Capítulo 45

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Boa leitura

Gloria

Quarta-feira, acordo às 5h33. Pego o celular pra ver a hora — e, claro, ver se tem alguma notificação dele, nada.

Vou pro banheiro e paro em frente ao espelho, me olhando de cima a baixo.

— Ele não vai mesmo mandar mensagem? Nem ligar? — pergunto pra mim mesma, encarando o espelho.

— Eu não vou mandar mensagem pra ele — falo decidida, mesmo sem acreditar muito nisso.

Tiro a roupa, entro no box e ligo a água fria. O corpo arrepia inteiro pego o sabão da Bemgloria, começo a espalhar pelo corpo devagar, massageando.

Fecho os olhos... e lá vem ele na cabeça. Aquela voz no meu ouvido, aquele sotaque que eu tô morrendo de saudade. Sinto o toque dele como se fosse real. Aperto meus seios, solto uns gemidos baixos, e minha mão vai descendo... chego no meu clitóris e começo a me tocar, lembrando do dia em que acordei com ele me chupando, me fazendo gozar na boca dele.

Acelero os movimentos a voz dele vem de novo, mandando eu gozar. E eu gozo, sozinha no banheiro com a água fria correndo e o coração disparado.

E aí vem a saudade, forte, doída que me faz chorar, de novo.

Termino o banho, saio, pego a toalha e vou direto pro celular são 6h31. Digito um "Oi" pra ele... mas, na hora de enviar, me falta coragem apago, suspiro. Vou passar meus cremes, coloco perfume, visto a roupa da academia, bato um secador rápido no cabelo e desço pra tomar café.

Ana tá na mesa.

— Bom dia, minha filha — falo, dando um beijo na testa dela.

— Bom dia, mamãe. Tá bem?

— Tô. Vai sair? Acordou cedo...

— Vou na gravadora resolver uns pepinos.

— Ah, entendi. E o Gui, tá tudo bem com ele?

A gente segue o café da manhã entre risadas e conversa leve. Quando termino, pego as chaves, a bolsa, o celular... e vou pra academia.

Durante o treino, olho pro celular a cada repetição. Entro no Instagram, no WhatsApp, toda hora... mas nada, ele não manda nada.

— Que inferno! — solto, bufando, e volto a pegar pesado no treino.

Uma hora depois, saio da academia. No caminho pra casa, o celular vibra: notificação do Instagram ele postou uma foto.

O sinal fecha, dou graças. Abro a foto: ele, de camisa branca de botão, óculos escuros, olhando pro horizonte. Céu azul, mar no fundo. Ele tá um absurdo de bonito, o relógio marca 10h17.

O sinal abre e eu nem percebo. Só noto quando alguém buzina atrás de mim.

Chego em casa, estaciono. Pego o celular de novo abro o contato dele e não aguento mais, ligo.

Chama, chama, cai.

Ligo de novo, mesma coisa, caixa postal.

— Ele tá me ignorando? Já se passaram TRÊS dias. TRÊS MALDITOS DIAS. Que homem orgulhoso! — grito, sem paciência nenhuma.

Pego minhas coisas, saio do carro e ligo mais uma vez entrando em casa, nada. Subo pro quarto, tiro a roupa, vou direto pro chuveiro e tomo outro banho. Saio, olho o celular, nenhum retorno.

Vou até o closet, coloco um short de lycra, uma regata qualquer. Desço com o cabelo molhado e vou pegar uma fruta na cozinha.

Como uma banana e vou até o escritório buscar o notebook. Vou pra área de lazer. Me sento num puff, os meus nenês me cercam, latindo felizes. Faço um carinho neles e abro umas planilhas da Bemgloria.

Conecto o WhatsApp no computador entro na conversa com ele, são 11h41.

Não penso muito, escrevo:

11h41
"Oi, tô te ligando mas você não atende..."

A mensagem entrega, mas não aparece mais o "visto por último" ele tirou a visualização.

O almoço começa a sair e o Padilha chega. Tínhamos combinado de almoçar juntos.

— Oi, man... — ele começa, mas eu interrompo.

— Você acredita que tô ligando pra ele e ele não me atende, Padilha?! — solto, explodindo de raiva, os olhos colados na tela do notebook.

— Eita, calma, mulher! Deve tá ocupado...

— Ocupado? Ele postou uma foto agora! E eu nem vejo mais se ele tá online!

— Ihhh... que macho orgulhoso, hein, mana? — ele ri, achando graça enquanto eu tô quase surtando.

— O que eu faço, mana?

— Espera até de noite. Se ele não responder... vai atrás dele.

Fico na dúvida, mas decido seguir o conselho.

— Tá. Vou fazer isso.

A saudade já tá gritando mais alto que o orgulho. Não sei explicar... só sei que pensar que ele tá chateado comigo me arrebenta.

A gente almoça e passa a tarde pesquisando referências de novos produtos da Bemgloria. Tento focar, mas já liguei pra ele duas vezes depois do almoço, mandei mais três mensagens... e nada.

Já são 18h45.

Tomo um banho, passo o perfume que ele ama, coloco um vestido florido alaranjado, seco o cabelo, faço uma make leve. Desço as escadas e encontro Ana com o Gui na sala.

— Uau, vai sair de novo? — ela pergunta, com aquele sorrisinho safado. O Gui balança a cabeça, rindo.

— Vou sim. E espero demorar muito.

— Vai lá então. Se cuida, qualquer coisa liga!

— Pode deixar.

Entro no carro, em 30 minutos, tô na frente do prédio dele. Olho o relógio: 19h46 desço do carro, nervosa, mas tentando manter a pose.

— Boa noite! Gostaria de falar com o Paulo, do ap 900 — digo ao porteiro.

— Boa noite, senhora. O Sr. Paulo não está viajou no domingo.

Fico em choque.

"Viajou? Como assim viajou?" 💭

— Sabe quando ele volta?

— Não deixou essa informação.

— Ah... ok. Obrigada.

Saio do prédio, entro no carro, bufando de raiva.

— Aquele idiota! Viajou? E não me falou nada? Quem ele pensa que é?! — digo, socando o volante.

Pego o celular, ligo de novo ele não atende.

19h58
"Você tá viajando? Como você viaja e não me fala nada?!!!"

Ligo de novo, nada.

20h03
"PAULO, ME ATENDE, PORRA!!!"

20h07 o celular toca, pelo toque, eu sei quem é.

Pego o celular correndo, o nome dele brilhando na tela.

[...]

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