Capítulo 44

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Boa leitura

Gloria

Hoje é segunda e o relógio marca 10h37. Estou em uma reunião com a equipe da Sexa, mas não consigo prestar atenção em nada. Olho pro celular a cada 30 segundos. Já me chamaram a atenção duas vezes durante a conversa.

Ele sumiu. Não liga, não manda mensagem... e isso está me matando. Mas eu sei que ele vai vir atrás. Ele tem que vir.

A reunião acaba e o Padilha me chama pra almoçar fora. Aceito o convite e vamos a um restaurante que ele escolheu. Peço meu almoço e, quando terminamos de comer, ele me pergunta como estou.

— Ai, mana... vai ficar tudo bem. Dormi mal essa noite, mas isso vai passar — digo, desabafando.

— Ele não mandou nada até agora? — pergunta, me mostrando o quanto me conhece bem.

— Não. Mas quer saber? Ótimo! Também não quero falar com ele. Quanto mais longe, melhor — respondo, na maior cara de pau, tentando parecer convincente.

— Mana, tá tentando convencer quem? A mim ou a você? — ele ri da minha cara. Eu continuo séria, mas não dá pra enganar o Padilha. Ele me conhece há anos.

— Ai, Padilha... isso que dá ter muita intimidade com alguém. Não vamos falar nisso, tá bom? Não quero saber — digo, chamando o garçom e pedindo a conta. Padilha insiste e paga.

Vamos embora e eu passo o resto do dia em casa, lendo livros e ouvindo música, esperando algum sinal dele.

Paulo

Acordo na segunda com cheiro de pão fresco no ar. Me levanto, faço minha higiene, coloco uma roupa e desço. Meu pai fez café e pão. Tomamos café juntos e eu saio.

Na parte da manhã faço um passeio de barco, visito alguns lugares turísticos e, na hora do almoço, vou a um restaurante. Quando termino, volto pra casa.

Estou sentado na poltrona da sala, mexendo no celular. O relógio marca 13h04 e ela não mandou nada, nenhum sinal de vida será que eu não tenho nenhuma importância na vida dela?

Ela postou algumas coisas no Insta sobre natureza e artesanato. Eu, como sempre, também posto vídeos aleatórios que gosto, e ela vê todos.

Já é noite. Meu pai fez sopa de legumes com carne. Como com pão e, depois, vejo que ela postou uma foto no Instagram: sentada numa cadeira de casa, lendo um livro. Linda.

Quero curtir... mas o orgulho fala mais alto.

Já é tarde vou pro meu quarto e durmo. Mais uma noite sonhando com ela, ela me atormenta em todos os lugares.

Gloria

— Terça, hoje é terça-feira e ele não falou nada até agora! Não ligou, não mandou mensagem... até agora! — digo, andando de um lado pro outro.

Já são umas 14h05 da tarde. Estou em casa, na sala de reuniões, com o Padilha.

— Mana, por que você não manda mensagem? Ou liga pra ele? — Padilha pergunta, como se fosse a coisa mais simples do mundo.

— NUNCA! Ele que foi embora, ele que venha atrás — digo, certa e decidida a não ir atrás dele.

— Fica difícil te ajudar, Gloria. Você prefere sofrer do que passar por cima do orgulho — ele diz. E, no fundo, eu sei que ele tá certo.

— Ele que passe por cima do orgulho dele! — respondo, com raiva, por estar sofrendo tanto por um homem nessa altura do campeonato.

— Então eu lavo minhas mãos. Mas, se você precisar, eu tô sempre aqui. Mudando de assunto... vai pra academia? — Padilha pergunta, tentando melhorar meu humor de cão.

— Vou, vou sim. Já estou atrasada. Vou subir e me arrumar — falo, dando um beijo nele.

Subo as escadas, entro no meu quarto, coloco minha roupa de academia e vou treinar. Posto um vídeo do meu treino e, como sempre, ele vê meu story — mas não fala nada.

O dia passa tenho live da Bemgloria à noite. Faço a live com a maior alegria, fazendo um belo papel como a atriz que sou. Ele está na live desde a hora que comecei, mas não reage, não comenta... e isso me mata de raiva.

A live termina e tenho uma mini reunião com as meninas da Bemgloria. Quando termina, vou pra sala e o Kauai começa a pular em mim. Faço um vídeo com ele e posto nos stories o desgraçado vê — e continua mudo.

Subo pro meu quarto, faço minhas necessidades e apago, tô exausta, estressada.

Paulo

Passei a manhã toda pensando nela, não saí de casa. Meu pai me perguntou o que tava acontecendo. Contei que conheci alguém, mas não disse quem. Falei que tivemos uma briga, mas que tudo ia ficar bem.

Ele disse que orgulho não é um bom amigo. E eu entendi o recado.

Almoçamos e fui passear na cidade.

Já eram umas 15h30 e ela postou um vídeo na academia... toda gostosa Meu Deus, que saudade dessa mulher.

Passei em alguns pontos turísticos e pensei em mandar uma mensagem, mas deixei pra depois.

Quando voltei pra casa, ela tava fazendo uma live da Bemgloria. Deitei no sofá da sala e fiquei do início ao fim. Ela parecia feliz. Não vi nenhum traço de tristeza. Isso me deu uma angústia ainda maior... e me fez decidir não mandar nada.

A live acaba e eu subo pro meu quarto.

— Se você tá bem sem mim, eu também vou ficar bem sem você — digo pra mim mesmo.

Eu sei que ela sabia que eu estava vendo. E isso só me faz pensar em duas coisas: ou ela tava atuando como a ótima atriz que é, ou eu realmente não sou nada pra ela além de sexo.

Subo pro meu quarto e vou pro banheiro. Entro no chuveiro, tomo um banho demorado. Durante o banho me lembro da nossa primeira vez, e sinto meu pau endurecer na mesma hora.

— Não acredito que vou fazer isso...

Começo a bater uma. Os flashbacks dela empinada no meu sofá, eu comendo ela por trás, puxando o cabelo, e no final ela gozando comigo metendo sem pudor no traseiro dela... tudo isso me faz aumentar a pressão e a velocidade. Não aguento — gozo no azulejo do banheiro.

— Maldita... até quando vou sofrer por você, hein? — digo, irado, com as pernas bambas pela sensação.

Volto pro quarto depois do banho. Pego o celular. Ela postou um story brincando com o cachorro, feliz.

Ver que ela está realmente alegre me faz ter certeza: eu sou a segunda opção. Me enganei quando olhei nos olhos dela achando que havia amor.

Deito pra dormir. Passo a maior parte da noite acordado, lembrando de cada momento... até ser vencido pelo cansaço.

[...]

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