Nos bastidores da novela Terra e Paixão, dois veteranos da teledramaturgia se encontram não apenas em cena, mas também na vida real. Paulo Rocha e Gloria Pires, ao darem vida a seus personagens, acabam despertando sentimentos que ultrapassam o rotei...
Hoje pela manhã, fui à praia, fiz uns exercícios, sentindo o vento do Rio me acalmar. Na hora do almoço, fui a um restaurante no Leblon com José, meu filho. Não entrei no apartamento, preferi esperá-lo no carro. No caminho para a escola, conversamos, e ele me pediu para levá-lo ao futebol amanhã à noite. Voltei para casa, tomei um banho e saí novamente.
Fiz fotos para divulgar uma marca de roupa, um trabalho rápido de duas horas. Queria mandar uma mensagem para Gloria, mas ela disse que estaria ocupada, então respeito e deixo quieto. Chego em casa às 17h35, o trânsito do Rio um caos, como sempre. Tomo um banho gelado, coloco uma cueca, pego uma água com gás e me jogo no sofá. Abro o Instagram, e me engasgo com o que vejo: fotos de Gloria com Thiago Martins, ele com a mão no rosto dela, na cintura, num momento que parece íntimo demais.
— Que porra é essa? Esse cara com as mãos na minha mulher? E a Gloria, por que tá tão perto dele? É por isso que ela não quer assumir nada comigo? — murmuro, o sangue fervendo.
Ligo para ela. Chama, chama, até cair. São 18h06. Tento mais vezes, nada. O ciúme me consome, e decido ir até a casa dela.
— Você vai me explicar isso direitinho — digo a mim mesmo, levantando-me.
No quarto, visto uma bermuda, uma camiseta e chinelo, pego as chaves do carro e saio. O trânsito está pior que antes, me deixando mais nervoso. Encosto na portaria do condomínio dela às 19h05, sou liberado, estaciono na frente da casa. Respiro fundo, tentando me acalmar, mas o ciúme é mais forte. Desço do carro, bato a porta com força e toco a campainha. Meu celular vibra com o nome dela. Desligo a chamada, toco a campainha de novo. Ela liga outra vez, e quando vou atender, a empregada abre a porta. Desligo e entro.
— Boa noite, cadê a Gloria? — pergunto, olhando ao redor, a voz mais ríspida do que pretendia.
— Vou cham... — a moça começa, assustada, mas é interrompida.
— Neuza, pode nos dar licença, por favor? — Gloria aparece, descendo a escada, num short jeans colado e um top tomara-que-caia preto, descalça, o celular na mão, o rosto preocupado.
Neuza sai sem dizer nada, e Gloria vem na minha direção.
— Paulo, não é nada disso que você tá...
— Sério? Vai dizer que não é o que tô pensando? Porque eu não pensei nada, eu vi, como todo mundo — corto, sem paciência, interrompendo-a.
— Sei que pode não acreditar, mas o que tá na internet não é verdade! — ela diz, aproximando-se, segurando meus braços, olhando nos meus olhos.
— Então começa a falar, quero ouvir — digo, afastando-me, tirando suas mãos de mim.
— Estávamos no restaurante, ele chegou, me deu um abraço. Fazia tempo que não nos víamos, era uma reunião de trabalho, tinha muita gente da equipe. Depois, ele me seguiu até o estacionamento, conversamos um pouco e... — ela para, desviando o olhar para o chão.
— Continua, Gloria — digo, a voz firme, um frio na barriga me atingindo.
— Paulo, primeiro, saiba que foi há anos, eu estava em outra época, e hoje não sinto nada, absolutamente nada — ela começa, e meu sangue ferve, as mãos fechando, a respiração acelerando.
— Você teve um caso com esse cara, Gloria? Com esse moleque? — pergunto, incrédulo, incapaz de imaginá-la com ele.
— Amor... — ela tenta se aproximar, mas desvio.
— Responde — exijo, o coração batendo forte.
— De 2015 até o fim de 2016, durante Babilônia e uns meses depois. Orlando tava morando fora, e nos envolvemos, mas não quis acabar meu casamento, então seguimos cada um pro seu lado. Como eu disse, Paulo, foi há muito tempo, não sinto mais nada por ele — ela explica, olhando-me com confiança.
— E você convidou ele pra fazer um filme? Como par romântico? De novo? Sério isso? — digo, perdendo o controle, andando de um lado pro outro.
— Fiz o convite em 2020, a notícia se espalhou rápido, temos muitos fãs desde 2015. Não podia desfazer, é trabalho, Paulo, você é ator, sabe como é — responde, impaciente.
Olho nos olhos dela, aproximando-me.
— E pra ele? Também é só trabalho?
— Não. Ele disse no estacionamento que não me esqueceu. Foi quando passou a mão no meu rosto, e o paparazzi tirou a foto — admite, olhando-me firme.
— E você, pra agradecer, beijou ele no rosto? — pergunto, a voz calma, mas carregada, abaixando-me até nossos rostos ficarem próximos.
— Disse que não sinto mais nada, que ficou no passado. O beijo no rosto foi por educação, e fui embora. Só isso — ela responde, sem desviar o olhar.
Seus olhos descem pra minha boca, e eu faço o mesmo, o desejo lutando contra a raiva. Ela tá tão gostosa nesse short e top, falando com essa convicção, que me desarma.
— Quero assumir, Gloria. Não aguento mais me esconder. Quero que todos saibam que você é minha — digo, a voz rouca, o ciúme e o desejo se misturando.
[...]
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