Rodolffo não conseguiu retornar no dia seguinte a propriedade do pai para buscar a parteira.
- é muita chuva Vera. - disse Juarez ao olhar pela janela os campos alagados.
- realmente... Estou rezando para que Juliette fique firme e o bebê não nasça por esses dias.
- tomara que isso não ocorra.
- a tenho como uma filha Juarez. Tenho muito medo por minha nora. A última vez que a vi achei que ela estava bem cansada e o formato de sua barriga não estava como deveria.
- como assim? - perguntou confuso.
- poderia dizer que a criança estava atravessada. Tem dias que oro para que eu esteja errada e se eu estiver certa, que esse bebê encaixe. Se não meu marido... Não gosto nem de pensar.
- por Deus... Não pense nessas coisas. Vai dá tudo certo. Rodolffo morre se perde Juliette.
- eu sei. Acho que Deus preparou tanto ela para ele que o encanto foi automático.
- isso eu concordo. Estava lá e vi ele a olhando pela primeira vez. Rodolffo sempre foi uma pessoa tão complicada e difícil, mas se apaixonou por ela de forma fácil e simples que acho que no primeiro momento ele não sabia dizer o quê sentia. Nada pode acontecer a família dele, Deus os protegerá.
- amém. - completou a viscondessa.
...
Cinco dias de chuvas intensas assolaram aquela região e os estragos começaram a aparecer.
Na propriedade de Rodolffo isso não foi diferente.
- senhor, infelizmente não conseguimos resgatar os cavalos, desceram no rio. - informou um criado.
- meu Deus. - Rodolffo passava as mãos no cabelo em sinal de preocupação.
- senhor, infelizmente o rio está com três metros acima do nível, a ponte está sendo levada.
- como? - ele disse angustiado. - não pode ser.
- mas infelizmente é, não há nada que possamos fazer.
- que catástrofe. Estamos ilhados totalmente.
- vamos ter paciência, um dia a chuva cessará. - disse Lourival.
- e se continuar a destruir as coisas? Nossa sorte é que essa casa é muito segura, veja o alojamento dos criados, quase caí completamente sobre eles. Temos uma mulher grávida em casa e isso está me deixando totalmente desnorteado.
- calma... O bebê vai conseguir esperar para nascer. - Lourival concluiu.
...
No quarto...
Juliette buscava um vestido para usar depois do banho. Uma água morna havia chegado para que ela fizesse suas higienes.
Durante toda a madrugada Juliette estava sentindo algumas dores que considerava ser algo no sistema digestivo, mas não se conseguia eliminar nada para que conseguisse melhorar efetivamente.
Quando foi retirar sua roupa, Juliette notou que havia sangue na região íntima.
- meu Deus. - ela se emocionou e respirou profundamente quando sentiu uma outra cólica lhe abater. - está chegando meu bebê. Quer nascer minha vida. - um sorriso de contentamento invadiu seu rosto.
Ela terminou seu banho e se trocou, colocando panos que ajudariam a não mostrar o sangramento por agora. Antes de tudo, ela precisaria contar a novidade a seu marido. E ela não precisou esperar tanto para que ele estivesse ao seu lado.
Rodolffo entrou no quarto e encontrou a esposa penteando os cabelos.
- princesa, vivemos momentos difíceis. Até nossa reserva de lenha está em baixa. Estou seriamente preocupado.
Juliette ficou sem coragem de lhe dizer o quê deveria ser dito de imediato.
- se ficarmos no frio, vamos morrer todos. Que Deus não permita.
- mas e a lenha do galpão?
- a chuva inundou o galpão meu amor. É um caos... A ponte também foi embora.
Juliette fez uma expressão de dor e Rodolffo viu claramente.
- o bebê chutou forte meu amor? - ele disse tocando sua barriga.
- não foi um chute... - ela disse com o olhar apreensivo.
- o quê foi? - ele disse preocupado.
- meu amor. - Juliette colocou as mãos no rosto de Rodolffo. - o nosso bebezinho está vindo para nós.
Rodolffo ficou olhando para ela e não acreditava no que estava ouvindo.
- princesa... Deve estar enganada. É a emoção e a ansiedade.
- não... Desde a madrugada sinto dores e elas estão ficando cada vez mais fortes e também estou sangrando.
- meu amor... Eu vou buscar ajuda. Uma parteira... O médico. Meu Deus. - ele ficou levemente alterado.
- mas como?
- não sei... Eu vou tentar. Vou deixar Ruth e as criadas contigo enquanto eu busco alguém que possa te ajudar.
- me prometeu que ficaria comigo... Não vai cumprir sua promessa? - ela disse desapontada.
- eu volto logo. Te prometo. - lhe deu um beijo na testa e saiu do quarto.
Rodolffo deixou a esposa sozinha e saiu em disparada para chamar Ruth.
- o bebê vai nascer Ruth. Cuide de Juliette.
- por Deus... - disse a criada de boca aberta.
Rodolffo buscou os criados e juntos foram até o rio que estava extremamente largo.
- senhor... É impossível atravessar..
- tem que ter um jeito. É minha esposa e o meu filho.
- se o senhor entrar aí, principalmente com essa chuva, nem sua esposa e nem seu filho lhe verá mais.
A água da chuva escorria pela capa de couro que Rodolffo usava, mas quem molhava o seu rosto eram as lágrimas que caiam de seus olhos. Ele pensou em todas as vezes que teve oportunidade de tirar sua esposa dali e dá a ela um parto digno, mas por teimosia não fez. Ela agora teria o bebê sem assistência, e só Deus sabe o quê pode ocorrer nesses casos. Ele decidiu voltar, ao menos iria cumprir sua promessa, não largaria sua mão enquanto o bebê não vinhesse ao mundo. Estariam juntos, independente de qualquer coisa e que Deus estivesse na frente.
...
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Fica comigo
FanfictionUma união arranjada. Um homem poderoso e uma jovem sem escolhas, pressionada pela família. Será possível que o amor vença em meio as adversidades?
