trinta e quatro.

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A falta de oxigénio quebrou o beijo, e sem qualquer coragem de o encarar, baixei a cabeça. Apesar de todo aquele efeito da droga, não consegui evitar sentir-me triste e deprimida.

Jason - Olha para mim. - Pediu, colocando as suas mãos no meu queixo. - Não voltes a fumar ok? A sério, não te metas nesse mundo.

Pronunciava-se calmamente.

- Estás a exagerar Jason. - Suspirei. - Eu sei bem controlar vícios.

Jason - Sabes? - Tirou as mãos no meu queixo e apercebi-me do que se referia. Referia-se a nós. - Ainda nem há duas horas fumas-te um, e vieste fumar outro.

- Pára com isso, se faz favor. - Remexi no cabelo. - Eu afinal de contas faço o que eu quero ou não?

Assentiu levemente, dando de ombros. Percebi que se preparava para virar as costas.

- Eu sinto a tua falta Jason. - Murmurei, o que lhe fez parar de imediato.

Jason - Dá para esperares aqui? Sem perguntas? - Balancei a cabeça mas, acabei por ceder.

Tinha passado, aproximadamente, uns quinze minutos, e começava a pensar que estaria a fazer figura de parva. Repensava tudo e comecei a caminha até á casa.

Jason - Katherine!

Olhei na direção da garagem, reconhecendo o tatuado. Tinha vestido um casaco, e outro na mão.
Aproximei-me e ele entregou-mo.

Jason - Veste e entra para dentro do carro.

- Uhm podes-te acalmar? - Arqueou a sobrancelha. - Não achas que estás autoritário de mais? Onde é que vamos? E porque é preciso de casaco?

Jason - Eu pedi-te sem perguntas. - Cerrou o maxilar. - Sobre o casaco, não achas que vais ter frio? É para depois pedires o meu?

- E vais continuar com essa atitude o resto da noite? És bipolar mesmo.

Jason - Katherine. - Repreendeu-o. - Faz o que queiras então.

Entrou para dentro do carro.
Apressei-me em entrar também mas, cruzei os braços não olhando para o tatuado.


Ambos estávamos em silêncio, e eu curiosa para onde ele me levava.
Decidi então, quebrar o silêncio com a pergunta mais desnecessária, arrependendo-me logo a seguir.

- E a tua amiga? - Ele olhou para mim, desviando logo a seguir.

"Não devia de ter perguntado nada."

Jason - Espero que tenha ido para casa.

- Sozinha? Já é tarde. - Disse, apesar de não estar minimamente preocupada com ela.

Jason - Porquê tanta preocupação? Preferias que ela cá estivesse? - Olhou para mim.

- Não foi o que disse, ape—

Jason - Não vamos falar dela.

Balancei a cabeça, olhando pela janela. Mantive- me calada, apenas a apreciar o exterior.

Longos minutos, páramos num pequeno parque de estacionamento, em frente de um baixo muro de madeira. Saímos, e ouvia-se perfeitamente a arrebentação de ondas.
Andei ao lado dele, e logo encontramos o piso mole. Jason apressou um pouco mais o passo liderando o caminho.

Estava escuro, mas a lua iluminava minimamente o espaço. Indicou para nos sentarmos e cedi.
Sentou-se dobrado, com os braços apoiados aos joelhos enquanto observava o horizonte. Não dizia qualquer palavra e isso começava a mexer comigo.
Os seus olhos fecharam-se por meros segundos, colocando-me confusa.
Não fui capaz de manifestar-me, pois não queria-o irritar ou afastá-lo. Talvez, até tinha um pouco receio sobre os seus limites caso, se irritasse comigo.

Jason - Ás vezes, as pessoas erradas acabam por se apaixonar. - Quebrou o silêncio, chamando a minha atenção. - Mesmo quando se pensa que é impossível... Se nunca antes aconteceu, como é possível acontecer agora?

Suspirou, mantendo ainda o seu olhar no horizonte. Baixava algumas vezes, a cabeça.

- Essa merda é um vício. É igual a uma droga. - Olhou para mim por segundos. - Quando se é viciado numa pessoa, tu queres sempre tê-la por perto. Quando a tentas deixar, em vez de te sentires saudável e bem.. Não, sentes-te uma completa merda.

Percebi que referia-se a mim, e sentia-me sem palavras para responder.

Jason - Por mais drogas que hajam, e talvez muito melhores ou saudáveis, tu não vais queres. - Lambeu os lábios. - Ficas-te viciado naquela. Tu só queres aquela, apenas. Queres, a que te vai foder o juízo, que vai-te quebrar por completo mas, só com aquela é que te sentes completo... Há várias coisas que impedem alguém de ser completamente feliz. A principal é o medo.. Por não saberes no que te vais meter. Por ser desconhecido mas, ao mesmo tempo queres arriscar. A curiosidade é mais forte. - Limpou as mãos da areia. - Isto é um vício Katherine.

Olhou para mim, pela primeira vez depois de tudo o que disse, e eu acabei por baixar a cabeça. Não sabia como encara-lo.. Talvez, fosse o efeito das ganzas mas, queria expressar-me e expor o que realmente sentia.

- Eu nunca quis criar nada disto Jason. - Ele manteve-se de cabeça baixa. - Podes pensar que foi fácil e tudo foi um mero jogo para mim mas, não foi. Eu nunca pensei que fosse ganhar tais sentimentos Jason... Foi tudo tão genuíno.

Ele puxava lentamente os seus cabelos, observando a areia.

- É a primeira vez que me apaixono tão profundamente que acabo por culpar-me das tuas atitudes de merda.

Engoli a seco para não chorar. Chamei a sua atenção e observei os seus olhos brilhantes.

- Ainda não conseguiste ver o meu lado? Eu era uma pessoa super independente e determinada com os meus objetivos. Tinha tudo planeado. Tudo era uma certeza. - Baixei a cabeça por segundos. - Tinha tudo construído, foda-se.

Algumas lágrimas escapavam mas, limpei-as logo.
Ele levou as mangas do casaco á cara.

- Katherine eu n—

- Vais ter que me ouvir Jason. - Interrompi. - Tu precisas de ouvir. Eu conheci-te e vi-te como um prémio para a minha carreira.. Eu nunca neguei isso. Nunca tentei mandar-te areia para os olhos, e dizer-te que não fiz mal.

Jason - Não?

- Óbvio que não Jason. - Remexi no cabelo. - Depois de tanto tempo e momentos juntos, o que antes era prémio para a minha carreira, eu quis que fosse o prémio para a minha vida. Apanhei sentimentos verdadeiros. - Limpei a cara. - E com isso, passei de ter certezas, a incertezas..

Jason - Incertezas de que maneira me irias entregar? É melhor não falarmos disso Katherine.

- Pára com isso Jason. Se tu realmente acreditasses nisso, não estaríamos aqui. - Desviou o olhar, cerrando o maxilar. - Começava a estudar tudo, e maneiras para te deixar completamente limpo de tudo. Houve planos que mudaram repentinamente Jason... Antes o meu objetivo era pôr-te na cadeira, e depois tornou-se em nunca lá ires parar.

Jason - Como é que é suposto eu acreditar de qualquer coisa que estejas a dizer Katherine? Explica-me isso, na minha perspetiva.

- Estás na cadeia agora Jason? Não, estás. E graças a quem? A mim. - Ele desviou o olhar. - Se fosse mentira porque raio não te entreguei Jason? Mas, isso tudo sinceramente não interessa... Foste a pessoa que mais me fez derreter por completo mas, também foste a pior pessoa para mim. Tu és a pessoa por quem eu me apaixonei Jason.

Agora os sons das ondas eram mais altos, pois nenhum de nós falava.

Ouvi o seu suspiro, o que me fez ficar desconfortável.

Secret Agent - FollowOnde histórias criam vida. Descubra agora