Capítulo 36 final

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    Faltavam duas horas para amanhecer quando pararam no lugar que mais próximos conseguiriam chegar dos limites que cerceavam o condomínio por aquela estrada e Dërhon voltou com o carro de Kassia, deixando-a com o auxílio do Neimo e a Sion batizada como Sara na entrada da floresta. Se ao menos fosse um 4X4, ele pensou frustrado, ele poderia ir mais à frente, mas não em um carro de passeio.

    Jarel permaneceu dentro do carro, todo esparramado no banco de trás como se Dërhon fosse seu motorista particular. Logo que saiu do campo de visão de Kassia ele brecou com o carro fazendo as rodas guincharem e se virou para trás com cara de poucos amigos.

— Aê, na boa cara. Ou tu senta essa bunda magra nesse banco aqui, ou vaza tá ligado? Eu não vou ficar de motorista teu não, e você não vai ficar tirando sarro com a minha cara!

    Jarel se materializa no banco da frente e puxa o cinto como tinha visto Kassia fazer antes e se justifica;

— Desculpe, eu ainda não sei bem como devo me comportar.

    Dërhon bufa sem paciência alguma e ele comenta inocente;

— Quem senta aqui tem uma visão bem mais ampla e privilegiada do que os que sentam ali atrás, obrigado.

— Vamos deixar uma coisa clara aqui, não sei ainda se gosto de você ou não e não sei o que te deu pra seguir comigo...

    Jarel levanta a mão e Dërhon se cala.

— Kassia me pediu. É só companhia, nada demais. Ela se preocupa com você e quer ter certeza de que voltará em segurança.

    Dërhon faz uma careta involuntária e Jarel sorri. Logo ele engata a primeira e põe o carro em movimento. Definitivamente dispensava babá, mas lá no fundo sentiu-se agradecido por Kassia se importar com ele e deixou rolar.

    Kassia deixou os bebês aos cuidados de Ores e da Sion depois de assegurar que chegariam em segurança e mudou o seu curso, tomando forma dentro da caverna subterrânea que a levaria para o ninho onde havia deixado os machos a dormir, enterrados no solo úmido.

    Eles eram a prova viva de que ela não era má e queria certificar-se de que ninguém pudesse descobrir aonde os havia deixado, tranquilizou-se em perceber que tudo estava exatamente no mesmo lugar e de todo coração, desejou que houvesse um meio de protegê-los. Que houvesse um lugar onde eles pudessem viver em paz e em segurança.

    Ela não imaginava que estava sendo constantemente observada, mas ele se fez ver e ela abraçou o próprio ventre instintivamente.

— O que faz aqui?ela inquire com firmeza.

    Orion se afasta dando um passo atrás e mostra as palmas, logo é cercado por Zhelter e Narum de ambos os lados.

— Imaginei que voltaria aqui em algum momento. — ele justifica.

    Ela estudava suas expressões com desconfiança e todos os seus instintos estavam em alerta máximo, mas nenhum dos três fez qualquer movimento por um momento e Orion um pouco mais à frente observou os traços dela e abaixou um pouco a cabeça em sinal de respeito;

— Não tem porque ter medo de nós. Somos nós que não devíamos estar aqui, deixou claro que não queria nos ver. — ele olha aos irmãos de soslaio e volta o olhar para ela — Sempre tivemos afinidade, mas nunca saberíamos que somos irmãos se não nos tivesse contado. Devemos nossa vida a você e, enquanto existirmos, lhe seremos gratos por isso.

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