Boa leitura
Paulo
Cheguei um pouco atrasado na terapia e agradeci por ainda não ter começado. O ambiente estava animado, com conversas leves e sorrisos por todos os lados. Cumprimentei a todos, mas meus olhos só buscavam ela. Foi quando senti uma voz suave sussurrando no meu ouvido:
— Ela ainda não chegou.
Me virei rápido, assustado, e encontrei a Ana com aquele sorriso malicioso.
— Ela quem, Ana? — perguntei, tentando parecer casual, enquanto ela apontava para a porta.
E então a vi: Gloria, deslumbrante e imponente como sempre. Passos firmes, olhar penetrante que foi direto ao meu corpo, avaliando cada detalhe. Ela usava uma regata cinza justa que realçava seus contornos, calça social preta de cós alto que alongava suas pernas, rasteirinhas de couro, bolsa preta e acessórios prateados que brilhavam discretamente.
— Oi, amada. Boa noite, desculpa o atraso — cumprimentou Ana com um abraço quente.
— Oi, Gloria. Boa noite! Tudo bem? Ainda não está atrasada, mas já que chegou, vou reunir todos para começarmos — Ana se retirou educada, deixando-nos a sós.
Gloria veio até mim, seus passos suaves ecoando em cada passo. Me envolveu num abraço forte, e eu senti seu cheiro, aquele perfume doce e viciante no meu pescoço. Quando ela se soltou, beijei sua testa, com a respiração ainda acelerada.
— Boa noite, minha linda. Como você está? — perguntei, os olhos fixos nos dela, um sorriso bobo querendo escapar.
— Muito bem, e você? — respondeu, com aquele sorriso que me derretia.
— Também estou ótimo.
Ana nos chamou para nos sentarmos e fomos para a segunda fileira de cadeiras. Ela se sentou ao meu lado, cruzou as pernas lentamente, e começou a deslizar o pé pela minha panturrilha num sobe e desce provocante. Apoiada no encosto da cadeira, sustentava a cabeça na mão, me olhando com um brilho malicioso.
Aproximei meu rosto e sussurrei só para ela:
— Estou morrendo de saudade de você.
Ela sorriu, o canto dos lábios se curvando em convite.
— Passa a noite comigo? Já tenho planos para nós dois — disse baixinho, subindo o pé pela minha perna.
Olhei para aquele pé desobediente e voltei o olhar para a palestra, tentando me controlar.
— Você sabe que não resisto a nada que venha de você, sua diaba — murmurei, fixando seus olhos que vagavam para o decote, mordendo os lábios, lutando contra o desejo que queimava em mim.
Ela percebeu meu olhar e levou a mão livre até os seios, acariciando-os lenta e provocativamente, desenhando os mamilos com os dedos. Senti a boca secar, molhei os lábios com a língua e desviei os olhos, forçando a atenção na palestra, mesmo que meu corpo estivesse em chamas.
Quando a palestra terminou, Ana confirmou os detalhes do evento em São Paulo. Eu disse que já tinha comprado a passagem, enquanto Gloria falou que faria isso na próxima semana. Todos se despediram e seguimos para o estacionamento. Hoje tinha gente perto, e não tivemos a privacidade de sempre.
Ela me abraçou, e eu segurei sua cintura com firmeza. Perto do meu ouvido, ela sussurrou:
— Me segue... — e saiu rebolando, com aquele jeito que só ela tem.
Entrei no carro, e como sempre, fui atrás dela.
Gloria
Entrei no carro frustrada por não termos conseguido aquele beijo prolongado que sempre nos entregava um mundo só nosso. Normalmente, o estacionamento era nosso refúgio, mas hoje tinha gente por perto.
Chegamos à minha casa e a noite já estava caída. Ele estacionou no lugar que conhece de cor. Desci e deixei tudo no carro. Ele saiu do dele, e eu corri até ele, pegando sua nuca e beijando-o com uma fome voraz. Ele me segurou pela cintura, pressionando seu corpo contra o meu até eu quase perder o fôlego. Correspondia ao beijo com igual intensidade, apertando e sugando meus lábios, mordiscando-os com desejo.
As mãos dele desceram até minha bunda, apertando com força. Senti sua ereção endurecer contra mim, e soltei gemidos quase inaudíveis, puxando seus cabelos pela nuca. Mordi sua boca com vontade, e quando o ar nos faltou, desci para o pescoço dele, chupando e lambendo com voracidade.
— Tá com fome, Gloria? — perguntou rouco. Puxei sua cabeça para trás e olhei fundo em seus olhos, vendo aquele sorriso safado que me fez sorrir de volta.
— Muita, muita fome de você.
Ele me agarrou pela nuca, me beijou de língua, tornando minha boca quente e úmida, incendiando meu corpo. As mãos grandes dele apertavam minha cintura com ganância, subindo até a bunda para me dar um tapa que me fez estremecer. Encolhi-me, puxei seus cabelos mais forte, nossas bocas queimavam e minha intimidade ardia. O fôlego faltou e nos separamos.
— Vem, vamos entrar! — peguei sua mão, quase arrastando-o para dentro.
— Alexa, ligar as luzes! — me virei para ele, apreciando seu corpo à luz suave.
Ele usava sandálias Birken marrom escuro, calça jeans preta e uma camiseta marrom clara de botões, tudo perfeitamente casual e sexy.
— O que foi? — perguntou com um sorriso irresistível.
Dei outro comando para a Alexa:
— Alexa, liga as luzes da piscina e o aquecedor!
O sistema respondeu com um sinal de "ok". Ele me olhou antes de dizer:
— Gloria, não trouxe roupa de banho.
Imaginei, mas ele ainda não sabia que não ia precisar. Ele logo entenderia minhas intenções.
— Tudo bem, a gente dá um jeito... Vem, vamos preparar uns petiscos e escolher um vinho — disse, puxando-o para a cozinha.
— Então tá bom, vou pegar o vinho na adega — ele saiu.
Peguei algumas frutas frescas, queijos picados e organizei tudo numa tábua com cuidado. Peguei duas taças, e ele voltou.
— Demorou... — falei, levando a tábua para a área da piscina.
— Fiquei em dúvida entre os vinhos, mas peguei o Brunello — disse ele, vindo atrás.
— Humm, ótima escolha!
Sentamos perto da piscina, e enquanto ele lutava para abrir a garrafa, observei as veias saltadas no braço, o bronzeado mais intenso da pele, e meu desejo só aumentava. Tentei me controlar para não pular em cima dele ali mesmo.
Ele abriu o vinho, nos serviu e brindamos.
— À nossa noite! — disse ele, com um brilho nos olhos.
— À nossa noite, querido! — respondi, ainda em contato visual. Nossos olhares falavam mais que palavras.
Sentei-me, cruzei as pernas, sentindo-me dona da situação. Ele parecia intrigado, confuso.
— E agora, madame? — perguntou, sério.
— Alexa, tocar 'Two Feet – I Feel Like I'm Drowning' — disse, fitando-o enquanto a música começou a embalar o momento.
— Gloria... como as... — tentou falar, mas eu o cortei.
— Agora, tira toda a sua roupa pra mim.
[...]
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Desejo oculto
FanfictionNos bastidores da novela Terra e Paixão, dois veteranos da teledramaturgia se encontram não apenas em cena, mas também na vida real. Paulo Rocha e Gloria Pires, ao darem vida a seus personagens, acabam despertando sentimentos que ultrapassam o rotei...
