Capítulo 59

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Mr. VAZ

Mais um dia se passa e ninguém acha a minha filha, ninguém sabe nada,ninguém viu ou ouviu nada. Desde ontem que me disseram que a minha filha havia sumido, meus pensamentos já não são os mesmos só consigo pedir a mãe dela onde estiver para lhe proteger. Mandei cancelar todas as minhas reuniões, todas entrevistas, tudo. Não vou querer saber das empresas até a minha filha dar sinal.

A Mónica continua chateada comigo, viemos a viagem inteira sem nos falarmos propriamente, ela só se dirige para mim por coisas básicas do tipo "Queres comer? Não tens fome? A polícia já disse alguma coisa? Toma os medicamentos para o coração, não te podes estressar dessa forma. Ela vai aparecer„ e assim acaba a conversa. Ela prefere dormir e me evitar do que falar alguma coisa quando eu tento falar com ela.

Preciso ligar a para a minha ex sogra para avisar, ela gosta de saber de tudo que tem a ver com a Kenya, caso não lhe comunique ela fica chateada. Eu lhe entendo, ela sente-se mãe da Kenya desde que a filha morreu, é só uma pena ela viver longe.

— Alô! - Digo.

— Alô Vaz, tudo bem? - A senhora do outro lado pergunta.

— Sim, quer dizer algumas coisas vão mal. E a senhora como tem estado? - Pergunto.

— Eu vou bem, obrigada. O quê que se está a passar? - Ela pergunta. Respiro fundo antes de responder.

— A Kenya desapareceu, hoje é o quarto dia que ela está desaparecida. - Digo e minha respiração acelera. Sinto a mão da Mónica no meu ombro para eu acalmar.

— Como assim desapareceu? Porquê que só sei hoje? - Ela pergunta chateada.

— Eu não sei, só sei que a polícia ligou para nós ontem de manhã. - Digo

— Eu vou já para aí. - Ela diz.

— Nem adianta a senhora sair daí, nesse momento estamos em Sydney hospedados no hotel InterContinental, qualquer coisa eu aviso. - Digo para ela.

— Eu vou para a vossa casa e fico lá até vocês aparecerem por lá.

— Eu acho que não sairei daqui até a minha filha aparecer. - Digo com uma voz triste.

— Eu irei dentro de poucos dias, tenho algumas coisas por resolver, ma seu volto. - A Mónica diz para mim que não digo nada para ela.

— Então eu irei para lá, nos falamos assim que chegar, mas mantenham informada. - A minha ex sogra avisa antes de desligar.

Não consigo parar de pensar na minha filha já devem ser 15h e eu ainda não coloquei nada na minha boca, não bebi água, não comi. Minha cabeça está tão cheia que não consigo raciocinar em condições.

— Vaz porquê que ainda não tocaste na comida? - A Mónica pergunta. É estranho ouvi-la chamar-me pelo meu nome como todos o fazem.

— Estou sem fome. - Digo enquanto afasto o prato do meu campo de visão.

— Deves comer para ter forças suficientes para encontrar a tua filha. - Ela diz enquanto acaricia a minha mão. Bom saber que a minha mulher estava a voltar.

— Tu tens razão, mas eu não tenho fome, não agora. - Digo e ela olha-me pelo canto do olho.

— Tu não comeste desde manhã, isso vai fazer-te mal. - Ela diz.

— Já estás pronta para irmos? - Pergunto a fugir do assunto deixando-lhe chateada.

Levanto e pego o casaco, ela faz o mesmo e pega na bolsa. Tínhamos um dos motoristas do hotel a nossa disposição para levar-nos aonde quiséssemos ir. Nesse momento estávamos a caminho da universidade da Kenya. A viagem foi bem silenciosa eu olhava pela janela para ver se via a minha filha algures e a Mónica apenas se afastava de mim, eu sei que ela continua magoada apesar de estar aqui.

Quando chegamos fomos levados até o quarto da Kenya, comecei a fracassar assim que vi as coisas da minha filha, a Mónica segura-me pelo braço e com a ajuda de um menino colocam-me na cama da Kenya.

— Amor! Estás bem? - A Mónica pergunta assustada.

— Estou bem, não precisa se preocupar. - Digo.

— Como não? - Ela diz nervosa.

— Tu deves ser a Caroline, e tu? - Pergunto ao rapaz.

— Michael. - O Rapaz diz.

— O senhor tem certeza que está bem? Nós podemos chamar a ambulância. - A menina diz e eu abano a cabeça em negação.

— Não será necessário. - Digo.

A polícia entra no quarto com a recepcionista.

— Boa tarde, deve ser o senhor Vaz. - Um dos homens aperta-me a mão.

— Boa tarde sim, já há alguma coisa? - Pergunto ansioso.

— Nós entramos o telemóvel da sua filha no lixo por de trás do Café revestido de sangue. - Quando o homem fala sobre sangue meu coração parece querer sair do lugar, quero falar mas não consigo.

— O sangue é dela? - A Mónica pergunta enquanto me segura.

— Não, o sangue é do menino Michael Pereira. O menino está preso!

NURDOnde histórias criam vida. Descubra agora