Capítulo 48: A convivência familiar

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Uma semana depois da chegada de Lourival.

- meu sogro, vamos pescar. A manhã está muito propícia.

- mas iremos pescar? - perguntou confuso Lourival.

- meu pai, é tão bom pescar. Eu queria ir junto, mas meu marido não quer que eu vá.

- não vai se desgastar minha esposa. Já combinamos isso. - ele lhe lançou um olhar terno.

- mas isso não é coisa de nobre. Isso é coisa de criados.

- aqui quem pesca e caça sou eu. É uma das coisas que sempre adorei fazer.

- tu é um homem estranho, sabia?

Rodolffo deu uma sonora gargalhada.

- acho que o senhor bem sabia disso não?

- é... Eu sabia.

- agora se apronte. Partiremos em breve. Minha senhora me acompanhe até o escritório, preciso lhe falar.

Rodolffo e Juliette entraram no escritório.

- o quê quer me dizer? - ela perguntou assim que fechou a porta.

- quero lhe dizer que está esplêndida hoje. Já viu como está perfeita? - e aproximou seu corpo do dela.

- estou? - Juliette jogou os braços pelo ombro do marido.

- muito. - e lhe beijou na boca. - mais uma semana que estamos vencendo. Estou tão feliz.

- mas pode ser um novo engano.

- sente alguma coisa que leve a isso?

- eu não tenho sintomas de que virão as regras. Tu sabe o quê venho sentindo.

- nossa criança está judiando de ti.

- mas eu já tenho esperanças.

- e eu penso que vou explodir de alegria quando finalmente passar os dois ciclos completos.

- eu quero tanto que eu mude a tradição de minha família. Quero um menininho.

- não se preocupe com isso. Eu não ligo para essas coisas meu amor. Só quero que você tenha uma boa hora e que venha com saúde, e acima de tudo que não aconteça nenhuma fatalidade para ceifar a vida dessa criança.

- Rodolffo sabemos que nós não temos valor. - ela disse triste. - ter um filho homem é a garantia que ele viverá feliz e pleno. Nós mulheres não podemos tanta coisa e eu tive sorte de ter um marido como você.

- só não teve mais sorte por que não me escolheu de livre e espontânea vontade, isso ainda me marca. Meu pai impôs, o seu acordou, eu me apaixonei e casamos. Sua vida foi decidida por três homens, menos por ti.

- eu casei gostando de ti. Tu quebrou todas as amarras. Se cuide no rio meu príncipe. - ela disse beijando o rosto do marido.

- eu não sou um príncipe. Mas agradeço o elogio. Vou me cuidar, prometo.

- eu te amo.

- também te amo.

Rodolffo acariciou o bonito rosto de sua esposa que a cada dia tinha mais beleza e cor, e por fim a beijou novamente.

...

Já no rio, Rodolffo ensinava técnicas de pesca ao sogro e ria do jeito desengonçado de Lourival.

- é sério que nunca fez isso?

- nunca... Meus criados que faziam.

- pois Juliette tanto pesca muito, como caça melhor que eu. - disse orgulhoso.

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