KENYA ONIKA POV
No meu telemóvel haviam tantas ligações do Zarid que eu já nem sabia o que fazer. Eu não fazia questão de atende-lo e nem de responder a merda das mensagens, era tudo muito frustrante para mim. Desde que ele quase me matou até a merda do beijo que ele deu naquela vagabunda dos olhos azuis.
- Sinceramente não consigo acreditar que esta és tu. - A Bonnie diz atrás de mim. Viro-me e dou-lhe um sorriso sem graça.
- O quê que há de tão diferente em mim? - Pergunto já sabendo a resposta.
- Tudo! Olha só para você amiga, tu eras bem mais magra, o teu cabelo não era assim, as tuas roupas, a tua maneira de ser e de estar, pareces estranha até.
- Estás a dizer que estou gorda e feia né? - Lanço-lhe um olhar chateado.
- Kenya minha princesa gostosa, não liga a Bonnie está com inveja. - Uns braços meio magros fazem o contorno a volta do meu pescoço.
- Também acho Jeonnie. - Concordo com o Jeo. O Jeonnie é o irmão mais velho da Bonnie. Nos damos perfeitamente bem desde criança, é como se ele fosse meu irmão também.
- Achas mesmo que eu ia ter inveja?! Até te sinto mais humilde, não pareces a rapariga um pouco ''Fancy'' de antes, se é que me entendes.
- O tempo muda as pessoas meu anjo. - Digo.
- Vais dormir aqui não é? - Ela pergunta.
- Não, lamento imenso, mas eu prefiro mesmo ir para a minha casa.
- Mas lá não tem ninguém, pelo que eu saiba tu vieste sozinha e voltar para aquela casa vai te trazer más lembranças, não vai por favor. - A Bonnie implora, fazendo olhos bonitos para mim.
- Sim eu vim sozinha, mas acho que a minha avô lá está, ela disse-me que aguardaria a minha chegada lá então... eu vou para lá.
- Agora te isolas mais do que as pessoas que têm que passar pela quarentena. - Ela diz chateada.
- Não te preocupes amor, não me esqueci ainda que o teu aniversário é amanhã, eu só preciso de resolver umas coisas antes de deixar-vos de novo. - Dou-lhe um beijo e me afasto dela.
- Epah, tu é que sabes depois não vais dizer ao tio que eu não te ofereci um lugar para ficar, meus pais ficarão bem chateados por não ficares, mas enfim né, quer companhia até casa?
- Não vai ser necessário, eu só irei lá pousar as coisas. Preciso ir ver algumas coisas que a Mónica pediu. - Me despeço da menina com vitiligo.
Era tão bom voltar a minha cidade, ver os meus amigos, ter um pouco de paz por alguns dias. Já estava no táxi há 20 minutos. Distraí-me apreciando a paisagem que me contemplava ao longo do caminho.
- Senhorita, chegamos ao seu destino. - O senhor de barba branca avisa-me. Abro a carteira sem mais demoras e pago o táxi.
Desço do táxi e caminho até o homem na entrada do local, ele acompanha-me até a mesa, puxando-me a cadeira em seguida.
- Já tinha saudades minha princesa. - A voz aguda do homem desperta-me e ele levanta-se para me abraçar.
- Também eu Pate*. - Respondo ao abraço e depois nos sentamos.
(Pate - Padrinho)
- Wie geht es dir? Wie geht's? Familie?***- Ele tem uns óculos escuros no rosto.
(Wie geht es dir? - Como estás? \\ Wie geht's? - Como vão as coisas? \\ Familie ? - A família?)
- Sehr gut, vielen danke! Und sie?***- Respondo e ele sorri.
(Sehr gut, vielen danke! - Muito bem, muita obrigada! \\ Und sie? - E você?)
- Gut, danke schön.*** Pensei que te tivesses esquecido.
(Gut, danke schön. - Bem, obrigado.)
- Nunca, como é que eu posso esquecer de uma coisa que não me deixa dormir a noite?
- O alemão não te deixa dormir? - O homem sarcástico pergunta.
- Eu tenho a certeza que o senhor é muito inteligente para saber que não me refiro a língua alemã.
- Por favor não te faças de estúpida, porque quando a tua mãe morreu fui eu que te acolhi.
- Nunca neguei isso, mas o senhor sabe melhor que ninguém que me enganou.
- Eu nunca pedi para você ficar, ficou porque queria e ainda continua porque quer.
- Sempre diz isso, mas sempre que digo que vou sair faz chantagem emocional lembrando que me estendeu a mão quando estava no chão.
- E não deixa de ser verdade.
- Me estendeu a mão porque precisava, correcção precisa de mim e não com intenção de me ajudar. Eu respeito muito o senhor, eu gosto imenso do senhor, mas por favor me deixa sair!
- Tu sabes que ainda precisamos de ti, tu não nos podes abandonar de uma hora para a outra. - Ele diz enquanto me acaricia o rosto.
- Sabe o que mais, eu vou-me embora essa conversa não vai dar em nada. - Levanto-me da mesa para ir embora quando ele usa uma carta na manga para me fazer voltar a sentar.
- Falando em conversa, quem era o menino que há uma semana atrás quase te matou. - Viro-me e os meus olhos fuzilam os dele. Ele parece não se importar muito com a minha reacção e sorri enquanto dá um gole na sua taça de vinho.
- Andas a seguir-me?! Ahnm esqueci, os teus capachos me andam a seguir não é? Não se mete na minha vida, eu não me meto na tua vida. - Falei chateada enquanto ele se ria.
- Eu não me meto na tua vida, só estou preocupado, afinal de conta eu sou o teu Pate. Tu sabes tudo sobre todo mundo, mas tens medo que alguém saiba alguma coisa sobre ti.
- Tudo o que eu sei sobre o senhor não ouvi da sua boca, foram...
- Foi a tua super inteligência e os teus computadores, disso eu bem sei.
- Por favor não me provoque, eu acabo com tudo em fracções de segundos.
- Se acabar, também se ferra. Imagina só como o teu pai vai ficar quando descobrir que a filha...
-Eu ferro vocês todos sem pensar duas vezes, eu sou inteligente demais para me ferrar junto. E agora se me dá licença, dou essa conversa por encerrada, nos vemos em breve pate. - Saio do restaurante e apanho o primeiro táxi que aparece e vou para a casa.
VOCÊ ESTÁ LENDO
NURD
RandomEla era tão inocente, mas tão inocente que de inocente não tinha nada. Ela era cheia dos mistérios. Mistérios esses que se escondiam por trás de um par de óculos enorme, um cabelo super desarrumado, uma saia compridona e umas camisas de mangas com...
