Capítulo 41

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Boa leitura

Paulo

Quando ouvimos alguém chamar pela Gloria, nos levantamos na mesma hora. Ela me olha assustada e tira minhas mãos da cintura rapidamente.

— Paulo, sai da piscina, agora!!! — diz, subindo as escadas apressada.

— Calma, Gloria! — digo, estranhando o desespero dela.

Em instantes, ela sai da piscina, chega até os roupões, joga um na minha direção e coloca outro.

— Calma? Eu não quero que ninguém te veja ou saiba que você está aqui. ANDA LOGO! — ela corre até minhas roupas, pegando-as de qualquer jeito.

Eu fico sem reação vendo ela assim, e só consigo pensar nas palavras da Juliana: "Acha mesmo que ela vai te assumir um dia?" 💭

— MAMÃE, TO ENTRANDO! — ela olha para os lados, olhos arregalados e expressão aflita. Eu estou com minhas roupas na mão.

— E o que você vai fazer comigo? Me esconder no armário? — questiono baixinho, olhando para ela. Ela me encara e então olha para o armário de roupas de banho.

— Isso mesmo, vem, corre... — me puxa pelo braço, me levando até o armário grande às pressas.

— O quê? Gloria, você tá brincando, né? Eu não tenho mais 20 anos — falo, nervoso e chateado com a atitude dela.

— Eu sei, meu querido, mas por favor, ainda está muito cedo, você sabe, Paulo. Agora entra, por favor! — diz, abrindo o armário.

Ouvimos passos se aproximando e ela me empurra para dentro, fechando a porta. Estou em choque, e tudo o que sinto é raiva — raiva por estar passando por isso, por amar alguém que claramente não me ama, e que, pelo jeito, tem vergonha de mim. Fico ali, ouvindo a conversa dentro daquele armário apertado.

Gloria

Praticamente jogo ele dentro do armário e o tranco. Não queria fazer isso, mas não posso deixar ninguém saber que estamos juntos. Quando olho para trás, Antônia está entrando.

— Oi, filha! Nossa, que surpresa boa! — digo, tensa.

Vou até ela, realmente surpresa. Ela mora em São Paulo e normalmente liga avisando que vem visitar. Meus filhos decidiram fazer surpresa hoje: primeiro o Bento, agora a Antônia. Dou um selinho nela e a abraço. Ela olha ao redor, e eu rezo para que não perceba nada, mas pelo jeito não dá certo.

— Oi, mamãe, estou atrapalhando? — pergunta, olhando para a tábua e as taças.

— Claro que não, filha! Eu estava com uma amiga, mas ela já foi e decidi ficar um pouco mais na piscina... — digo, tentando soar tranquila.

— Ata, sim. Liguei várias vezes, mandei mensagem, mas a senhora não atendeu nem respondeu — quando ela fala, lembro que minha bolsa ficou no carro com tudo.

— Nossa, filha, desculpa! Está tudo dentro do carro. Vem, você quer alguma coisa? — convido, chamando para sentar, mas ela recusa.

— Não, mãe, estou indo para um evento e não posso me atrasar. Só passei para te dar um beijo mesmo — diz, passando o braço pelo meu e indo até a porta.

— Aaa, filha, que pena! Vai ficar até quando? — pergunto curiosa.

— Até amanhã à tarde. Vou vir almoçar aqui, pode ser? — pergunta educada. Fico feliz, estava com saudade dela.

— Claro que pode, estou morrendo de saudade, meu amor! — respondo, ajeitando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha.

— Agora preciso ir, te amo! — me abraça e me dá um selinho.

— Tchau, meu amor, até amanhã. Bom evento! — retribuo o carinho.

Assim que ela sai, fecho a porta e corro até o armário para destrancar. Quando Paulo sai, vejo nos seus olhos que a noite não vai acabar como eu gostaria.

Paulo

Ouço ela se aproximar correndo e destrancar a porta. Assim que ela abre, saio. Ela me olha preocupada.

— Paulo, tá tudo bem? Me desculpa, era a Antônia e... — enquanto ela fala, não consigo olhar para a cara dela. Tiro o roupão, jogo no chão, coloco a cueca e começo a me vestir apressado, com a cara fechada.

— Paulo, o que está fazendo? Amor? — ela se aproxima, segura meu braço tentando me parar, mas eu termino de abotoar a calça e puxo o braço de volta.

— O que eu estou fazendo? Estou me vestindo e indo embora daqui — respondo, em tom grosso. Ela se assusta.

Meu ódio corre pelas veias. Essa mulher me causa todo tipo de sentimento: uma paixão louca e um ódio mortal.

— Paulo, pra que isso? Vamos conversar? Por favor! — diz nervosa, mas eu não ligo. Coloco meu calçado e visto a camiseta, deixando-a aberta.

— PRA QUE ISSO??? VOCÊ ESTÁ DE BRINCADEIRA COMIGO?? Gloria, eu não sou mais um adolescente. Tenho 47 anos e não me presto ao papel de ficar me escondendo em armário... Tá achando que sou um brinquedo, porra??? — a raiva me domina.

Vou até a mesinha, pego celular e carteira. Ela vem atrás.

— Brinquedo? Do que você está falando? Meu Deus, que drama! Eu só não queria que minha filha te visse aqui, não agora. Eu me separei no papel faz duas semanas, Paulo — diz, nervosa. Isso só me deixa mais puto.

— Chega dessa conversa, Gloria. Você está separada há mais de dois meses e a gente se envolve há muito mais tempo que isso. Acha que eu não percebo que você só me liga pra transar? E quando estamos na frente dos outros, você me trata como qualquer outro colega? Tô começando a acreditar no que a Juliana me falou — digo, olhando nos olhos dela.

Quando falo o nome da Juliana, uma chama acende dentro dela. Eu desvio o olhar e sigo para o estacionamento, mas ela me segura pelo braço com força, me puxando para encará-la.

— O que aquela azeda estava falando pra você, hein? — questiona, com raiva.

— Ela disse que você nunca vai assumir nada comigo e que nunca vai me amar como ela me ama! — respondo, com o rosto quase colado ao dela. Ela não responde, o que me deixa ainda mais triste.

Me viro e sigo até a porta da garagem. Ela vem atrás.

— Paulo, fica, por favor, não vai embora! Para com isso! Vamos aproveitar o resto da noite! — pede, com voz mansa e manhosa, puxando meu braço, colando nossos corpos, segurando meu bíceps e beijando meu pescoço.

— Gloria, para! — digo, resistindo ao máximo, mas essa mulher me deixa mole. Ela sobe, chupando meu pescoço até meu ouvido, ficando na ponta dos pés.

— Por favor, amor, não vai embora! Vamos terminar o vinho e dormir agarradinhos! — usa suas armas e vai conseguindo o que quer.

Estou quase cedendo, mas então lembro da cena dela me jogando no armário, e não resisto.

— E amanhã cedo você me manda embora porque seus filhos vão almoçar aqui? — questiono, mais firme, segurando seus braços e afastando-a. Na mesma hora sinto falta do seu calor.

— MEU DEUS, PAULO! É mais complicado do que parece, tenta entender... — diz, perdendo a paciência.

— Me responde só uma coisa... você vai me assumir pra sua família e amigos? — pergunto. Ela muda a expressão da raiva para a tristeza. Ali está minha resposta.

— Paulo, vamos com calma! Estamos juntos há dois meses e meio. As coisas não são tão rápidas assim.

Sinto meu coração doer. Não digo nada, viro as costas e vou andando até meu carro.

— Alexa, abrir o portão da garagem! — comando. O portão começa a abrir.

— VOCÊ VAI MESMO? — ela grita, vindo atrás de mim. Abro a porta, entro e fecho. Ela para em frente ao vidro.

— Então ok, vai mesmo e NUNCA MAIS VOLTA! — grita, descontrolada de raiva. Dou partida e saio da casa dela.

O caminho até minha casa é longo e doloroso.

[...]

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