Capítulo 52

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Boa leitura

Paulo

O motorista contorna o carro com passos firmes e abre a porta traseira do passageiro, estendendo a mão. Um salto alto bege, fino e elegante, toca o chão. Eu sei que é ela. A aura inconfundível, aquela energia que paralisa o ambiente, é só dela. Os flashes das câmeras cessam por um instante, e todos os olhares convergem para quem está descendo do veículo. Ela aceita a mão do motorista e sai com graça, e, quando todos a veem, os flashes voltam em uma quantidade avassaladora.

O vestido vermelho de cetim brilhante, com camadas fluidas e um ombro só, tem uma fenda ousada na perna esquerda que brilha ainda mais sob as luzes das câmeras. Uma bolsinha de mão vermelha fosca complementa o visual. Os cabelos grisalhos, repicados e levemente volumosos, emolduram seu rosto com uma maquiagem mais marcante que o usual, com um batom alguns tons mais claro que o vestido. Ela está divina, uma deusa capaz de desestabilizar qualquer um. A perna lisa exposta pela fenda, as joias discretas — uma pulseira no braço esquerdo, um colar com uma única pedra, brincos combinando e alguns anéis, todos em ouro branco — dão o toque final de sofisticação.

— Meu Deus... — solto o ar, sem perceber há quanto tempo o prendia.

— Tá babando, Paulo, bem aqui, ó... — Ana surge do nada, rindo e apontando para o canto da minha boca, me tirando do transe.

— É, Ana, dessa vez não dá nem pra negar! — admito, voltando os olhos para Gloria, que exibe um sorriso deslumbrante.

— Realmente, um espetáculo essa mulher! Vou lá falar com ela. Fecha essa boca, Paulo! — Ana sai rindo, e eu acabo rindo junto.

Gloria continua posando para as fotos, sempre educada, atraindo todos os olhares. Ana a cumprimenta, e sei que mencionou algo sobre mim, porque as duas riem e Gloria me procura com os olhos. Quando me encontra, sorri com um toque de timidez que acho adorável. Percebo que a estou devorando com o olhar, e ela, mesmo tão confiante, parece um pouco envergonhada. As duas caminham até mim, Gloria me observa de cima a baixo, e eu faço o mesmo. Sei que Ana sabe de nós dois — foi ela quem passou a Gloria o horário e o hotel onde eu ficaria só ela sabia.

— Oi, querido! — Gloria diz ao se aproximar, dando-me dois beijos no rosto. Coloco a mão em sua cintura, apertando de leve, e sinto sua respiração ficar mais tensa enquanto retribui o gesto.

— Oi, minha linda! — respondo sem pensar, hipnotizado por sua pele macia, seu perfume marcante e a maquiagem que a deixou ainda mais irresistível.

Ela abaixa o olhar com um sorriso tímido, mas com um toque convencido, e me encara novamente. Ana, ainda ao lado, dá um sorrisinho discreto, provavelmente achando graça da minha cara de idiota apaixonado.

— Vamos entrar? O evento já vai começar! — Ana interrompe, e saímos do transe, concordando. Damos espaço para as duas entrarem primeiro.

O salão está cheio, o evento é uma homenagem a grandes nomes da psicologia, de figuras históricas como Mary Cover, Mercedes Rodrigo e Edith Eger a profissionais contemporâneos. Reconheço algumas pessoas, como Amanda Fitas, André Barbosa e Camila Leal, mentes brilhantes com quem já tive o prazer de conversar.

Gloria

Quando saio do carro, todos os olhares se voltam para mim. Não sei se é o vestido ou se sou eu mesma, mas as câmeras disparam, uma foto atrás da outra. Passo os olhos pelo ambiente e vejo Ana vindo em minha direção.

— Boa noite, Gloria. Meu Deus, você está belíssima, a mais linda da festa, sem dúvidas! — ela diz com sinceridade, me dando dois beijos no rosto.

— Boa noite, amada! Você também está linda — retribuo, sorrindo. Meus olhos varrem a multidão, e Ana sorri de lado.

— Ele está ali atrás, te olhando feito um bobo. Tive que emprestar um paninho de tanto que tá babando! — ela brinca, e eu não aguento, solto uma risada.

Olho para Paulo e, meu Deus, achei que ele não poderia ficar mais bonito, mas me enganei. Todo de preto, com um smoking impecável, ele me deixa excitada. Está me comendo com os olhos, e, quem diria, fico um pouco sem graça. Ana me chama, e caminhamos até ele. Cumprimento-o com dois beijos, e ele aperta minha cintura, causando arrepios, me chamando de "minha linda" na frente da Ana. Percebo que foi sem querer, pois ele tenta disfarçar logo em seguida. Ana, sempre discreta, dá um sorrisinho, e entramos.

O evento é grandioso, com pessoas que só conheço pelas redes sociais. Paulo está ao meu lado, e Ana se afasta para dar início à palestra, nos deixando a sós.

— Você tem noção do quanto tá linda e gostosa? — ele sussurra no meu ouvido, a mão na base da minha cintura. Tento esconder o sorriso pois era exatamente esse efeito que eu queria causar.

— É... eu sei. E você nem imagina a melhor parte do que fiz pensando em você — digo, olhando para frente, observando as pessoas. Ao terminar, encaro seus olhos verdes, que brilham enquanto me devoram.

— O que você aprontou? — ele pergunta, curioso, mas somos interrompidos pelo chamado para o salão, pois a palestra está prestes a começar.

— Te conto depois, canalha — sussurro em seu ouvido, e seguimos para o salão. Escolho um assento perto do palco, e Paulo se senta à minha esquerda.

— Você viu quantos marmanjos te olhando? — ele diz, com um tom de ciúmes evidente, sem tentar disfarçar.

— E o que tem? Deixa eles olharem, sou uma mulher solteira... — provoco, com um sorrisinho sacana que não consigo esconder. Olho para ele, que estreita os olhos e morde os lábios, claramente irritado. Isso me excita ainda mais. Cruzo as pernas, jogando a esquerda sobre a direita, deixando a fenda revelar minha perna e um pouco do bumbum, de um jeito que só ele pode ver. Coloco os braços no colo, e seus olhos descem exatamente para onde quero.

As luzes se apagam, deixando o salão na penumbra, com o palco bem iluminado. Ele coloca a mão na minha perna, aperta com firmeza e sussurra no meu ouvido:

— Você é minha, e vai se arrepender de ter falado isso, safada.

Sinto um arrepio imediato, molhada pela forma como ele fala. Ele retira a mão, e a palestra começa.

[...]

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