Capítulo 65

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Boa leitura

Paulo

"Ela transou com ele ontem? Que horas foi isso? Não... não pode ser... ela tá mentindo... tem que ser mentira..." 💭

– Você fez o quê com o Thiago ontem?! – solto, com a voz tremendo.

Solto ela e quando olho nos olhos dela... vejo é verdade. A porra da verdade tá ali, escancarada no olhar dela. E então a lágrima vem, uma, duas. Depois já nem conto mais. O peito começa a arder, queimar por dentro. Vou recuando até encostar na parede e simplesmente deixo o corpo escorregar. Me sento no chão, os braços por cima dos joelhos, passo as mãos na cabeça tentando entender... tentando respirar.

– Eu tava com raiva... por tudo que você me disse... – ela fala, com a voz embargada – Mas me arrependi assim que olhei pra ele...

Eu começo a chorar, chorar de verdade sem controle. Não acredito que tô chorando assim, na frente dela.

– Sua infeliz... desgraçada... – falo entre os dentes, tentando segurar o resto da sanidade. – Que horas isso aconteceu?!

Olho direto pra ela e vejo... o pânico. Ela desvia o olhar já sei a resposta.

– Foi... depois que você foi embora. Ele apareceu lá em casa, eu tava sozinha... com ódio de você. E acabei fazendo o que não devia. Paulo... me perdoa! – ela se aproxima, mas eu levanto rápido e me afasto, com nojo, com raiva, com tudo.

– Vai embora! Sai da minha casa. – solto seco, enxugando as lágrimas com força, indo direto até a porta.

– VOCÊ TAMBÉM ERROU! – ela grita, cheia de raiva – Você falou absurdos pra mim, me feriu, e ainda teve que escutar da sua ex aquela palhaçada toda na minha cara! A culpa também é sua, seu maldito!

Eu paro fico parado ali, a dois passos da porta. Respiro fundo, me viro devagar. Ela tá chorando, mas mesmo assim... eu só consigo pensar no que ela fez. Dou mais dois passos e fico na frente dela. Seguro o rosto dela com força, firmando os dedos no queixo, levantando seu olhar pra encontrar o meu – olhos nos olhos. Os dois vermelhos, destruídos.

– Eu não transei com a Juliana, sua maldita. – falo com voz baixa, dura, gelada. – Mas eu vou fazer isso na primeira chance que eu tiver. E agora, sai da minha casa, vai cuidar do teu moleque, já que virou babá. Porque agora quem não quer porra nenhuma com você... sou eu.

Ela empurra minha mão com raiva, se afastando.

– Vou sim! Porque pelo menos ele não corre pros braços da ex na primeira briga! – ela grita, me fuzilando com o olhar, pega a bolsa do chão e vai embora sem olhar pra trás.

Gloria

Saio do prédio como quem sai de um enterro tá tudo acabado. Não tem volta e mesmo que tivesse... nunca daria certo. Caminho pelas ruas sem rumo, até meu celular tocar dentro do carro. Olho no visor: Thiago, não atendo, não tenho energia pra isso. A ligação cai, e logo depois chega uma mensagem, o sinal fecha pego o celular pra ler.

10h23 – "Bom dia, Glorinha! Como você está?"

Marco como não lida, não quero nem pensar agora. O sinal abre, sigo meu caminho. Chego em casa com o rosto inchado de tanto chorar dor de cabeça, dor no peito, dor em tudo. Padilha tá me esperando na área de lazer.

– Bom dia, mana... – falo baixinho, a voz já diz tudo.

– Bom dia... Ah, Gloria, o que foi, mulher? – ele levanta correndo, vem até mim. Não quero desabar de novo. Mas tá difícil.

– A Ana me ligou perguntando por ele... e eu fui até o apê dele, ver se tava tudo certo... – digo, me jogando no sofá. Ele senta do meu lado, atento.

– E aí?

– Cheguei lá, ele tava jogado na sala, uma garrafa quase vazia do lado... acordei ele, fui pegar um remédio no quarto e... a Juliana apareceu ela viu que eu tava lá. E falou que na sexta transou com ele contou tudo, detalhe por detalhe e ele mandando ela calar a boca. Foi horrível, mana... – abaixo a cabeça e começo a chorar de novo Padilha fica em choque. Levanta, começa a andar de um lado pro outro.

– Que filho da puta... Mas sexta foi há quatro dias... então ele ficou com ela e no outro dia tava com você?! E o que ele falou?

– Que não transaram. Que ele foi lá, rolou umas coisas... mas não chegaram a isso.

– E você acreditou?

– Não sei, mana... – respiro fundo – Ele foi tão sincero. Disse que me ama. Que não vive sem mim...

– Ele falou? Com todas as letras?

– Falou... – confirmo com a cabeça, lembrando do olhar dele, da voz embargada. – Mas eu tava com tanta raiva que... acabei falando que fiquei com o Thiago ontem.

– GLORIA?! – ele me olha em choque.

– Eu sei... eu sei. Quando vi, já tinha falado. E aí ele chorou. Me mandou cuidar do Thiago já que eu virei babá... me mandou embora. – minha voz falha. Ele senta de novo, segura minha mão.

– Amiga... eu nunca te vi assim em todos esses anos. Você sempre foi equilibrada, madura... mas de uns tempos pra cá, você tá impulsiva, explosiva, morrendo de ciúmes, machucando e se machucando. Para, Gloria. Pensa com calma. Vê onde você errou, e onde ele errou. Os dois tão se perdendo porque tão muito apaixonados. E quando a gente ama de verdade... a gente enlouquece mesmo. Faz besteira. Fala sem pensar. Faz drama. Mas isso... isso que vocês têm... é amor.

Ele respira fundo, segura meu rosto com carinho.

– Não deixa isso morrer, mana. Dá um tempo, mas não deixa esse amor escapar. Eu acredito nele. Acredito que ele te ama. E também acredito que ele não transou com a Juliana. Espera passar uns dias... e depois, vai falar com ele porque você também errou. Você transou com o Thiago e contou pra ele.

Deito no colo dele e desabo, choro muito sem forças. Ele fica ali, fazendo carinho no meu cabelo, me acolhendo... em silêncio.

[...]

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