Boa leitura
Gloria
Sábado acordei bem disposta e descansada. Olhei no relógio: 5h56 da manhã. Fui para o banheiro tomar um banho frio. Enquanto lavava o cabelo, apliquei meu vinagre com água e comecei a esfoliar a pele com meu esfoliante natural de cacau — adoro aquele cheiro e a sensação. Passando as mãos pelo corpo, lembrei dele, das mãos enormes dele me tocando sem pudor, e um arrepio quente me invadiu.
— Será que um dia vou enjoar desse homem? — perguntei a mim mesma, sorrindo.
Enxaguei o esfoliante, lavei minhas partes íntimas e saí do box enrolada na toalha. Fui escovar os dentes, cuidar da pele, fazer uma maquiagem leve. No closet, escolhi um vestido preto longo, solto, alguns acessórios de ouro e uma rasteirinha combinando. Peguei a bolsa e desci para o café.
Na cozinha, encontrei o Padilha tomando café.
— Bom dia, meu amooor! — disse ele animado, sorrindo largo.
— Bom dia, meu querido — respondi, dando um beijo na bochecha, larguei a bolsa e me servi.
— Humm... vai sair, madame? — perguntou desconfiado, sabendo que sábado é dia de ver o Paulo.
— Vou ao salão, acho que vou demorar... — respondi, trocando um olhar cúmplice com ele, e rimos.
— Vai no salão, hein... humm.
— Sim, vou fazer depilação a laser para evitar pelos indesejáveis — disse, mordendo um pedaço de melão e piscando.
Padilha riu:
— Tá certa, tem que se manter lisinha mesmo! Kkkk
Nesse momento, a Ana apareceu com aquele sorrisinho.
— Pois é, tio Padilha, mamãe anda toda vaidosa... quer dizer, mais vaidosa agora que está saindo com alguém. Bom dia, tio! Bom dia, mamãe! — ela veio até nós e deu um beijo.
— Bom dia, querida — respondemos.
Ela sentou ao lado do Padilha e olhou para mim. Balancei a cabeça em negação.
— Sempre fui vaidosa, minha filha. Sou figura pública, preciso estar sempre bonita, e não por causa de ninguém — disse, terminando meu melão.
— Conhecendo, mamãe? A senhora dorme fora quase todo sábado. Já conheceu tudo que tinha pra conhecer, né? Kkkk E eu sei que você sabe quem é, tio — ela riu, mordendo um pão com geleia.
Padilha caiu na gargalhada, e eu olhei para Ana, com sobrancelhas erguidas.
— EU? Ai, esses jovens de hoje em dia não têm jeito — fingi choque.
— Vocês não me respeitam, não? Ana, olha como fala comigo, sou sua mãe! E Padilha, para de rir!
Ana não respondeu, só sorriu enquanto mastigava, e Padilha continuava rindo. Limpei a boca, peguei a bolsa, levantei e me despedi:
— Um beijo, meus amores. Tenho que ir, senão me atraso.
Beijei os dois, peguei a chave do carro e fui para o salão. As meninas foram educadas, me serviram café e começamos pelas unhas. Depois fui para depilação a laser, segui para a sauna e, ao sair, fui para massagem. Usei meu creme de baunilha favorito e fiquei lá por uma hora.
Quando terminei, peguei o celular. Tinha mensagem do Paulo. Sorri sem esforço.
"Bom dia, minha linda. Espero que seu sábado seja maravilhoso. Estou morrendo de saudade! Te vejo mais tarde. Qualquer coisa, sabe que pode me ligar. Estou sempre te esperando. Beijo no canto da boca 🔥"
Respondi, olhei o relógio e vi que já era quase hora do almoço. Voltei para casa e encontrei Padilha e Ana conversando animados na área de lazer.
— Uau! — disseram juntos, admirados.
Surpresa, vi o Bento ali — ele mora em São Paulo, mas sempre aparece sem avisar.
— Meu amor! Que bom que você está aqui! Chegou que horas? Estavam falando de mim? — perguntei, beijando-o e sentando ao lado.
— Claro que sim, kkk. Estou falando com Padilha e Ana sobre como você está mais leve e bonita, e sumida essas semanas — disse Ana, com cara de sapeca.
Padilha e ela caíram na risada. Bento olhou confuso e, de repente, me encarou surpreso.
— Mãe! Quem é ele? — levantou, me encurralando.
Ana parou de rir, Padilha ficou calado, só observando.
— Bento, não é nada sério, e não quero falar disso agora. Não é o momento — levantei, firme no papel de mãe.
— Mas, mãe... — ele falou nervoso. Ele é o mais apegado ao pai e esperava uma reconciliação, mesmo depois do divórcio.
— Bento, pare. Sou sua mãe, já sei o que faço da minha vida e não preciso da aprovação de ninguém, nem de satisfação. Fui clara? — falei autoritária.
— Sim, senhora. Com licença, vou sair — disse, olhando nos meus olhos e saiu sem esperar resposta.
Não abaixei a cabeça. Ele está nervoso, mas é um bom menino, e vai respeitar meu tempo e espaço.
— Ele ia saber uma hora ou outra, mãe. Essas coisas não se escondem por muito tempo. Eu também vou sair com o Gui, não volto hoje — disse Ana, me dando um beijo no rosto.
— Tá bom, minha filha. Cuidado, e qualquer coisa me liga — respondi.
Ana saiu e Padilha me abraçou. Ele sabe que odeio brigar com meus filhos ou ser autoritária.
— Foi melhor assim. Ele só ficou surpreso, vai passar — disse, carinhoso.
— Ai, mana, esse é meu medo... essas reações. Se um dia todos souberem — desabafei, expondo meu medo de aceitar tudo isso.
— Não vou mentir, amiga. Essas reações vão ser comuns, mas você não pode deixar que prejudiquem sua felicidade com quem ama! — falou sério e maduro.
— Eu não o amo, Padilha. Só estamos aproveitando o momento — recusei com firmeza.
— Tá bom, Gloria. Mas essa negação não vai durar muito, e cuidado para ele não se cansar também. Agora vem, o almoço já está servido e você precisa comer.
Não respondi, porque ele já me pegou pela mão, me levou até a mesa e mudou o clima. Perguntou sobre o salão, contei as fofocas e rimos.
Depois do almoço, fui ao shopping, comprei alguns vestidos e roupas de treino. Passei em uma loja de lingerie e não resisti: comprei algumas peças novas pensando nele. Voltei para casa, me arrumei e fui para a terapia.
[...]
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Desejo oculto
Fiksi PenggemarNos bastidores da novela Terra e Paixão, dois veteranos da teledramaturgia se encontram não apenas em cena, mas também na vida real. Paulo Rocha e Gloria Pires, ao darem vida a seus personagens, acabam despertando sentimentos que ultrapassam o rotei...
