Ele já não tinha força pra engolir a própria saliva, mas a necessidade de servir a fêmea aos seus cuidados sobrepujava qualquer outra vontade e ele permanecia no chão ao lado da cama, aguardando, preso e subjugado a essa obsessão de não abandona-la nem por um segundo, e descobriu um tanto surpreso, que sentia muito prazer enquanto ela usava o seu corpo, quando se entregava ao desejo que sentia de servi-la sem pensar, sem lutar.
Se antes achou que sua barriga estava colada nas costas, agora tinha certeza, e que o ímpeto de sair e sugar qualquer coisa que sangrasse era com o único propósito de prover a fêmea em seu quarto, também.
Ele se lembrou do momento em que acordou na floresta e ela dormia ao seu lado, a forte compulsão que sentiu em defender a fêmea de qualquer coisa que a ameaçasse foi o que lhe deu forças para se abraçar a ela e desmaterializar rumo ao subsolo com o corpo ferido, e tudo o que vinha sentindo desde então, só podia ser amor, paixão, qualquer outro sentimento do qual ele nunca havia sentido antes.
Ele tinha a pouco alimentado a fêmea mais uma vez e num ímpeto louco ele a beijou na fronte e a cobriu. Logo que ela adormeceu ele reparou com orgulho genuíno que as suas cicatrizes começavam a se fechar e tudo que mais desejava era que ela não se afastasse dele nunca mais!
Ele era um homem diferente por sua causa e não abriria mão disso por nada nesse mundo. Era algo libertador poder olhar no rosto de uma fêmea e não sentir vontade de machucá-la ou subjugá-la às suas vontades, e passaria de muito bom grado o restante da sua eternidade ao lado dela.
Admirando a mulher que foi capaz de mudar todos os seus conceitos relacionado a a elas como um todo, não que se sentisse culpado pelas outras, isso não. Se ele as usou também se deixou usar por elas, mas essa ele tinha a mais convicta certeza que seria capaz de fazer qualquer coisa para que fosse feliz ao seu lado.
Kassia o intuiu a sair do quarto antes que denunciasse seu asco vomitando e ele saiu fechando a porta sem fazer barulho. Ela se encolheu na cama enorme que ele vivia para ajeitar aqui e ali em silêncio, tentando não perturbá-la, e ela continuava escutando os pensamentos dele, mesmo sabendo que ele tinha se materializado há quilômetros de distância.
Vai, pode me acusar se quiser.
Kassia provocava Aleesha de tempos em tempos, mas ela se mantinha em silêncio como uma forma extra de punição.
Não estou te punindo...
Ah nããão, claro que não! Só não concordava que ela se mantivesse ali, presa a um ser infeliz que teve o azar de estar no lugar errado na hora errada!
Também não é isso, e você é um ser impertinente e arrogante que me irrita de propósito, só pra não ter que escutar o que ele pensa ao seu respeito. Eu sei como é isso K, vivi há alguns milênios com esse dom, que mais parece uma maldição.
Kassia puxa o ar num suspiro profundo e exala sentida.
Você se sentia assim com Zarcon? Tá, desculpa, foi um pensamento fugaz e além do mais, já tinha prometido a mim mesma que não ia me intrometer.
Exatamente. Você prometeu isso, não eu...
Aleesha faz uma pausa e desabafa;
Por um tempo cheguei a acreditar que me amava, e isso doía muito, eu tentei de verdade me apegar a ele, ele era doce e gentil, mas...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Vale dos Aehmons
Paranormal®Todos os direitos reservados. Liberado por período indeterminado. (design de capa Debby Scar). Kassia é uma jovem comum, que sempre batalhou para ter seu espaço e sua liberdade no mundo. Não sabia ela que sua vida tomaria rumos sem volta quando...
