiedade.

- sim... Sem ansiedade.

Eles colaram os lábios e ficaram ali abraçados por um tempo até que o sol começasse a castigar.

...




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