Boa leitura
Gloria
Sexta-feira
Acordei e demorei alguns minutos para me levantar. Peguei o celular: já eram 5h54. Levantei em seguida e fui ao banheiro, escovei os dentes e tomei um banho morno. Me enxuguei, passei protetor solar, perfume e fui para o closet escolher minha roupa para a academia, pois hoje iria cedo. Coloquei uma calça legging sem calcinha para não marcar, um top preto e uma blusinha de manga azul escura. Peguei minha bolsa e desci para o café. Dessa vez, Ana não estava à mesa; minha manhã seria sozinha e, para falar a verdade, não estava achando isso ruim. Precisava mesmo de um tempo para pensar no que faria.
Comi uma banana com granola e tomei um chá sem açúcar. Terminei e saí para o treino. Cheguei animada à academia e meu personal já me esperava. Seria treino de bumbum e pernas, e, pelo fato de estar animada, peguei pesado.
Uma hora e meia depois, saí toda suada e voltei para casa. Tomei outro banho, vesti uma calça jeans, uma blusa branca com outra por cima, de manga longa, e não passei nada, porque iria para o salão, onde faria alguns procedimentos.
Cheguei ao salão e já eram 8h10. As meninas me receberam muito bem, como sempre. Começaram fazendo um clareamento nas partes íntimas — já tinha feito depilação uns dias atrás, então não precisava. Depois fui para a sauna, onde passaram um óleo com cheiro de cacau na minha pele e fizeram uma esfoliação. Fiquei na sauna por uns 30 minutos, pensando em tudo que queria fazer com ele amanhã. Quando saí, as meninas me levaram para uma massagem. Elas apertaram meus músculos, me relaxando por inteira. Respirei fundo, satisfeita.
— Como isso é bom, meninas! — falei, rindo.
Elas deram risada; eu sempre dizia a mesma coisa. A massagem, infelizmente, acabou e fui para o salão. Fiz as unhas e uma hidratação profunda no cabelo. Quando terminei, já era hora do almoço. Fui a um restaurante ali perto e fiz minha refeição. Terminei, paguei a conta e voltei para casa. Tinha uma mala para fazer — ficaria apenas dois dias, mas precisava escolher as peças certas. Saias e vestidos estavam no topo da lista.
Cheguei em casa e encontrei Ana saindo.
— Oi, filha, onde vai? — perguntei, dando um selinho nela.
— Oi, mamãe! Vou viajar com o Gui. Esqueci de avisar, volto só segunda, tá bom?
— Tudo bem, meu amor. Também vou para São Paulo, para uma palestra, e volto só domingo à noite. Você toma cuidado e, qualquer coisa, já sabe.
— Tá bom, eu te ligo. Te amo, mãe, e juízo em São Paulo, kkk — ela disse sapeca, com um sorrisinho sínico nos lábios.
— Pode deixar. Você também, juízo! — nos despedimos e ela saiu.
Subi para o meu quarto e comecei a arrumar a mala. Coloquei duas saias pantalonas bem soltas — uma preta e uma bege —, duas blusinhas, dois vestidos: um preto e um vermelho que comprei há uns dias no shopping. Ele é longo e tem uma fenda do lado esquerdo. Coloquei também alguns conjuntos de lingerie que comprei pensando nele, mas, em especial, escolhi um body vermelho de renda, sem bojo e com renda transparente que tem uns elásticos nas coxas; um conjunto preto de renda, cuja calcinha tem um elástico na cintura e, na parte de trás, pedrinhas na entrada do bumbum; e um branco de renda, mais simples, que cobre metade dos seios em formato quadrado. Todas as calcinhas são fio dental. Coloquei também um hobby de cetim preto, liso, de mangas longas, que amarra na cintura, meus produtos, perfumes e maquiagem. Quando vi, o dia já tinha acabado.
— Não acredito que passei a tarde toda arrumando mala... — disse incrédula, por não ter visto as horas passarem.
Olhei no celular: já eram 19h23. Tomei outro banho, passei meus produtos e desci. Brinquei um pouco com meus bebês e jantei. Hoje passei o dia sozinha, e foi um dia de paz. Remarquei uma reunião presencial do meu filme para segunda-feira, com todo o elenco. Ainda não estava com sono, então peguei meu computador para dar continuidade aos planos da minha festa.
Me perdi no tempo, e, quando vi, já era super tarde. Ele não mandou mensagem, o que me deixou um pouco irritada, mas amanhã ele me paga. Subi, troquei de roupa, deitei na cama e dormi rápido, por causa do dia corrido.
Paulo
Acordei bem cedo, e ela já veio na minha cabeça. Meu voo é às 6h30, e não gosto de chegar atrasado para embarcar, então tentei pensar em outra coisa. Fui até o banheiro, tomei banho e vesti uma roupa simples: um short de praia, de tecido bem mole, preto; uma camiseta gola V com três botões, azul escura; minha sandália Moisés e um relógio. Penteei o cabelo e ajeitei a barba. Passei meu perfume de sempre, olhei o celular e eram 5h14. Peguei a mala que fiz ontem à noite e fui até a cozinha. Comi uma omelete com peito de peru e queijo enquanto preparava um café forte. Logo após, segui para o aeroporto.
Fiz tudo que era necessário e esperei o embarque. Às 6h começamos a entrar no avião. Estou levando apenas uma mochila comigo. Sentei no meu assento. O avião não estava muito cheio, o que achei estranho — não é normal um voo do Rio para São Paulo estar vazio. Talvez fosse porque a passagem que comprei foi um pouco mais cara, provavelmente era isso. Só sei que o embarque terminou e o lugar ao meu lado estava vazio; do outro lado, só um senhor caindo de sono.
Coloquei o fone e me ajeitei. Olhei no relógio: já eram 6h55 e estávamos 25 minutos atrasados. A comissária passou e eu a chamei.
— Oi, bom dia! Por que o atraso na decolagem?
— Bom dia, senhor. Estamos esperando uma pessoa, mas ela já está chegando. Em cinco minutos começamos a viagem — respondeu, educada.
Agradeci e pensei: "Quem pode ser essa pessoa para atrasar um voo inteiro..."
Voltei a atenção para o celular, quando de repente senti o cheiro dela. Meu corpo arrepiou. Não olhei, pois devia estar ficando doido — muitas mulheres podem ter o mesmo perfume. Então, alguém sentou ao meu lado, e eu soube na mesma hora quem era. Não era só o perfume — era o cheiro natural dela.
Olhei para os pés: ela estava de rasteirinha branca. Subi o olhar e vi um vestido azul turquesa com um pano rendado por cima. Continuei subindo e vi o decote quadrado, com alças grossas, sem sutiã. Meu coração disparou. Olhei em câmera lenta para seus olhos castanhos. Não podia acreditar: era ela, ali do meu lado, depois de sete dias, olhando para mim com saudade e a respiração pesada.
— Oi, meu amor! — ela disse com a voz calma, mas com receio.
Sei que ela estava sendo cautelosa. Continuei olhando para ela até conseguir falar.
— O que... o que está fazendo aqui? — perguntei, sem acreditar que passaríamos mais de uma hora um ao lado do outro.
Minha vontade era agarrá-la, beijar sua boca e sentir seu gosto... caralho, que saudade dessa mulher! Mas, por outro lado, meu orgulho e a mágoa ainda estavam muito presentes. Olhei para sua boca, e ela sorriu, percebendo o gesto.
— Estou indo para o evento da Ana Cruz! — respondeu, como se isso justificasse estar no mesmo voo que eu, do meu lado.
— Glor... — comecei, mas ela me interrompeu, tocando meu rosto e colocando o dedo na minha boca.
— Eu não quero brigar, tá bom? Chega de brigas. Eu quero paz com você. O que temos é tão bom, e você me faz muito bem. Me desculpa por ter feito aquilo com você — disse, agindo no calor da emoção. — Prometo não fazer de novo!
Senti sua sinceridade, notei a saudade nos olhos dela. Ela acariciou meu rosto, fazendo um carinho gostoso. Fechei os olhos, aproveitando aquele contato.
O avião começou a andar, ela tirou a mão do meu rosto, colocou o cinto, e o avião decolou.
[...]
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Desejo oculto
FanficNos bastidores da novela Terra e Paixão, dois veteranos da teledramaturgia se encontram não apenas em cena, mas também na vida real. Paulo Rocha e Gloria Pires, ao darem vida a seus personagens, acabam despertando sentimentos que ultrapassam o rotei...
