Capítulo 38

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Boa leitura

Paulo

Hoje acordei por volta das 7h30, levantei e fui direto para o banheiro. Tomei um banho quente, depois fiz a depilação que costumo fazer pelo menos uma vez por mês. Após uns 30 minutos no banho, passei protetor solar, vesti a sunga e uma roupa leve para correr. Na cozinha, preparei meu café na máquina: pão de forma com ovos mexidos e uma banana. Coloquei o fone de ouvido e o suporte para celular no braço e saí para correr na orla da praia.

Enquanto corria no calçadão da Barra, meu celular tocou. Vi que era o José, então parei em um quiosque, pedi uma água com gás e atendi.

— Oi, meu garoto — disse, com a respiração acelerada.

— Oi, pai! Bom dia! Onde você está? — perguntou ele, e eu já imaginei o motivo da ligação.

— Estou correndo. O que manda?

— Queria passar o dia com você. Tem como me buscar? — falou esperançoso, e eu não consegui negar.

— Posso sim. Veste uma sunga e coloca uma roupa, que vamos à praia. Mas hoje tenho compromisso, então te levo de volta antes das 17h, beleza? — respondi.

— Tudo bem! Vou me arrumar. Beijo! — desligou rápido, animado.

Bebi minha água, paguei a conta e voltei para o carro. Antes de ligar, mandei uma mensagem para ela:

"Bom dia, minha linda! Espero que seu sábado seja maravilhoso. Estou morrendo de saudade de você! Te vejo mais tarde, e qualquer coisa, sabe que pode me ligar. Estou sempre te esperando. Um beijo no canto da boca 🔥"

Confesso que esperei uma resposta, mas a Gloria é geniosa — não é fácil pra ela demonstrar sentimento. Por isso, eu sempre mando mensagens, mesmo que ela só ligue às vezes. Isso me incomoda um pouco. Liguei o carro e segui para a casa da Juliana. O trânsito estava péssimo, cheio de turistas, o que atrasou minha chegada.

Uns 30 minutos depois, estacionei em frente ao prédio onde meu filho mora e recebi a resposta da Gloria:

"Bom dia, meu querido! Te desejo um ótimo sábado também e te espero ansiosa na reunião. Um beijo!"

Sorri — ela é uma safada, adoro isso nela. Por mais que ache que ela só me queira pra sexo, quando estamos juntos e ela me chama de amor olhando nos olhos, todos esses pensamentos desaparecem.

Entrei no prédio, subi pelo elevador até o oitavo andar e toquei a campainha. José abriu animado e pulou nos meus braços.

— PAPAI!!! — me abraçou forte. Essa é a melhor sensação: ter ele perto de mim.

Ele me soltou, e a Juliana apareceu atrás dele, segurando um papel na mão. Já sabia o que era.

— José, vai pra dentro, eu preciso conversar com seu pai um instante — disse séria. Assenti, e ele entrou. Fechei a porta já preparado para a conversa.

— Eu já sei o que você quer, Juliana. E te digo que não tive escolha, já que você não facilitou — falei, encarando-a.

— Você entrou com processo contra mim por invasão de residência e quer se separar de mim depois de tudo que vivemos. Tudo isso por quê? Por causa daquela mulher que nem gosta de você de verdade — falou calma, deixando-me alerta.

— Não foi por causa dela. Já falei que não aguentava mais as brigas. Você quebrou a casa toda e ainda não aceita o divórcio — respondi, já irritado.

— Paulo... Eu te conheço, fomos casados por anos. As brigas foram só um pretexto para você fazer isso.

— Juliana, por que não assina logo os papéis e evita essa confusão? — perguntei sem paciência.

— Porque ela não te ama. EU TE AMO, PAULO! Você acha que ela vai te assumir um dia? — disse, debochada, me abalando por dentro.

— Deixa a Gloria fora disso, por favor! Já falei que não temos nada — respondi firme, tentando esconder que ela me atingiu.
Ela se aproximou, desafiadora:

— Você está dizendo isso para me convencer ou a você mesmo?
Não respondi se abrisse a boca, só ia xingar então me calei.

— Já sabe o que ela diz? Que está confusa, que é cedo, que está casada? — provocou, me fazendo explodir.

— Cuida da sua vida, Juliana! Ela não é mais casada, e isso não é da sua conta. Eu não te quero mais! Entendeu? Assina logo esses papéis e para de me incomodar. — falei autoritário. Ela sorriu, e eu senti um nó no estômago.

— Vou assinar, só para ver você se ferrar. Vai se arrepender de me deixar por ela — disse com ódio nos olhos.

— JOSÉ, VAMOS! — gritei, chamando meu filho. Ele olhava para ela, sem entender.
Juliana virou as costas, pegou uma caneta e assinou os papéis. José entrou na sala devagar, observando. Terminando, ela me entregou os documentos do divórcio.

— Um beijo, meu filho. Qualquer coisa, me liga — disse, acariciando a cabeça dele, jogando o cabelo para trás, beijando sua testa e saindo sem falar mais nada.

Saímos do prédio e entramos no carro. Olhei o relógio: já era hora do almoço.

— E aí, tá com fome? — perguntei tentando animar meu filho, que ainda não sabia o que tinha ouvido.

— Tô sim! Onde vamos comer? Posso comer sobremesa? — respondeu feliz, me aliviando.

— Vamos escolher um lugar. Depois eu penso na sobremesa, se você pode ou não.

Escolhemos um restaurante perto dali. Almoçamos, e deixei que ele comesse sorvete depois. Fomos à praia, tomamos banho de mar, jogamos futvôlei e aproveitamos até as 16h.

Às 16h30, o deixei em casa e não subi no apartamento. Voltei para minha casa, tomei um banho rápido e fui para a terapia encontrar a Gloria.

[...]

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