Capítulo 63

168 12 2
                                        

Boa leitura

Paulo

Saí da casa dela sem nem saber pra onde tava indo, entrei no carro e fui dirigindo meio sem rumo, só rodando por aí, com a cabeça a mil, tentando entender tudo o que a gente disse, tudo que rolou, e só conseguia imaginar ela com aquele moleque... segurava o volante tão forte que meus dedos ficaram brancos. Já era tarde quando parei na praia, tirei a camisa e o chinelo e fui pro mar. Tinha gente na água e o mar tava bem tranquilo.

Fiquei ali um tempo, só sentindo a água gelada me abraçar... dizem que o mar limpa a alma, né? E, olha, se alguém tá precisando de alma limpa sou eu. No meio daquilo tudo, comecei a chorar por causa daquela mulher. Pensei em ir atrás da Juliana, dar fim no que começamos aquele dia, mas... não dá. Não consigo. A água se misturava com as lágrimas, e quando vi já tava cansado de tudo, resolvi sair.

Sentei num banco da orla, só olhando o mar indo e voltando, e quando olhei no relógio já era quase meia-noite. Minha roupa tinha secado no corpo de tanto tempo ali. Voltei pro carro, liguei e deixei uma música rolando enquanto ia pra casa. Quando cheguei fui direto pro quarto, entrei no banheiro e deixei a água quente cair no corpo. Fiquei lá, parado, com a cabeça explodindo de dor. A tensão era tanta que o corpo até pesava.

Saí enrolado na toalha, peguei o celular com vontade de mandar uma mensagem pra ela, mas vi a hora — 1h24 — e pensei... depois do que ela me disse, depois dela jogar na minha cara que eu não sou nada pra ela, eu não vou fazer isso. Joguei o celular na cama, fui pegar uma cueca e dei de cara com aquela calcinha pequena que ela esqueceu aqui da primeira vez que dormiu comigo. Fiquei só encarando aquilo e meus olhos encheram d'água. Peguei a cueca branca, vesti e deixei a toalha largada em qualquer canto.

Desci pra cozinha, olhei pra prateleira com os whiskys e vodkas, escolhi um copo, joguei umas pedras de gelo e peguei a garrafa de Johnnie Walker. Coloquei uma dose e virei de uma vez. Fui pra sala, liguei a TV e botei "Call Out My Name" do The Weeknd. Tomei outra dose, essa mais devagar. Quando percebi, já tinha bebido quase metade da garrafa, tava sentado no chão da sala. Coloquei o copo e a garrafa na mesinha, tentei levantar, mas caí no sofá. Dormi ali mesmo, do jeito que tava.

Gloria

Acordei com o sol já batendo forte e umas batidas na porta. Levantei com a cabeça doendo, aquela claridade machucando o olho. Procurei o celular — 07h02. Fui até a porta e era a Ana. Ela me olhou de cima a baixo, com aquela cara de quem já sabe que tem coisa errada.

— Mãe, tá tudo bem? — ela entrou meio preocupada, me olhando.

— Bom dia, filha... tá sim.

— Mãe, eu te conheço. Me fala o que tá acontecendo. Esses dias você tá oscilando demais, uma hora tá feliz, outra hora tá calada, triste... tô ficando preocupada de verdade.

Na hora me veio tudo na cabeça, tudo o que aconteceu ontem, e eu comecei a chorar de novo.

— Ah, filha... por que tudo tem que ser tão complicado?

Ela me abraçou e eu chorei mais ainda.

— Me conta, mãe. Desabafa. Sou sua filha, tô aqui, e te amo mais do que tudo.

— Me apaixonei pelo Paulo, filha. E agora minha vida virou uma bagunça.

Ela se afastou um pouco, me olhando surpresa.

— Que Paulo? O Paulo Rocha? O da novela?

Eu só balancei a cabeça confirmando. Ela me puxou até a cama e pediu pra contar tudo, e aí eu falei. Falei desde a primeira noite, até a briga de ontem... só não mencionei o Thiago.

Desejo oculto Onde histórias criam vida. Descubra agora