Capítulo 67

132 14 7
                                        

Boa leitura

Gloria

Sábado

Estou a caminho da palestra, essa semana foi dura, a saudade dele queima no peito, e o Padilha, sempre ao meu lado tentando me animar, mas eu só queria ficar em casa, quietinha, talvez com uma garrafa de vinho. Ana me chamou algumas vezes para ir ao shopping, até para visitar umas lojas de artesanato que ela sabe que eu adoro, fui uma vez, mas não tinha ânimo para nada.

Tive reuniões, e em uma delas não podia faltar, coloquei minha melhor máscara, fiz minha melhor atuação, sorrindo para todos. Thiago estava lá, tiramos fotos, ele foi o único das gravações presente. Tem falado comigo todo dia, educado, gentil, tentando se aproximar de todas as formas. Mandou flores, me convidou para jantar, arrumei desculpas, não queria mesmo ir, não estou pronta.

Agora estou aqui, no estacionamento onde fazemos nossas reuniões, olho para o carro dele estacionado bem na minha frente, meu coração bate forte demais. Quero muito tentar falar com ele hoje, de algum jeito nos acertarmos, voltar a ser como antes, porque essa saudade está me consumindo. Pego minha bolsa e o celular, saio do carro e entro no prédio. Quando chego, dou de cara com Ana, a abraço, cumprimento-a, vejo todos os companheiros de terapia, mas ele não está entre eles. Meus olhos percorrem o salão procurando, até que o encontro — e não acredito no que vejo. "É a Suyane conversando com ele?" — penso, incrédula.

Ele está de costas, ela tão focada e animada no papo que não me vê. Fico de longe observando, ela não tira as mãos dele, sorriem felizes, a conversa dura uns vinte minutos, eles ignoram o resto do mundo enquanto ela flerta, meu sangue ferve de raiva e meu coração dói de tristeza porque ele está retribuindo. "Já me trocou tão rápido assim..." penso, olhando os dois.

Então Paulo olha para trás, direto na minha direção. Seu semblante muda, o sorriso que estampava seu rosto some quando ele me vê. Suyane me encara logo depois, e eu vou até eles.

— Boa noite, amados! Não vim antes porque o papo parecia tão bom, não quis atrapalhar — digo, olhando fundo nos olhos dele, que não demonstra nenhuma emoção.

Abraço Suyane, depois abraço ele, colando nossos corpos, dou um cheiro no seu pescoço só para provocar. Ele me cheira também, sinto seu corpo se arrepiar, ele fica ofegante, e eu não consigo esconder meu incômodo de vê-lo com ela. Ele percebe e Ana nos chama para começar. Ele se afasta de mim, estende a mão para Suyane.

— Vamos, Su, você senta do meu lado hoje! — diz, simpático, sorrindo para ela que aceita feliz, pedindo licença.

— Com licença, Glorinha! Vamos, meu querido! — digo com um sorriso forçado.

"Meu querido? Que intimidade é essa?" penso, indignada.

O desgraçado olha para mim, sorri, coloca a mão na cintura dela, quase na bunda, e sai. Eles se sentam, eu fico duas fileiras atrás, observando-os. A palestra começa, ela não para de sussurrar no ouvido dele, e ele sorri abertamente para ela.

"Seu idiota, vou matar você por isso!" penso, sem conseguir prestar atenção no que Ana fala.

A palestra acaba, e como sempre começamos a conversar. Vejo eles trocarem algumas palavras, ela concorda com a cabeça, acena, e eles dão tchau, saindo juntos.

"Não, não, não! Onde eles estão indo?" penso, com o coração disparado.

Graças aos céus, Aline diz que está saindo, eu digo que vou com ela. Chegamos no estacionamento, ele fecha a porta do passageiro do carro, dá a volta e, quando vê a gente, apenas acena. Só Aline retribui. Eu quero matá-lo, ele entra e vai embora só os dois naquele carro.

Desejo oculto Histórias para pegar e não largar. Descubra agora