Todos adentraram o quarto e viram Ailin caída no chão ao lado da cadeira com o ombro extremamente ferido e sangue vivo inundava a parte de cima do seu vestido iniciando uma poça ao lado do seu corpo.
— Eu não toquei nela eu juro!
Danikas sacode Trevon a encará-lo.
— Junte todos que foram curados pelo sangue de Alegra — e como ele não reagia, ela o empurrou com um soco no seu peito — Vai Trevon!
Isso o fez reagir e ele desapareceu em seguida.
— Deus! Ailin, não...
Com o susto Kassia havia se virado na cama e todos viram o estrago causado nas suas costas nuas. Centenas de cortes profundos sangravam em abundância e alguns chegavam a deixar ver até os ossos. Ela estava deitada em cima de uma piscina feita com o próprio sangue e implorava a Deus em pânico pela vida de Ailin.
— Eu já disse que não vou desistir sua desgraçada! Ah Deus, Ailin! Deus por favor!
Jarel solta o ar por entre dentes trincados e ultrapassa os machos seguindo na direção de Kassia, ele põe a palma da sua destra próxima à fronte dela e no mesmo instante ela cai de lado e permanece deitada e inerte com os incríveis olhos úmidos abertos.
— Eu estou tentando Dani, eu juro que estou tentando.
Lágrimas de sangue banhavam o rosto de Alegra e Danikas a apertou em seus braços acalentando-a.
— O quê que ela está tentando?
— Se acalmar, descobrir uma forma de reverter o processo.
Trevon aparece nesse instante e a sua expressão é de pesar.
— Os que foram mais feridos não resistiram e os que foram menos, não estão em situação melhor por isso.
Danikas ampara Alegra quando suas pernas falham em mantê-la de pé e Zhelter segura no pulso de Ferguz segundos antes dele levar a boca meneando a cabeça em negação;
— Vai com calma, rapaz. — num piscar ele puxa uma adaga do bolso traseiro e espeta seu pulso em um corte mínimo, porém suficiente para sangrar, Ferguz o agradece com um aceno antes de levar a boca da sua amada, acariciando seus cabelos com a outra mão.
Ailin respira com dificuldade enquanto se alimenta de Ferguz e o seu olhar está fixado no leito onde já não consegue mais ver a sua Mäi. Do nada o ferimento anterior em seu ombro começou a sangrar e o olhar aterrorizado da amiga ficaria para todo o sempre gravado a ferro e fogo em sua memória.
Mais do que preocupação, o olhar de sua Mäi era um olhar de amor preocupado, desesperado. O mesmo tipo de amor que ela sentia pelos bebês em seu ventre. Abnegado. Incondicional.
Impossibilitada de falar pela compulsão lançada por Jarel sobre seus nervos Kassia chama por Ores em pensamento e ele a atende no mesmo instante. O meu sangue, faça Ailin beber meu sangue. Junte os Sions e faça todos os outros beberem também.
Nem mesmo ela tinha certeza de que daria certo. Agiu por instinto a mentalizar sua energia no sangue derramado e quando as luzes começaram a piscar no quarto imaginou que estava no caminho certo.
Ores se inclinou ao lado de Ferguz e ele grunhiu quando Ailin soltou o seu pulso. Seus dedos enrugados estavam tingidos do sangue da sua Mäi e ele o passou em seus lábios. Tão logo engoliu sentiu o poder dela correndo em seu corpo e alcançando com um leve ardor a ferida entre seu ombro e pescoço.
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Vale dos Aehmons
Paranormal®Todos os direitos reservados. Liberado por período indeterminado. (design de capa Debby Scar). Kassia é uma jovem comum, que sempre batalhou para ter seu espaço e sua liberdade no mundo. Não sabia ela que sua vida tomaria rumos sem volta quando...
