Capítulo 51

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Boa leitura

Gloria

Depois que o avião decola e estamos estabilizados no ar, ele tira o cinto; eu faço o mesmo em seguida. Olho para os lados e vejo que a única pessoa próxima é um senhor dormindo nas poltronas ao lado. Levanto o encosto que nos separa e me aproximo dele. Ele está tenso, mas eu sei bem como aliviar essa tensão.

Chego perto do seu pescoço, dou um beijo e ele recua, de olhos fechados, a pele arrepiada. Levo minha mão ao seu ouvido, tiro o fone e coloco entre meus seios.

— Gloria... meu fone — ele sussurra, para ninguém escutar.

Chego mais perto do seu ouvido, coloco minha mão direita em sua perna esquerda e sussurro:

— Você vai ter que pegar... — beijo atrás da sua orelha e ele se afasta o suficiente para olhar nos meus olhos.

— Você só veio atrás de mim para isso, né? — vejo a raiva nele, e logo tento tirar isso da sua cabeça.

Seguro seu rosto entre as mãos e digo com toda a certeza do mundo:

— É claro que não, Paulo. Eu vim atrás de você porque eu... porque eu estou com saudade — travo assim que percebo o que disse, fico nervosa. Isso realmente iria sair da minha boca? Meu Deus.

— E por que eu deveria acreditar nisso? — ele pergunta, com tristeza no olhar, me deixando mal.

— Porque é verdade, meu amor! — digo, aproximando meus lábios dos dele com calma. Ele não recua, me dando liberdade para beijar sua boca. Quando deslizo sobre seus lábios firmes, me sinto viva de novo. Ele passa o braço pela minha cintura, sugando minha língua quando peço passagem. Me beija com ternura, cheio de desejo.

Sinto um fogo subir entre minhas pernas. Fecho-as, esfregando uma coxa na outra. Ouvimos a comissária se aproximando, oferecendo água e café. Nos separamos, com a respiração pesada pelo beijo quente. A moça vira de costas, e, assim que ela sai de perto, ele enfia a mão nos meus cabelos e me puxa para mais perto. Antes de juntar nossas bocas, ele diz, com voz firme que me arrepia por inteira:

— Da próxima vez que você fizer uma palhaçada daquela comigo, eu nunca mais olho na tua cara.

Ele não espera resposta e começa a chupar meus lábios. Eu retribuo, num beijo que tem gosto de saudade e desejo. Ele me chupa e morde. O fôlego acaba, e ele desce os beijos pelo meu pescoço. Minha respiração está pesada pelo tesão.

— Paulo!!! Meu amor...

— Que saudade de você, minha linda! — ele diz, mordendo a base do meu pescoço.

Solto gemidos baixos e enfio minha mão por dentro da sua camisa, segurando sua cintura. Volto a mão direita para sua perna, subindo aos poucos até o meio delas, sentindo sua ereção dura, igual a um pedaço de madeira. O short é fino e bem molinho, ajudando nos movimentos que inicio.

Ele volta a beijar minha boca e minha mão segura firme seu pau, subindo e descendo numa punheta aparentemente boa, pois ele geme na minha boca e morde meus lábios. O fôlego acaba e nos afastamos. Passamos o restante do voo conversando até o pouso.

Paulo

Não resisto a essa mulher. Ela tem um ímã que me puxa até ela, e não consigo ficar ao seu lado por muito tempo e ter raiva. Desembarcamos às 8h10 e, como sei que ela não vai querer ser vista comigo, digo que vou pegar um táxi e ir para o hotel. Ela entende e diz que também vai pegar um táxi.

Eu saio, querendo muito ficar com ela e acompanhá-la, pois sei que ela não está acostumada a viajar sozinha; sempre tem alguém junto. Por isso, fico receoso, mas sigo meu caminho.

Chamo um táxi e vou para o hotel que aluguei, o Ibis Budget na Paulista. Desço e confirmo meus dados, subo para meu quarto, 702. O café da manhã vai até as 10h, então dá tempo de comer alguma coisa.

Termino de arrumar minhas coisas e reparo no quarto: uma cama grande de casal, banheiro espaçoso, sofá, frigobar cheio — bem confortável. Desço para tomar café, pego um pão com manteiga e um café, sento e, quando começo a comer, alguém senta à minha frente. Olho e acabo sorrindo, balançando a cabeça em negação.

— Eu não acredito nisso, Gloria. O que você está fazendo aqui?

— Uai, estou hospedada para o evento. Como o lugar é perto, decidi pegar um quarto aqui — ela diz na maior cara de pau, porque eu sei que ela fica em lugares muito melhores, tem apartamento por aqui.

— Kkkk, que coincidência, não é mesmo? E seu quarto é qual dos 700...? — digo todo sínico, e ela cai na gargalhada.

— 701... kkkkk — ela eleva as sobrancelhas, olhando para mim, espantada.

— Meu Deus, Gloria, você é terrível demais— digo, e ela coloca a mão no meio dos peitos, fingindo estar ofendida.

— Ah, eu não sou não e você sabe! — diz com cara de cachorra no cio, um sorrisinho safado crescendo nos lábios.

Dou risada, balançando a cabeça, negando tudo aquilo. Tomamos nosso café em silêncio, somente trocando olhares.

— Eu tenho que subir, preciso resolver algumas coisas antes do evento! — ela diz, se levantando, me mandando um beijo, e saindo mas eu a chamo de volta.

— Ei, não tá esquecendo nada, não? — pergunto e ela fica confusa. — Devolve meu fone, sua safada!

Ela dá uma risada e vem até mim, olha para os seios, enfia a mão e tira meu fone, me devolvendo. Sai rindo, mexendo o quadril.

Decido andar por São Paulo. Gosto muito da cidade, então saio para tomar um ar, espairecer.

Estou andando e, quando vejo, já são 16h. O evento começa às 18h, então volto para o hotel. Não a vejo pelo caminho, e a vontade de bater na porta do 701 é muito grande, mas passo reto, indo para o meu.

Tomo um banho e me arrumo: coloco uma camisa social preta de cetim, abro três botões, deixando o peito um pouco à mostra, e um smoking todo preto, com sapatos sociais. Não gosto muito desse estilo, mas hoje vou usar.

Saio do hotel procurando por ela, mas nada, nenhum sinal. Pego um táxi e vou.

Chego e vejo que o evento é grande mesmo. Tem alguns jornalistas na porta, tiro algumas fotos e, quando olho para a entrada, um carro preto para. O motorista sai, abre a porta, e eu fico sem reação quando a vejo.

[...]

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