Boa leitura
Paulo
Faz três semanas desde que a Gloria saiu da minha casa quase correndo. Naquela noite, mandei mensagem e ela respondeu na hora, o que me aliviou. Conversamos um pouco, mas no sábado ela não apareceu na terapia. Perguntei se estava tudo bem e ela disse que sim, apenas atolada no início das gravações do Sexa, dirigindo e atuando ao mesmo tempo.
Mantivemos contato durante a semana. Fiz fotos, publis e dei uma entrevista legal, mas nada ocupava o espaço que ela deixou em mim.
No segundo sábado, a encontrei na terapia. Ela agiu como se nada tivesse acontecido, e eu não pressionei. No final, no estacionamento, ela me chamou para ir à casa dela, me devorando com o olhar enquanto acariciava meu braço. Disse que estava sozinha, e eu fui. Tivemos uma noite intensa, quente, urgente. No domingo, saí cedo para ficar com o José, e mesmo com a Juliana tentando mais uma reconciliação (que acabou em briga), meu domingo foi salvo pelo sorriso do meu filho.
No terceiro sábado, ela estava mais pensativa, mas não perguntei. A Ana comentou sobre um evento em São Paulo em duas semanas, e confirmamos presença. No final, eu e Gloria trocamos olhares que diziam tudo. No estacionamento, nossos carros lado a lado, eu a agarrei e a beijei com toda a saudade acumulada. Convidei-a para dormir comigo, e ela aceitou.
Fizemos a noite da pipoca. Espalhamos pipoca pela sala, assistindo "Minha Mãe é uma Peça" e "Se Eu Fosse Você", rindo até doer a barriga. Depois, nos amamos no colchão improvisado, de um jeito leve e intenso. No domingo, ela foi embora cedo, tinha almoço com os filhos e o Padilha.
No último sábado, ela assinou os papéis do divórcio. Percebi que ficou abalada e se afastou por uns dias. Eu respeitei. Enquanto isso, entrei na justiça para a Juliana assinar o nosso divórcio. Ela não aceitou, foi até meu apartamento, brigamos, ela quebrou algumas coisas e foi embora furiosa.
Ontem, a Gloria apareceu no meu apartamento sem avisar. O porteiro não interfonou porque ela já tem acesso. Eu estava só de bermuda, comendo morango, quando a campainha tocou. Quando abri a porta e vi aquela mulher ali, meu sorriso saiu antes de eu perceber. Puxei-a para dentro, beijei sua boca sem dar tempo para nada, e não soltei até ela dizer que precisava ir.
Hoje é sexta. Amanhã tem terapia, e eu já estou contando os segundos para ver ela de novo. Quando estou com ela, o tempo para. Tudo fica leve, tudo se encaixa.
Gloria
Essas últimas três semanas foram uma correria. No sábado seguinte ao dia em que fugi da casa do Paulo, não fui à terapia. Eu não queria olhar para ele, não queria ceder àquele sentimento tão rápido. Quando cheguei em casa, a Ana percebeu que eu estava abalada, mas não me pressionou.
Naquela noite, ele mandou mensagem, e eu respondi assim que vi seu nome na tela. Conversamos sem cobranças, e isso me deixou aliviada. Durante a semana, tive a primeira reunião geral do Sexa e as escolhas de locações. Também fechamos novos rótulos da Bemgloria. Foi tudo produtivo, mas ele não saía da minha cabeça.
No segundo sábado, fui à terapia. Queria vê-lo, sentia falta dele. Agimos normalmente, mas no final da reunião, não aguentei. O chamei para dormir comigo. Entramos em casa aos beijos, ele me pegou no colo e me levou para o quarto. Fizemos amor a noite inteira, e eu precisava daquilo. Precisava do cheiro dele, das mãos dele, de tudo. Dormimos abraçados, e ele saiu cedo para ficar com o filho. Eu passei o domingo lendo e pesquisando acessórios artesanais, até que meus filhos chegaram e assistimos um filme juntos.
No terceiro sábado, eu estava nervosa, pois assinaria os papéis do divórcio em breve, mas não contei a ninguém. Na terapia, a Ana comentou sobre um evento em São Paulo, e confirmei que iria. No fim da reunião, Paulo não tirava os olhos de mim, me deixando em chamas por dentro. No estacionamento, ele me agarrou e me beijou como se o mundo fosse acabar. Fui com ele para o apartamento, onde fizemos pipoca, assistimos comédias e espalhamos risadas e beijos pela sala antes de nos amarmos no colchão improvisado. No domingo, tive que sair cedo para almoçar com os filhos e o Padilha.
No último sábado, chegou o dia do meu divórcio com Orlando. Na sala do juiz, ele pediu perdão, implorou por mais uma chance, mas eu não cedi. Eu não podia mais. Assinamos, e ele disse que iria para Paris por um tempo. Desejei boa viagem e disse que, se precisasse, eu ajudaria no que pudesse.
Paulo me contou que também entrou na justiça para finalizar seu divórcio, mas a Juliana não aceitou bem, e brigaram. Ontem, eu não aguentei de saudade. Falei com o Padilha, admiti que não conseguia mais segurar, e ele disse para eu ir até Paulo. Tomei banho, coloquei um vestido verde-água e rasteirinha, e fui. O porteiro me liberou sem avisá-lo.
Quando ele abriu a porta, estava sem camisa, de bermuda, comendo morango. O sorriso dele ao me ver foi minha confirmação. Ele me puxou para dentro e me beijou como se não fosse me soltar nunca mais, e eu não queria que soltasse mesmo.
Hoje é sexta. Amanhã tem terapia, e eu quero ele. Quero a leveza que sinto quando estou com ele. Quero me permitir ser feliz, mesmo que eu ainda tenha medo de me entregar completamente.
[...]
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Desejo oculto
FanfictionNos bastidores da novela Terra e Paixão, dois veteranos da teledramaturgia se encontram não apenas em cena, mas também na vida real. Paulo Rocha e Gloria Pires, ao darem vida a seus personagens, acabam despertando sentimentos que ultrapassam o rotei...
