Capítulo 46

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Boa leitura

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Paulo

Acordo por volta das 8h, demorei pra dormir porque aquela diaba me tira até o sono... saber que ela tá feliz sem mim me deixou completamente abalado. Me levanto, vou direto pro banho, entro no box e deixo a água quente cair nas costas, sinto os músculos relaxando, e no meio desse vapor todo, decido que hoje vou passar o dia na praia.

Saio do banheiro, escovo os dentes, passo um protetor solar, coloco uma sunga, uma camisa branca de botões, bermuda marrom e sandália moisés, finalizo com o perfume que ela ama. Desço e meu velho já tá na mesa tomando café.

– Bom dia, pai

– Bom dia, meu filho – dou um beijo na cabeça dele e ele retribui

Me sento, pego um pão com manteiga, um café preto e vamos conversando. Digo que vou à praia, ele assente, termino o café, me despeço e sigo.

Decido ir pra praia da Comporta, que é linda, tranquila, tudo que eu tô precisando hoje. Chego por volta das 10h, tiro uma foto em cima de uma pedra com o céu azul e o mar ao fundo, posto no Instagram, sem marcar localização... eu sei que ela vai ver. Tiro a camisa, sento na areia, olho pro horizonte tentando encontrar algum tipo de paz ali

Passa um tempo e meu celular toca, é ela. Meu coração dá um pulo, pego o aparelho com uma vontade absurda de ouvir aquela voz cheia de sotaque carioca, mas aí lembro da cena dela me escondendo da filha e da alegria dela nas redes, e não atendo

O coração pesa quando vem as lembranças, dela me olhando na cozinha, me chamando de amor, toda entregue nos meus braços. Balanço a cabeça, tentando tirar ela da minha mente, levanto e mergulho. Nesse meio tempo, ela me liga mais duas vezes e manda mensagem... e eu fico morrendo de saudade, mas deixo ela sentir um pouco também, quero ver até onde ela vai

Depois da praia, dou um rolê na cidade, passo numa lanchonete, como um sanduíche natural, visito uns cantinhos que ainda não conhecia

Volto pra casa já eram 18h40, subo pro quarto, tiro a roupa e vou pro banho, dessa vez gelado. Fico ali por alguns minutos, depois saio, me seco rápido, coloco só uma cueca e deito na cama, ligo a TV... e quando menos espero, o celular vibra, é ela de novo

Dessa vez manda mensagem:
"Você está viajando? Como você viaja e não me fala nada??"

Eu ainda tô processando quando ela liga de novo e aí vem outra mensagem:
"PAULO ME ATENDE, PORRA!!!"

Respiro fundo e decido retornar. Ela atende no segundo toque, já vindo com tudo:

– É SÉRIO ISSO, PAULO? Você vai embora no sábado, me deixa sozinha em casa, não manda uma mensagem, me ignora o dia inteiro, e quando eu vou até sua casa, descubro que VOCÊ VIAJOU??? Como você faz isso? Você tem ideia de como eu tô me sentindo? – a voz dela tá cheia de raiva, mas também embargada... ela tá segurando o choro

– Se você tá assim, imagina eu... imagina ser tratado como um segredo, como um cara qualquer, depois de uma noite incrível com a mulher que eu admiro – digo com a voz baixa, mas doendo por dentro

– Paulo...

– Você nunca vai saber o que é isso, porque eu nunca faria isso com você... se você soubesse o tanto, mas o tanto que eu te... – respiro fundo, tentando segurar – você me machucou, e eu preferi me afastar do que devolver na mesma moeda

– Amor... me desculpa, me perdoa, por favor...

– A gente conversa depois — respondo seco

– Paulo... onde você tá? – a voz dela baixa, quase sussurrando

– Na casa do meu pai... em Portugal

– Você tá em Portugal??? Quando você volta?

– Não sei... ainda não sei

– No sábado, né? No evento em São Paulo? – ela pergunta com uma esperança que me desmonta, não consigo mentir

– Sim... sábado. Até, Gloria — desligo antes que ela diga qualquer coisa, o peito apertado e a saudade me comendo por dentro

Gloria

Quando ele atende, eu tô tão nervosa que começo a falar sem parar. Ele me escuta em silêncio, até dizer que tá magoado, e na hora me dá um nó na garganta. Quando ele quase fala que me ama, uma lágrima cai... e eu só queria poder abraçar ele nesse momento. Pergunto onde ele tá, quando volta, quero dizer que tô morrendo de saudade, mas a voz não sai. Quando ele confirma que vamos nos ver sábado, dá uma aliviada, mas ainda dói

Ele desliga na minha cara, nem me deixa responder. Ligo o carro, coloco minha playlist de música clássica e volto pra casa com as lágrimas queimando os olhos

– Por que tudo com ele é tão intenso assim? Por que eu sinto tanta falta dele, meu Deus? – murmuro tentando entender esse sentimento que não me deixa em paz

Chego em casa e vou direto pro meu quarto, sento na cama, entro na conversa e vejo que ele não mandou mais nada. Largo o celular no criado-mudo, tiro a roupa e vou pro banheiro, olho no espelho e, sem pensar muito, uma ideia absurda passa pela minha cabeça

"Será que ele atenderia uma chamada de vídeo?"

Pego o celular, a luz do banheiro tá baixa, a pia branca tampa o que precisa ser tampado, e eu ligo... chama até cair. Tô toda molhada, arrepiada, excitada, decidida a fazer esse homem me querer de novo

Entro no box, deixo a água cair mais um pouco, e na hora que termino, saio ainda pingando, pego o celular de novo e ligo mais uma vez, dessa vez sem pensar

Ele atende.

[...]

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