Capítulo 31

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Boa leitura

Paulo

Ainda estou dentro dela, encostado em suas costas, sentindo seu cheiro enquanto recupero o fôlego. Ela está ajoelhada em cima do sofá.

— Nossa... foi muito bom. — falo, saindo de dentro dela.

Ela solta um gemido baixo pelo movimento. Beijo suas costas, ela ainda está jogada no sofá, com um sorrisinho no rosto em êxtase.

— Realmente... somos muito bons nisso. — ela diz, com o rosto encostado no apoio do sofá e uma expressão serena.

— Vem, vamos jantar. Pedi comida do Alloro al Miramar. — chamo.

— Humm, estou mesmo com fome. E amo esse restaurante. — estendo a mão para ajudá-la a levantar.

Coloco minha cueca e fico observando enquanto ela se veste. Ela pega a calcinha, depois minha camisa, e a veste. Meu Deus, como é linda. Me perco nela por alguns segundos, e logo ela percebe, me dando um sorriso meigo, com aquele olhar de menina.

— O que foi? — pergunta.

— Você é linda demais, meu amor.

Ela se aproxima e passa a mão no meu rosto, desenhando minha mandíbula. Fico bobo com o gesto, que ela nunca tinha feito antes, e deposito um beijo em sua testa.

— Vem, vamos esquentar nossa janta porque já está fria. — diz em um tom divertido.

Vou até as embalagens e tiro nossos pratos. Ela se senta no banco do balcão. Para ela, escolhi um prato vegano, uma polenta com cogumelos porcini; espero que ela goste. Para mim, um macarrão à bolonhesa que amo.

— Como estão seus filhos? — pergunto, enquanto coloco as comidas no forno, percebendo a expressão alegre dela ao falar deles.

— Estão bem. Cleo está em São Paulo com o marido, cheia de compromissos. Antônia fazendo muitos desfiles pelo mundo, Ana e Bento também com as atividades deles, todos bem ocupados. E o José, como está lidando com tudo? — ela pergunta.

Termino de programar o forno para quarenta minutos e vou até ela, sentando ao seu lado. Ela coloca uma perna sobre mim, realmente interessada na conversa.

— Está lidando muito bem, melhor do que a própria mãe, pra ser sincero. — digo, num tom de desabafo, e ela me olha com atenção.

— Por quê? O que está acontecendo? — pergunta, curiosa.

Estamos bem próximos. Acaricio de leve sua perna com os dedos, sua pele é tão macia. Ela faz um cafuné gostoso em meus cabelos.

— Ela disse que não aceita o divórcio. Meu advogado está conversando com o dela, mas ela não cede de jeito nenhum. — digo, frustrado.

Estou tentando há dias um divórcio amigável, mas a Ju não aceita de forma alguma.

— Nossa, que situação chata... Mas ela não pode te obrigar a permanecer casado com ela. — diz, incomodada.

— Não, ela não pode. Mas tudo vai se resolver. E o Orlando? — pergunto, e vejo que ela respira fundo antes de responder.

— Vamos assinar o divórcio semana que vem. Foi fácil chegar a um acordo. — diz, olhando nos meus olhos.

Ela para de mexer em meu cabelo. Olho para ela tentando passar confiança, e ela retribui, mas percebo que está tensa. Resolvo arriscar, mesmo sabendo o quanto ela é reservada.

— Você sabe que pode me falar o que quiser, não é?

Quando digo isso, vejo os olhos dela se encherem d'água. O que aquele cara fez com ela... penso.

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