Trinta e quatro

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Maratona +10 e 25 comentários
Pietra 🦋

Desde cedo eu tinha a desconfiança da Alice ser autista e o Lucca dizia que ela só era chorona mesmo.

Mas estávamos cuidando dela mas veio esse caralho de bullying e eu quase sai no soco com a vagabunda da Rosa a diretora.

A Alice não parava de chorar um segundo, e me estressou tanto a diretora não trazer nenhuma medida por ter sido a filha vagabunda dela que fez o bullying.

Não preciso nem falar que o Lucca está revoltado e se dessa vez ele quiser fazer algo eu não vou impedir.

Ela tava mais calma porém trancada no quarto deitada com os ursos.

Suspiro fundo, vendo as crianças entrarem no quarto o Lucca estava fazendo a comida preferida dela pra ver se fazia ela sair.

Aurora: Mãe — ela sorrio pra mim — Ela não quer abrir a porta pra eu entrar.

— Seu pai vai procurar a outra chave. — sorrio fraco. — O que realmente aconteceu lá?

Aurora: Eu não sei muito bem, mas ela disse que ia no banheiro lavar as mãos como ela sempre faz e eu fui comprar nosso lanche, e ela demorou muito e quando eu fui atrás o banheiro estava fechado e ela gritando lá dentro — ela respirou fundo — Aí eu vi a Taissa rindo e eu fui pra cima dela.

Lucca Jr: O que ela tem mãe? — ele me olhou, sentando na ponta da cama.

Aurora: Ele não sabe? — vi a cara dele de confuso.

— Autismo e hiperatividade. — passo a mão no cabelo dele. — Não era nem pra você saber dona Aurora.

Aurora: Eu li o exame mãe, e ela já sabe? — ela suspirou fundo.

Nego com a cabeça, vendo o Caos entrar no quarto com ela no colo.

Alice: Não quero ficar aqui pai — ela falou fungando.

Aurora: Nem se a gente te abraçar — ela fez que não.

Lucca Jr: Nem se eu deixar você dormir com meu edredom? — ela olhou pra ele.

Caos: Vamo dormir tudo junto hoje, pivetinha. — ela balançou a cabeça, concordando pro edredom.

Alice: O que tá acontecendo pai? — ela se sentou na cama puxando o edredom do Lucca.

Olhei pra ele balançando a cabeça "melhor contar".

Caos: Fala tu, chorona. — ele sentou na poltrona, mexendo na corrente com meu nome.

— Então meu amor — respirei fundo, ela era extremamente sensível — A gente desde cedo notamos que você chorava bastante, se irritava bastante com barulho e odiava mudança, ai achávamos que você era uma cópia idêntica do seu pai, mas não — sorri pra ela, tentando falar da maneira mais leve possível — E descobrimos que você tem um nível de autismo, nada que mude sua vida mas coisas que conseguimos adaptar de certa forma e você também tem hiperatividade, mas estamos juntos aqui pra cuidar de você sempre — falei olhando pra ela.

Alice: Não mãe eu quero ser normal, eu não sou assim. — ela me olhou com os olhos cheios de lágrimas. — Eu quero ser normal pai, eu quero.

Aurora: Você é normal Lice — ela sorrio pra Alice — Não precisa chorar choroninha.

— Meu amor você é normal nunca diga isso nunca mais — alisei o rosto dela com carinho.

Alice: Eu não sou normal, mãe. — ela cobriu a cabeça, começando a chorar. — Eu quero ser normal igual a eles, eu não quero ser diferente.

Aurora: Mais Lice eu falei que queria ser normal e você disse que eu era, quando eu falei que achava que gostava de meninas — ela falou receiosa olhando pra mim.

Alice: Mais você é normal, eu não sou o papai disse que eu vou ter fazer terapia, eu não quero. — ela deitou no meu colo.

Caos: Tua acha que teu pai é normal? Não sou não carai, todo mundo é diferente jaé? Diferente de forma boa e tu é diferentona é brilhante pra caralho, igual teus irmãos cada um do teu jeito filha.

Lucca Jr: Lice todo mundo fala que eu nem pareço filho do pai, só por que sou calmão, para disso você é nossa chorona — ele falou carinhoso com ela.

Alice: não quero mãe, por favor. — ela colocou a cabeça no meu pescoço.

Beijei a cabeça dela com carinho, alisando seu cabelo.

— Você vai pra terapia comigo, com seu papai, com a Aurora e com o Lucca, todo mundo vai passar juntos — beijei a cabeça dela — A festa de quinze anos de vocês está chegando — alisei seu cabelo.

Caos: Maior festão, vão querer o que? — ele olhou pros três.

Aurora: Uma festona pai, com dj, bebida tudo — ela falou animada, fazendo a Alice olhar pra ela.

Lucca Jr : Ah sei lá podia chamar alguém pra tocar pai, eu ia curtir — ele falou baixo.

Alice: Eu queria dançar com um príncipe — ela falou baixo.

Lucca Jr: Eu danço com você — ele sorrio pra ela.

Aurora: Mais ela disse príncipe Lucca, e tu não é príncipe — ela falou rindo, fazendo a Alice soltar um ar de riso.

Caos: bebida pra eu enfiar no teu cu, otaria da porra. — ele bateu na cabeça da Aurora.

Aurora: Bebida sem álcool pai calma calminho — ela falou rindo.

Alice: Dança comigo pai? Eu não tenho príncipe mesmo, e o Y nem vai querer — ela ergueu a cabeça.

Caos: Última opção da tua lista choroninha? Sei se tô querendo não. — ele fez cara de pensativo. — DJ pro Lucca, bebida sem álcool pra mini otaria.

Ela negou rindo fraco.

Alice: Você é meu príncipe pai —— ela sorrio pra ele — E ai eu não choro com o barulho — ela olhou pra ele.

Lucca Jr: Pai você pode pedir pra buscarem uma amiga minha — ele falou todo tímido.

Aurora: A Luiza né vai beijar vai beijar — ele tacou o travesseiro nela.

Caos: Escreve o nome na paradinha do convite lá, que eu desenrolo pra buscarem. — ele fez toque com o Lucca. — Só aceito ser esse bagulho de príncipe se me chamar de papai. — ele deu de ombros cruzando os braços.

— Vai ser aqui no morro amor? — olho pra eles.

Alice: Então você aceita ser meu príncipe papai? — ela falou toda manhosa como ela era com ele.

Aurora: Posso chamar a Tami? — o Lucca Jr olhou pra ela rindo.

Lucca Jr: Depois é eu que vou beijar né — ele negou e ela tacou o travesseiro nele.

Aurora&Alice: Eu queria no salão PrimeSummer — elas deram risadas.

Caos: Jaé jaé. — ele sorriu pros três. — Faz a lista e manda pra mim. — ele veio deitar na cama. — Vou ser essa par aí pra tu.

A Alice sorrio pulando no pai dela já se ajeitando no peito dele.

— Tem a Malu, Ravi e Jade não esqueçam por que tem que avisar pra trazer eles de São Paulo — falei vendo eles todos se ajeitando na cama.

O caos passou a mão no cabelo da Alice, ligando a televisão do quarto.

Não tinha como não ter sentido falta desses momentos nossos.

Herança do Crime - Livro 4 Onde histórias criam vida. Descubra agora