Family cases

295 29 3
                                        

Já se passavam algumas semanas desde que Joe havia iniciado o tratamento. Carol e Anne, com a ajuda de Teun e Luke, estavam custeando as despesas médicas do pequeno. Joe já não apresentava muitos dos sintomas iniciais da doença, exceto o cansaço constante e, ocasionalmente, algumas dores. Ele já havia se adaptado à nova rotina de ir ao hospital três vezes por semana.

Porém, Irene não compartilhava do alívio que todos sentiam. Naquela tarde, ela entrou na sala de estar com passos firmes e o olhar carregado de indignação.

— Teun, eu preciso falar com você! — disse Irene, a voz carregada de raiva.

Teun, que estava lendo uma revista, ergueu os olhos, surpreso com o tom da esposa.

— O que foi agora, Irene? — respondeu ele, tentando manter a calma.

— Você acha normal que a nossa família tenha que depender delas para pagar o tratamento do Joe? — a palavra "delas" saiu com veneno. — Estamos aceitando caridade da Carol agora?

Teun suspirou, já esperando que esse assunto viesse à tona em algum momento.

— Irene, elas estão ajudando porque se preocupam com o Joe. Não é caridade, é apoio familiar.

— Família?! — Irene exclamou, a voz subindo. — Você chama isso de família? Aquela mulher é o motivo de tudo isso! Desde que Carol entrou na vida da Anne, só temos problemas!

— O que você está insinuando? — Teun franziu a testa, levantando-se devagar.

— Que foi culpa dela! Desde que o Joe começou a passar mais tempo com Carol, ele adoeceu! E agora ela quer aparecer como a grande salvadora, bancando o tratamento! Isso tudo é... é culpa dela! — Irene quase cuspiu as palavras, a raiva transbordando.

Antes que Teun pudesse responder, a porta da sala se abriu e Anne e Carol entraram, trazendo uma leveza que contrastava completamente com a tensão no ar. Assim que percebeu o clima pesado, Anne franziu a testa.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou, os olhos alternando entre os pais.

— Pergunta para a sua mãe, — Teun disse, a voz baixa, porém firme. — Ela parece ter uma teoria interessante sobre por que Joe ficou doente.

Carol permaneceu em silêncio, mas a expressão dela mostrava que entendia onde aquilo ia parar. Ela olhou para Irene, que não fez questão de disfarçar o desgosto.

— Vocês duas... isso tudo é um absurdo! Não posso acreditar que estão se aproveitando do meu filho para fingir que são heroínas! — disparou Irene, agora olhando diretamente para Carol. — Tudo o que você toca se transforma em problema. Desde que você apareceu na vida da minha filha, tudo tem dado errado. E agora, veja o que aconteceu com Joe!

Anne se aproximou, em choque. — Mãe, como pode dizer isso? Carol ama o Joe! Nós todos estamos fazendo o que podemos para ajudar!

— Ajudar? — Irene riu amargamente. — Isso aqui é controle. Vocês querem fazer parecer que são as grandes salvadoras, enquanto o meu filho está sofrendo!

Carol, até então em silêncio, deu um passo à frente, os olhos brilhando de indignação. — Eu jamais faria mal ao Joe! Eu amo ele como se fosse meu sobrinho, e nunca deixaria ele passar por isso sozinho.

— Claro, porque agora você é a grande protetora, não é? — retrucou Irene. — Eu te conheço, Carol, sei que você sempre causa confusão. Primeiro você afastou minha filha da nossa família, agora está envenenando o Joe o meu filho vai morrer por causa da leucemia!

Nesse momento, uma voz pequena e trêmula ecoou pela sala.

— Eu vou morrer por causa da leucemia?

Todos se viraram instantaneamente. Joe estava na porta, segurando seu ursinho de pelúcia, os olhos grandes e assustados olhando para os adultos. O silêncio caiu como uma cortina pesada. Irene, que estava prestes a responder, ficou paralisada. As palavras haviam morrido em sua garganta.

Além das RedesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora