Capítulo 81

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Boa leitura

Paulo

"Ela deve estar lá embaixo..." penso, ainda sonolento.

Me levanto, caminho até o banheiro, escovo os dentes e tomo um banho rápido. Depois de alguns minutos, saio, pego uma roupa na mochila — cueca, bermuda, camiseta e chinelo Havaianas — passo um pouco do perfume que ela gosta e desço as escadas.

Procuro pela casa, mas não encontro ninguém. O silêncio está quase ensurdecedor. Vejo a empregada na cozinha e me aproximo para perguntar:

— Oi, bom dia! É a Neusa, né? Sabe me dizer onde a Gloria está?

— Bom dia, seu Paulo! A dona Gloria deu uma saída rápida, mas já deve estar voltando. Pediu para deixar a mesa do café pronta para o senhor.

— Ah, sim, obrigado!

Fico pensando baixinho comigo mesmo:

— Onde será que ela foi tão cedo assim?

Subo para pegar o celular, olho a hora — 08h37 — e vejo uma mensagem dela:

07h42 — "Bom dia, meu amor. Dei uma saidinha, mas já estou voltando. Se você acordar e eu não estiver aqui ainda, pedi para a Neusa deixar o café pronto para você. Te amo 🫶🏼"

Desço e me acomodo na sala, decidindo esperar por ela para o café. Logo, ela surge na porta, vindo da garagem.

— Bom dia, meu amor!!! — diz animada, segurando uma sacola grande na mão.

Está vestida com uma calça jeans, regata preta, uma camisa social preta por cima, rasteirinha, acessórios e óculos escuros. Linda demais.

Ela sobe os óculos, colocando-os no topo da cabeça, passa um braço pelo meu pescoço e me beija. O sabor de menta na sua língua me deixa animado.

— Bom dia, gostosa, onde você estava? — pergunto com um sorriso malandro

— Fui comprar umas coisinhas para nossa viagem — responde com um sorrisinho misterioso, erguendo uma sobrancelha— Vamos tomar café?

— Você ainda não comeu? — pergunto surpreso

— Não, — diz, dando de ombros com um sorriso doce — estava na esperança de chegar a tempo de comer com você...

— Mas eu ia te esperar de qualquer jeito!

Ela sorri de volta, os olhos brilhando por trás dos óculos escuros que agora estão no topo da cabeça.

— Então vamos, porque temos estrada pra pegar — diz com empolgação, apertando minha mão com carinho e puxando-me em direção à cozinha.

Pego a sacola da mão dela num gesto natural, sem dizer nada, só com aquele olhar de quem quer cuidar. Ela sorri de canto, e seguimos até a mesa. Sentamo-nos lado a lado, ela coloca a bolsa junto com a sacola em uma cadeira próxima e começa a se servir. O clima é leve, entre risadas, olhares cúmplices e pequenos toques trocados durante o café.

Estamos imersos na conversa quando Ana desce as escadas, ainda com a cara de quem acabou de acordar.

— Bom dia, casal! — diz, sorrindo preguiçosa, se jogando na cadeira ao nosso lado.

— Bom dia, filha! — responde Gloria, com um sorriso caloroso.

— Vamos pra Araras hoje, tá? — aviso, entre um gole de suco e uma mordida no pão.

— Ah, então beleza... vou ficar na casa do Gui esse fim de semana mesmo, então fiquem tranquilos. — diz Ana, já pegando uma fruta da mesa.

Terminamos o café em meio a mais algumas risadas e histórias da noite anterior, depois subimos para ajeitar as coisas. Gloria vai direto para o quarto, pega apenas os aparelhos eletrônicos — carregadores, notebook, fones — e os coloca em uma mochila pequena. Franzo o cenho, um pouco confuso.

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