Capítulo 80

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Boa leitura

Gloria

Esses últimos 35 dias foram um inferno. Eu sabia que todos estavam preocupados comigo, mas simplesmente não conseguia sair daquele buraco... até ele aparecer e me puxar de volta.

Agora ele saiu pra buscar algumas coisas, disse que ia voltar pra ficar comigo — e eu tô aqui, agoniada, com o peito apertado, doida pra ele chegar logo.

Depois que contei pros meus filhos sobre a gente, me sinto mais leve, mais feliz. Não quero que ele saia de perto de mim nunca mais. Nunca.

Já faz uma hora que ele saiu... pego o celular e resolvo mandar uma mensagem:

20h12
"Amor, cadê você? Tá demorando!"

Ele não responde. Tento não surtar. Me levanto, vou até a cozinha, pego uma água de coco e bebo devagar. A Ana ainda estava aqui comigo, mas o Guilherme ligou, e eu insisti pra ela sair com ele, se distrair um pouco. Ela não queria, mas eu insisti.

A verdade é que quero ficar sozinha com o Paulo, só com ele.

Os minutos passam devagar, e nada dele responder. Meu coração começa a acelerar. Pego o celular de novo e digito outra mensagem...

20h32
"Paulo, aconteceu alguma coisa?"

O celular continua mudo por alguns minutos, e meu coração começa a bater mais forte, apertado.

20h35
"Oi, minha linda, já tô no caminho! Desculpa a demora em responder, 20 minutinhos e tô aí..."

Respiro fundo, aliviada. Só de saber que ele tá voltando, meu corpo relaxa um pouco. Vou até o sofá, sento, tento me distrair, mas o celular não sai da minha mão.

De repente ele toca, é uma chamada, e quando olho a tela, vejo o nome: Thiago.

Suspiro.

Ele vinha aqui quase todos os dias nas últimas semanas, insistente, tentando me ajudar. E, pra ser justa, ajudou sim, pelo menos um pouco... mas a verdade é que ele quer mais do que amizade, mesmo que eu só consiga vê-lo assim, como um amigo. Nada além disso.

Atendo.

— Oi, Thiago, boa noite...

— Oi, Glorinha, como você tá?

— Tô melhor... e você?

— Agora tô bem. Liguei só pra saber se você tava bem mesmo...

— Ah, obrigada, querido...

— Posso ir aí te ver?

Ele pergunta, e eu fico muda por alguns segundos, sem saber o que responder. O Paulo não pode nem sonhar com ele aqui dentro, meu Deus... não quero outra briga, não agora. Respiro fundo, pensando rápido, até que me vem uma ideia.

— Hoje não, Thi... tô bem cansada, e amanhã vou viajar.

— Humm... tudo bem, quando você voltar então?

— Pode ser, eu te aviso.

— Vou esperar ansioso 🔥

Assim que desligo, ouço o portão da garagem abrir, corro pra lá já sabendo quem é. Ele sai do carro, e eu estou no degrau de cima da porta, com um sorriso que não consigo esconder.

— Humm... demorou — diz ele, com aquela voz rouca que me arrepia.

Ele se aproxima, me abraça pela cintura, apertando forte, e eu me encaixo nele, apoiando o rosto na curva do seu pescoço, sentindo o calor dele.

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