Capítulo 85

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Boa leitura

Gloria

Domingo

Estamos voltando pra casa, a estrada passa devagar pela janela, mas minha mente ainda está presa nos últimos dias. A semana foi tão boa que, por mim, a gente não voltava mais, mas... confesso que preciso de um descanso. Minhas pernas estão bambas, minhas partes íntimas doloridas — nunca transei tanto na vida. Nunca fui tão possuída no melhor sentido da palavra e mesmo assim... meu peito tá leve, cheio e feliz.

Sinto a mão dele na minha coxa, fazendo um carinho lento, distraído. Subo o olhar e vejo ele ali, dirigindo concentrado. A postura relaxada, o maxilar marcado, os olhos fixos na estrada e meu Deus... como eu amo esse homem, com tudo que tenho, com tudo que sou.

— Eu te amo, sabia? — digo, admirando cada detalhe do rosto dele, como se fosse a primeira vez.

Ele me olha de relance, e aquele sorriso... ah, aquele sorriso lindo, sincero, os olhos verdes brilham quando encontram os meus, e por um segundo o mundo inteiro parece caber dentro desse olhar.

— Eu também te amo, minha linda. — ele responde, e o tom da voz dele aquece cada canto do meu coração.

Levo minha mão até a nuca dele, fazendo aquele carinho que sei que ele ama. Os dedos deslizam devagar, e ele solta um suspiro discreto. Eu sorrio.
Não consigo mais me imaginar sem ele. Sem a gente. Sem esse laço.

— Vai pra casa quando a gente chegar? — pergunto, fingindo casualidade, mas no fundo... torcendo pra que ele fique.

— Você quer que eu vá? — ele pergunta de volta, sem tirar os olhos da estrada, mas com um tom carregado de intenção.

— Na verdade, não... — digo, e mordo o lábio, sorrindo maliciosa — mas se você não for... nós não vamos descansar.

Deslizo as unhas de leve pela nuca dele, provocando, e vejo um arrepio subir pela espinha dele. Ele sorri, rindo com aquele ar de quem sabe muito bem do que estou falando.

— Verdade... você não cansa... é insaciável. — diz, apertando minha coxa com mais força, os dedos marcando.

— Só eu? — arqueio a sobrancelha, rindo. — Você não é muito diferente de mim, não. Tá longe de ser.

A gente se olha por um segundo, cúmplices, rimos. Aquele riso que só sai quando duas pessoas se conhecem na alma — e no corpo.

Porque é isso que somos, dois viciados... um no outro. Sem controle, sem freio e, sinceramente, sem a menor vontade de parar.

[...]

Chegamos na porta da minha casa e já é hora do almoço. Ele aceita almoçar antes de ir pra casa, e fico feliz — quero aproveitar cada minuto a mais ao lado dele. Assim que passamos pela porta, ele me abraça por trás, mordiscando minha nuca, sussurrando besteiras no meu ouvido enquanto suas mãos me apertam, eu não paro de sorrir. Estamos rindo feito dois adolescentes apaixonados, completamente desconectados do resto do mundo.

Mas essa bolha estoura assim que ouvimos um leve arranhar de garganta vindo da sala. Paramos na mesma hora, tentando disfarçar as risadas, e ao olhar pra frente... lá estão eles: Padilha, Ana e Guilherme nos observando com um sorrisinho nada inocente nos lábios.

— Boa tarde, casal... pelo visto a viagem foi boa, né? — Padilha solta, com aquele tom debochado e cheio de segundas intenções.

Nos recompondo rápido, tentamos parecer mais sérios, embora o calor ainda esteja estampado no nosso rosto.

— Boa tarde, gente! — Paulo diz, tentando manter a compostura, mas visivelmente sem graça.

— Boa tarde, meus amores! A viagem foi ótima, obrigada, mana! — respondo indo até eles e dando um beijo em cada um.

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