Capítulo 59

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Boa leitura

Gloria

Acordo com Paulo me envolvendo em seus braços, o calor do seu corpo colado ao meu trazendo uma paz que não sentia há tempos. Estou dolorida, mas tão feliz e satisfeita que mal me importo. O dia está nublado, mas um raio de sol atravessa as cortinas, iluminando o quarto. Estamos perfeitamente encaixados, minhas costas contra seu peito, sua respiração quente na minha nuca. Não quero sair daqui nunca.

Viro-me lentamente, abraçando-o de frente, passando o braço por baixo do dele e beijando seu pescoço. Roço o nariz de leve na sua pele, e ele se mexe, começando a despertar.

— Bom dia, meu amor — digo, acariciando suas costas, beijando seu peito.

— Bom dia, minha linda. Que jeito gostoso de acordar... — responde, apertando-me em um abraço quente.

Ele beija minha testa, e jogo a perna por cima da dele, puxando-o mais para mim. Aninhados, sinto seu coração batendo contra o meu.

— Temos que levantar. Temos o almoço hoje, e quero visitar meus filhos antes de voltar pro Rio — digo, o rosto enterrado na curva do seu pescoço, inalando seu cheiro.

— É verdade, o almoço. Meu voo é às 17h — ele murmura, deslizando a mão pelas minhas costas, o toque me arrepiando.

— Então vou pro meu quarto me arrumar. A gente se vê no almoço? — pergunto, beijando seu queixo e mandíbula. Ele fecha os olhos, aproveitando o carinho.

— Sim... já já te vejo, minha linda — responde, passando a mão no meu rosto, o toque tão gentil que aquece meu coração.

Jogo-me para frente, sentando no seu colo, o lençol cobrindo minha bunda. Estamos nus, a pele colada, o calor dos nossos corpos se misturando. Deito-me sobre ele, nossos peitos se tocando, apoiando os cotovelos ao lado da sua cabeça, mexendo nos seus cabelos.

— Paulo, promete não me deixar nunca? — pergunto, olhando nos seus olhos, vulnerável.

Ele sorri, um sorriso meigo, cheio de carinho, e sobe as mãos pelas minhas costas, levantando a cabeça para beijar meu pescoço.

— Não sou capaz de te deixar, nem se quisesse — diz, com uma sinceridade que faz meus olhos marejarem. — Não conseguiria.

Meu coração se derrete. Sorrio, beijando seu rosto, descendo até sua boca em um beijo lento, cheio de paixão e cuidado. Ele me aperta nos braços, retribuindo o mesmo sentimento, e por um momento, o mundo lá fora deixa de existir.

Gloria

Entro no meu quarto, e a saudade dele já aperta. Sorrio, lembrando da sua promessa, da forma como seus olhos me encararam com tanta verdade. Vou para o banheiro, faço minhas necessidades, tomo um banho quente e relaxante, deixando a água levar embora o cansaço. Peço o café da manhã no quarto e, enquanto espero, falo com a produção do meu filme, marcando uma reunião para amanhã ao meio-dia.

Escolho uma roupa elegante, mas confortável: um vestido leve, de tecido fluido, que abraça minhas curvas sem ser tão provocante quanto o de ontem. Coloco brincos discretos, passo maquiagem leve e um toque de perfume. O café chega, e enquanto como, penso em Paulo, no quanto ele me desestabiliza e, ao mesmo tempo, me faz sentir completa. Termino, pego minha bolsa e sigo para visitar meus filhos, o coração leve, mas já ansioso pelo almoço.

Paulo

Depois que Gloria sai, o quarto parece vazio. Ela leva uma parte de mim com ela. Levanto-me, faço minhas necessidades, tomo um banho e passo meu perfume favorito. Visto uma bermuda cinza, uma camisa branca e uma sandália confortável. Desço para o café da manhã, como rapidamente e subo para falar com meu filho por chamada de vídeo. O tempo voa, e quando olho o relógio, estou quase atrasado para o almoço. Ana me mandou o endereço do restaurante pelo WhatsApp, e saio como estou.

Chego, e todos já estão lá, incluindo Gloria, linda como sempre, com um vestido que destaca sua beleza sem esforço. Cumprimento a todos, mantendo a mesma educação, e me sento ao lado de Aline, uma colega da terapia. Gloria está na minha frente, com um sorrisinho que me desarma. A conversa flui animada, rimos como crianças, contando histórias engraçadas da vida.

No meio da conversa, sinto um pé subindo pela minha perna. Olho para Gloria automaticamente, e ela me encara sem piscar, os olhos brilhando com malícia. A mesa é larga, mas curta o suficiente para ela estar bem perto. Seu pé sobe mais, e eu estico as costas, tentando manter a compostura. Quando chega ao meu membro, ela começa a esfregar, e eu seguro seu pé por baixo da mesa. Ela dá um gritinho, disfarçando com uma risada, e eu não aguento, rindo junto.

— Gloria, tá tudo bem? — Ana pergunta, olhando para nós com um sorrisinho sacana.

— Tô sim, me assustei com uma bobagem — Gloria responde, com sua atuação impecável.

Ela puxa o pé, ajeitando-se na cadeira, e Ana balança a cabeça, claramente sabendo mais do que diz. O almoço segue tranquilo, e Ana pergunta sobre meu voo.

— Sai às 17h, de Guarulhos — respondo.

— Qual a companhia, Paulo? — Aline pergunta, sorrindo.

— Azul — digo, educado, e vejo Gloria se inclinar para a frente, olhando para Aline.

— Nossa, meu voo também é às 17h, da Azul. Sabe seu assento? — Gloria pergunta, animada, mas com um tom que conheço bem.

— 13C, e o seu? — respondo, já prevendo o ciúme.

— 13B! Que bom, Paulo, detesto viajar sozinha, morro de medo de avião! — Aline diz, tocando meu ombro amigavelmente.

Gloria respira mais forte, os olhos semicerrados, nos encarando.

— Que bom que vamos juntos — digo, mantendo a educação.

Sinto um chute na canela e me mexo, incomodado. Olho para Gloria com cara feia, e ela me fuzila, levantando as sobrancelhas. Balanço a cabeça, rindo da sua possessividade, e voltamos à conversa.

Paulo

Saio do restaurante e volto ao hotel para arrumar minhas coisas. Gloria foi visitar os filhos. No quarto, meu celular vibra com uma mensagem que já sei de quem é.

14h03: "Tá feliz que não vai voltar sozinho?"

Caio na gargalhada. Nunca imaginei que ela fosse tão ciumenta.

14h05: "Estou, achei que voltaria sozinho, mas a Aline é uma ótima companhia... 😉"

14h07: "Vai brincando, Paulo, vai achando graça. Eu vou saber de tudo que acontecer nessa volta pra casa, te garanto..."

14h09: "Hahaha, nunca imaginei que você fosse tão ciumenta, Maria..."

14h10: "🖕🏼"

14h11: "Hahaha, não vai acontecer nada, sua boba. Só tenho olhos pra você... 🥰"

14h13: "É bom mesmo, querido. Um beijo, boa viagem... 💋"

14h14: "Um beijo nessa boca gostosa, minha ciumenta."

Arrumo minhas coisas e sigo para o aeroporto. Aline é uma companhia agradável, mas mantenho a conversa leve, sabendo que qualquer passo em falso vai incendiar Gloria. Chego em casa às 18h50, aviso-a, e ela responde que está no aeroporto. Por volta das 21h, me avisa que chegou, e conversamos um pouco. Ela me deseja boa noite e desliga. Pego uma cerveja na cozinha, sento-me e penso em tudo que vivemos desde o começo — momentos intensos, inesquecíveis. Termino a cerveja, vou para o quarto e durmo, exausto.

[...]

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