capítulo 3 - cacos de vidro

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— desculpa! — falo seca, endireitando a postura e me afastando dois passos

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— desculpa! — falo seca, endireitando a postura e me afastando dois passos. Seu olhar cruel paira sobre mim e desvia para algo em minhas costas. Hayden cerra o maxilar, mas os olhos voltam para mim.

— praticando ballet, é? — questiona e eu olho-o com raiva, ele se aproxima de mim, se inclinando e sussurrando em meu ouvido — você ficaria linda de collant e tutu dançando para mim, raio de sol — sugestão e rosno.

— só nos seus sonhos — finjo delicadeza e seus olhos se curvam em um sorriso nojento — fique longe de mim! — ordeno tentando passar por ele, mas meu corpo é barrado pelo seu.

— foi você quem esbarrou em mim — diz e seu olhar vai para trás novamente — não vai me apresentar o amigo?

— não é da sua conta, vamos Rary — puxo sua mão, dando-lhe as costas e caminhamos para longe, afundando-nos mais para dentro dos corredores.

— eita, o que rolou? — questiona e eu bufo.
Não acredito que esbarrei em justo ele, ver sua cara logo cedo e ter o desprazer de saber que posso esbarrar mais vezes me irrita. Logo agora, eu estava feliz. Eu achei que ele me ignoraria, ou desejava isso pelo menos, assim fica mais fácil, sei que ele não vai facilitar para mim, ele me odeia, ótimo, é recíproco.
— Ele é o tal Hayden? — Rary me agarra forçando-me a virar para ele, com os olhos encharcados, encarando os seus. Assenti envergonhada, não queria que ele soubesse quem já fiquei dessa forma, eu traí ele e mesmo assim ele entendeu tranquilamente — parece mais babaca pessoalmente — revira os olhos.
— E se vazar Rary? Eu não quero que todos me vejam fazendo aquilo — ele me abraça, erguendo-me do chão e rodeio sua cintura com as pernas, assim como fazia quando criança.

— vamos pegar esse filho da puta, voltei para te ajudar, ele quer brincar, então vamos, iremos descobrir quem é. Você não vai presa e nem vazar nada, ouviu? — acaricia meu rosto e eu assinto fungando o nariz, ele sorri — eu saio por um tempinho e você cresceu tanto — diz e eu sorri amarelo — teremos uma séria conversa sobre eu não ser o único homem da sua vida, queria fazer isso pessoalmente. Seu relacionamento não era só comigo? —

dou risada escondendo o rosto.

— está tendo muita disputa pelo que é meu, mas eu cheguei primeiro, vai me trocar? — nego — vou ser possessivo também então, à quem você pertence de verdade ursinha? — questiona e eu pisco olhando para o final do corredor, encontrando os olhos azuis claros e bizarros a distância, encostado na parede com as mãos no bolso do casaco, feito um fantasma, sem fazer questão de esconder que está me observando.

Meu peito acelera sentindo um nó incapaz de engolir em minha garganta, quando ele inclina a cabeça como se dissesse: " responda, de quem você é?"

— fala que é minha, se não tem punição — aperta minhas costelas e dou uma risada involuntária, voltando a ele, encarando seus olhos.

— Sua! Eu era, eu sou e sempre serei. Te amo Rary — declaro as palavras mais sinceras que falei na minha vida, ele de fato me ama e eu amo ele, isso não é capaz de mudar.

Silênt nigthOnde histórias criam vida. Descubra agora