Boa leitura
Paulo
Ainda estou dentro dela, encostado em suas costas, sentindo seu cheiro enquanto recupero o fôlego. Ela está ajoelhada em cima do sofá.
— Nossa... foi muito bom. — falo, saindo de dentro dela.
Ela solta um gemido baixo pelo movimento. Beijo suas costas, ela ainda está jogada no sofá, com um sorrisinho no rosto em êxtase.
— Realmente... somos muito bons nisso. — ela diz, com o rosto encostado no apoio do sofá e uma expressão serena.
— Vem, vamos jantar. Pedi comida do Alloro al Miramar. — chamo.
— Humm, estou mesmo com fome. E amo esse restaurante. — estendo a mão para ajudá-la a levantar.
Coloco minha cueca e fico observando enquanto ela se veste. Ela pega a calcinha, depois minha camisa, e a veste. Meu Deus, como é linda. Me perco nela por alguns segundos, e logo ela percebe, me dando um sorriso meigo, com aquele olhar de menina.
— O que foi? — pergunta.
— Você é linda demais, meu amor.
Ela se aproxima e passa a mão no meu rosto, desenhando minha mandíbula. Fico bobo com o gesto, que ela nunca tinha feito antes, e deposito um beijo em sua testa.
— Vem, vamos esquentar nossa janta porque já está fria. — diz em um tom divertido.
Vou até as embalagens e tiro nossos pratos. Ela se senta no banco do balcão. Para ela, escolhi um prato vegano, uma polenta com cogumelos porcini; espero que ela goste. Para mim, um macarrão à bolonhesa que amo.
— Como estão seus filhos? — pergunto, enquanto coloco as comidas no forno, percebendo a expressão alegre dela ao falar deles.
— Estão bem. Cleo está em São Paulo com o marido, cheia de compromissos. Antônia fazendo muitos desfiles pelo mundo, Ana e Bento também com as atividades deles, todos bem ocupados. E o José, como está lidando com tudo? — ela pergunta.
Termino de programar o forno para quarenta minutos e vou até ela, sentando ao seu lado. Ela coloca uma perna sobre mim, realmente interessada na conversa.
— Está lidando muito bem, melhor do que a própria mãe, pra ser sincero. — digo, num tom de desabafo, e ela me olha com atenção.
— Por quê? O que está acontecendo? — pergunta, curiosa.
Estamos bem próximos. Acaricio de leve sua perna com os dedos, sua pele é tão macia. Ela faz um cafuné gostoso em meus cabelos.
— Ela disse que não aceita o divórcio. Meu advogado está conversando com o dela, mas ela não cede de jeito nenhum. — digo, frustrado.
Estou tentando há dias um divórcio amigável, mas a Ju não aceita de forma alguma.
— Nossa, que situação chata... Mas ela não pode te obrigar a permanecer casado com ela. — diz, incomodada.
— Não, ela não pode. Mas tudo vai se resolver. E o Orlando? — pergunto, e vejo que ela respira fundo antes de responder.
— Vamos assinar o divórcio semana que vem. Foi fácil chegar a um acordo. — diz, olhando nos meus olhos.
Ela para de mexer em meu cabelo. Olho para ela tentando passar confiança, e ela retribui, mas percebo que está tensa. Resolvo arriscar, mesmo sabendo o quanto ela é reservada.
— Você sabe que pode me falar o que quiser, não é?
Quando digo isso, vejo os olhos dela se encherem d'água. O que aquele cara fez com ela... penso.
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Desejo oculto
Fiksi PenggemarNos bastidores da novela Terra e Paixão, dois veteranos da teledramaturgia se encontram não apenas em cena, mas também na vida real. Paulo Rocha e Gloria Pires, ao darem vida a seus personagens, acabam despertando sentimentos que ultrapassam o rotei...
