Capítulo 48

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Boa leitura

Gloria

Acordo às 06h02, os olhos ainda pesados, mas o coração acelerado... pego o celular antes mesmo de sair da cama — nenhuma mensagem dele, mas tem uma da Ana me respondendo.

05h34
"Oi Glorinha, bom dia! Desculpa não responder ontem, já estava dormindo. Ele comentou comigo sim, disse que o voo é direto do Santos Dumont para Guarulhos e que sai às 06h30 no sábado. O hotel é o Ibis Budget, na Paulista."

Um sorriso se espalha no meu rosto... um alívio gostoso, respondo rápido:

06h05
"Bom dia, querida! Eu que peço desculpas pela hora que mandei, muito obrigada pelas informações, Ana. Um beijo."

Deixo o celular ao lado e vou direto pro banho, ainda sentindo um calorzinho de satisfação no peito. Lavo meus cabelos devagar, passo meu esfoliante corporal favorito — o cheiro cítrico invade o banheiro, a espuma suave escorre pelos meus ombros e eu me sinto viva. Saio vinte minutos depois, enxugo o corpo com calma, escovo os dentes, passo meu creme no rosto e vou direto ao closet.

Escolho uma lingerie lilás: calcinha fio dental e sutiã que valoriza bem meus seios. Visto, me olho no espelho com um sorriso maroto e penso:

"Que tal um bom dia?" 💭

Volto para o quarto e pego o celular, agora são 06h51. Vou até o espelho de corpo inteiro, tiro uma foto sem mostrar o rosto — o ângulo é perfeito, envio com um simples:

"Bom dia"

Bloqueio o celular com o coração disparado e termino de me vestir. Calça jeans, blusinha preta leve, rasteirinha. Desço pra tomar café com Ana, que já está à mesa. Conversamos, rimos, e depois vou pro escritório. Ligo pro Padilha — meu fiel escudeiro — e conto meus planos, ele ri, claro, e como sempre, me apoia em tudo.

Ligo pro Marcelo Heidrich, gerente da Azul e um dos meus grandes amigos, sempre com aquela energia boa.

— Ora, ora, Glorinha! A que devo essa honra tão cedo? — ele atende com a voz cheia de animação, quase cantando. — Bom dia, minha amiga!

— Hahaha, bom dia, Marcelo! — dou uma risadinha, já entrando no clima. — Tô te pegando desprevenido? Como você tá, hein?

— Tô de boa, como sempre! E tu, Glorinha? Tá brilhando por aí? — ele responde com aquele tom caloroso de quem já me conhece há anos.

— Ótima, meu bem! Mas, olha, tô ligando porque preciso de um favorzinho... — falo com um jeitinho meio manhoso, já preparando o terreno.

— Uuuh, lá vem! — ele ri, brincalhão. — Manda, Glorinha, tu sabe que eu não resisto a te ajudar.

— Então, querido... preciso saber se tem um passageiro chamado Paulo Rocha no voo de sábado, 06h30, Rio–SP... — faço uma pausa estratégica, deixando a curiosidade pairar.

Ele solta uma risada grave, daquelas que dá pra imaginar ele balançando a cabeça do outro lado da linha.

— Gloria, Gloria... tu sabe que eu não posso sair entregando dados assim, né? — ele diz, com um tom meio sério, mas com um fundo de diversão.

— Aaaah, Marcelo, vai! — insisto, com aquela voz de quem tá pedindo com carinho. — você sabe que eu não vou fazer nada de errado. Só quero confirmar se ele tá nesse voo e... quem sabe, o assento dele, vai... — dou uma risadinha leve, quase conspiratória.

— Tá bom, tá bom, sua danada! — ele cede, rindo mais alto. — Deixa comigo, vou dar uma olhada e te ligo em seguida, fechado?

— Perfeito, amado! — respondo, com um sorriso que ele quase pode ouvir. — Obrigada, viu? Um beijão!

— Até logo, Glorinha! — ele se despede, com aquele tom de quem já tá planejando como vai resolver meu pedido.

Enquanto espero, começo a planejar meu aniversário de 61 anos — falta um mês. Pesquiso decorações, fotógrafos... poderia pedir pra minha equipe, mas adoro cuidar disso, me distrai. Quando menos espero, meu celular vibra com uma notificação.

07h48
"É sério isso? O que você quer? Me deixar maluco... porque se for isso, você tá conseguindo, diaba..."

Sorrio largamente... mordo os lábios, penso em responder, mas não. Melhor deixar ele no fogo mais um pouco.

O telefone vibra, e o nome do Marcelo pisca na tela. Meu coração dá um pulo enquanto atendo.

— Glorinha, missão cumprida! — ele dispara, com aquele tom de quem tá orgulhoso da façanha. — Seu Paulo Rocha tá confirmado no voo de sábado, 06h30, Rio–SP. Último assento da janela, 27C e volta domingo, 17h30.

— Marcelo, você é um anjo! — digo, com um sorriso que quase explode na voz. — E... tem um assento vago do lado dele, por um acaso?

— Acredita que tem? — ele ri, como se estivesse adorando entrar na minha trama. — 27B, livre, mas só na ida, hein. Na volta, já tá ocupado.

— Perfeito! Reserva o 27B pra mim, por favor! — falo, mal contendo a empolgação. — Me manda o valor depois, tá?

— Deixa comigo, linda! — ele responde, com aquele tom caloroso e divertido. — Já te passo tudo direitinho.

— Marcelo, você é o melhor! Beijosss! — digo, quase cantando de animação.

— Outro, Glorinha! — ele retruca, rindo, antes de desligar.

Desligo o telefone com um brilho nos olhos, o coração batendo forte, como se já estivesse no voo. Sábado vai ser absolutamente inesquecível.

Paulo

Não dormi direito aquela mulher me deixa sem juízo... sem sono... sem paz. Quando finalmente consegui fechar os olhos, sonhei com ela de novo e acordei cedo, meio suado, meio confuso.

Olho o celular — 07h01.

Me levanto da cama, ainda com a cabeça girando, e corro pro banheiro pra um banho rápido. A água fria escorre pelo rosto, como se pudesse lavar aquele sorriso safado que não sai da minha mente. Sacudo a cabeça, tentando focar. Hoje é dia de curtir com meu pai, aproveitar cada segundo do último dia aqui. Jogo uma camiseta branca básica, uma bermuda preta confortável e calço o tênis esportivo, pronto pra sair.

Sento pra tomar café e, por curiosidade, abro o WhatsApp e tem duas mensagens não lidas — dela.

Abro.

É uma foto. Assim que carrega na tela, meu coração dispara.
Minha garganta fecha
O café quase desce errado.

— Mais que porra... — murmuro, encarando ela de calcinha fio dental e aquele sutiã que deixa os seios ainda mais... meus.

— O que foi, filho? Tá bem? — meu pai pergunta preocupado.

— Ãn? Tô, tô sim... foi nada não. — respondo, disfarçando, quase engasgando com o desejo.

Mando uma mensagem, direto:

07h48
"É sério isso? O que você quer? Me deixar maluco... porque se for isso, você tá conseguindo, diaba..."

Mas ela não responde e isso me deixa ainda mais louco.

Saio com meu pai, almoçamos em um restaurante que ele adora. À tarde, vamos a um vinhedo. Tomamos vinho, comemos uvas direto do pé, rimos. Mas mesmo ali, entre parreiras e conversa boa, tudo que vejo é o corpo dela naquela lingerie... o jeito que ela sabe provocar e saber que ela sabe, me destrói.

Voltamos pra casa já no fim do dia. Janto com meu velho, subo pro quarto, arrumo minha mochila, deixo tudo pronto pra viagem. Tomo um banho, deito, tento ver um filme... mas é inútil.

Pego o celular, abro a foto de novo.

Fico ali, olhando cada curva, cada detalhe.

A madrugada vai passando e eu só penso nela.

Essa mulher vai me enlouquecer.

[...]

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