Capítulo 54

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Boa leitura

Paulo

A batida na porta da varanda nos faz pular, arrancados do transe. Ana está lá, com uma mistura de choque e diversão no rosto.

— Vocês são doidos? Têm noção de quantos jornalistas e fotógrafos estão aqui? Querem assumir isso? Porque, desse jeito, vão conseguir rapidinho! — ela diz, cruzando os braços.

Olho para Gloria, e nossos olhos se encontram, carregados de tensão. Ana percebe o clima, revira os olhos e balança a cabeça.

— Sério, vocês acham que eu não sabia? Meu Deus... Agora vamos, o jantar vai ser servido! — Ela sai sem esperar resposta, deixando-nos sozinhos na varanda.

Vou até o parapeito, pego a bolsa e a taça de Gloria e as entrego a ela.

— Pega, minha linda, vamos! — digo, tentando aliviar o momento.

Ela me encara com raiva, pega a taça, vira o champanhe de uma vez e me devolve o copo vazio. Então, pega a bolsa e me dá um tapa forte no braço.

— Nunca mais me chama de "minha linda", seu cretino! — diz, a voz carregada de fúria, virando as costas e marchando em direção ao salão.

Não consigo conter o riso. Ela chega à porta, vira-se e me fuzila com o olhar.

— Anda, Paulo, para de rir e vamos! — ordena, autoritária, indo na frente.

No salão de jantar, ela se senta, e sei que meu lugar é ao seu lado. Outros colegas da terapia ocupam a mesa, mas Ana está em outro grupo, conversando animadamente. Aproveito um momento em que todos estão distraídos, rindo e falando, para me inclinar até ela.

— Gata, vai ficar com raiva de mim? — sussurro em seu ouvido, a voz suave, quase implorando.

— Cala a boca, não quero ouvir sua voz — retruca, seca, sem me olhar.

Ela está brava, e eu preciso consertar isso. O jantar é servido, e comemos entre conversas descontraídas e risadas da mesa. Quando esperamos a sobremesa, decido provocá-la novamente. Passo o bico do sapato de leve por sua panturrilha, subindo lentamente, e me aproximo de seu ouvido.

— Tô morrendo de saudade, minha linda — digo, com a voz mansa, sentindo o calor de sua pele mesmo através do tecido.

— Paulo... — ela murmura, a voz fraca, me lançando um olhar que mistura raiva e desejo.

Aproximo minha cadeira da dela, sem fazer barulho, nossos corpos quase colados. Deslizo a mão direita pela fenda do vestido, alcançando sua coxa esquerda. Ninguém na mesa presta atenção em nós, todos absortos em suas conversas. É exatamente o que quero.

— Você disse que tá sem calcinha pra mim, né? Vamos ver se é verdade... — sussurro, subindo a mão pela fenda, cada vez mais perto de sua intimidade.

— Paulo, aqui não. Por favor... — ela implora, ofegante, a voz quase um gemido abafado.

Chego lá e confirmo: ela está realmente sem calcinha. Meu coração dispara, e o desejo me consome.

— Descruza as pernas pra mim, safada — ordeno, a voz firme, quase um rosnado no seu ouvido.

— Seu maldito, cachorro... — ela sussurra, tão baixo que mal ouço, mas sinto seu corpo tremer.

— E você me ama exatamente por isso — respondo, com um riso baixo, provocador.

Ela mantém as pernas cruzadas, resistindo. Forço a mão entre elas, e ela cede, descruzando-as lentamente. Deslizo os dedos sob o vestido, passando o indicador de baixo para cima em sua intimidade, mantendo os olhos na mesa, fingindo participar da conversa. Gloria abaixa a cabeça, uma mão cobrindo o rosto, a outra agarrando meu pulso com força. Pressiono seu ponto mais sensível, e ela solta um gemido baixinho, quase inaudível.

— Gloria, tá tudo bem? — Aline, uma colega da terapia, pergunta, franzindo a testa.

Gloria

Meu Deus, o que ele está fazendo no meio de todo mundo? Vou matá-lo. Ele pressiona meu clítoris, e uma onda de prazer me atravessa, tão intensa que quase perco o controle. Caralho, por que isso tem que ser tão bom? Seguro seu pulso com força, abaixando a cabeça e colocando a mão na testa para me apoiar.

— Gloria, tá tudo bem? — Aline pergunta, preocupada, me encarando do outro lado da mesa.

— Tudo sim, querida, obrigada pela preocupação! — respondo, com a maior cara de pau, controlando a voz e a respiração.

Paulo faz movimentos circulares, e fecho os olhos, lutando para não gemer em voz alta. Estamos em uma mesa com dez pessoas, e a toalha longa esconde tudo, mas o risco é insano. Ele força a mão para baixo, me obrigando a abrir ainda mais as pernas. Olho para ele, e seu sorriso canalha me desafia. Aperto sua mão, tentando repreendê-lo, mas ele me ignora e enfia um dedo em mim, começando um vai e vem lento e torturante. Fecho os olhos, me entregando à sensação, o tesão por esse homem me consumindo.

Ele adiciona outro dedo, e tento fechar as pernas, mas não consigo. Ele continua, conversando normalmente com os outros, como se não estivesse me levando à loucura. Então, ele tira os dedos e começa a me masturbar com mais intensidade, na clara intenção de me fazer gozar ali, no meio de todos. Os primeiros espasmos já me atravessam, e sei que ele está conseguindo.

— Gloria, tá tudo bem mesmo? Você tá suada... — Aline insiste, e percebo que ela pode desconfiar de algo.

Paulo diminui o ritmo, me dando espaço para responder.

— Não se preocupa, amada! Tô bem, sim — digo, a voz um pouco trêmula, mas ainda firme.

Se isso vazar na mídia, estou acabada. Ele para por um instante, apenas me acariciando, e sinto o quanto estou molhada, sua mão deslizando facilmente entre minhas coxas. Volto a conversar, tentando parecer normal, e ficamos assim por uns dez minutos, equilibrando o disfarce e o desejo.

— Você tá tão molhada, minha cachorra... — ele sussurra no meu ouvido, a voz carregada de malícia.

— Você me paga por isso — retruco, tentando manter a compostura.

— Então, antes de cobrar essa conta, goza na minha mão — ele provoca, voltando com movimentos rápidos e fortes.

Não leva dois minutos. Abaixo a cabeça, cobrindo a boca com a mão para abafar qualquer som. Meu corpo se encolhe na cadeira, as pernas tremem, e meu coração dispara. A onda de prazer me engole, e por dez segundos, não consigo respirar. Ele não para, prolongando a sensação até eu agarrar sua mão, forçando-o a parar. Ele obedece, sorrindo enquanto conversa com os outros, mas sei que esse sorriso é para mim, regozijando-se com meu estado.

A sobremesa é servida, e como um pedacinho, ainda atordoada. Levanto-me, pedindo licença, e vou até Ana. Cumprimento as pessoas na mesa dela e sussurro em seu ouvido, perguntando onde fica o banheiro mais reservado. Ela me indica o caminho, e sigo na direção, precisando de um momento para me recompor.

Paulo

Observo Gloria se afastar, o vestido vermelho ondulando com seus passos, a fenda revelando sua perna a cada movimento. Meu corpo ainda pulsa com o que acabou de acontecer, e o sorriso não sai do meu rosto. Ela acha que vai escapar tão fácil? Não vou deixar. Pego minha taça, tomo um gole de champanhe e me levanto, pedindo licença com uma desculpa qualquer sobre precisar fazer uma ligação.

Sigo pelo corredor que Ana indicou, o som do salão ficando para trás. O banheiro reservado fica em uma área mais isolada, longe dos olhares dos jornalistas e convidados, perfeito. Encontro a porta entreaberta e entro sem bater, trancando-a atrás de mim. Gloria está diante do espelho, retocando o batom, mas para ao me ver pelo reflexo.

[...]

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