Mr. VAZ
Mais um dia se passa e ninguém acha a minha filha, ninguém sabe nada,ninguém viu ou ouviu nada. Desde ontem que me disseram que a minha filha havia sumido, meus pensamentos já não são os mesmos só consigo pedir a mãe dela onde estiver para lhe proteger. Mandei cancelar todas as minhas reuniões, todas entrevistas, tudo. Não vou querer saber das empresas até a minha filha dar sinal.
A Mónica continua chateada comigo, viemos a viagem inteira sem nos falarmos propriamente, ela só se dirige para mim por coisas básicas do tipo "Queres comer? Não tens fome? A polícia já disse alguma coisa? Toma os medicamentos para o coração, não te podes estressar dessa forma. Ela vai aparecer„ e assim acaba a conversa. Ela prefere dormir e me evitar do que falar alguma coisa quando eu tento falar com ela.
Preciso ligar a para a minha ex sogra para avisar, ela gosta de saber de tudo que tem a ver com a Kenya, caso não lhe comunique ela fica chateada. Eu lhe entendo, ela sente-se mãe da Kenya desde que a filha morreu, é só uma pena ela viver longe.
— Alô! - Digo.
— Alô Vaz, tudo bem? - A senhora do outro lado pergunta.
— Sim, quer dizer algumas coisas vão mal. E a senhora como tem estado? - Pergunto.
— Eu vou bem, obrigada. O quê que se está a passar? - Ela pergunta. Respiro fundo antes de responder.
— A Kenya desapareceu, hoje é o quarto dia que ela está desaparecida. - Digo e minha respiração acelera. Sinto a mão da Mónica no meu ombro para eu acalmar.
— Como assim desapareceu? Porquê que só sei hoje? - Ela pergunta chateada.
— Eu não sei, só sei que a polícia ligou para nós ontem de manhã. - Digo
— Eu vou já para aí. - Ela diz.
— Nem adianta a senhora sair daí, nesse momento estamos em Sydney hospedados no hotel InterContinental, qualquer coisa eu aviso. - Digo para ela.
— Eu vou para a vossa casa e fico lá até vocês aparecerem por lá.
— Eu acho que não sairei daqui até a minha filha aparecer. - Digo com uma voz triste.
— Eu irei dentro de poucos dias, tenho algumas coisas por resolver, ma seu volto. - A Mónica diz para mim que não digo nada para ela.
— Então eu irei para lá, nos falamos assim que chegar, mas mantenham informada. - A minha ex sogra avisa antes de desligar.
Não consigo parar de pensar na minha filha já devem ser 15h e eu ainda não coloquei nada na minha boca, não bebi água, não comi. Minha cabeça está tão cheia que não consigo raciocinar em condições.
— Vaz porquê que ainda não tocaste na comida? - A Mónica pergunta. É estranho ouvi-la chamar-me pelo meu nome como todos o fazem.
— Estou sem fome. - Digo enquanto afasto o prato do meu campo de visão.
— Deves comer para ter forças suficientes para encontrar a tua filha. - Ela diz enquanto acaricia a minha mão. Bom saber que a minha mulher estava a voltar.
— Tu tens razão, mas eu não tenho fome, não agora. - Digo e ela olha-me pelo canto do olho.
— Tu não comeste desde manhã, isso vai fazer-te mal. - Ela diz.
— Já estás pronta para irmos? - Pergunto a fugir do assunto deixando-lhe chateada.
Levanto e pego o casaco, ela faz o mesmo e pega na bolsa. Tínhamos um dos motoristas do hotel a nossa disposição para levar-nos aonde quiséssemos ir. Nesse momento estávamos a caminho da universidade da Kenya. A viagem foi bem silenciosa eu olhava pela janela para ver se via a minha filha algures e a Mónica apenas se afastava de mim, eu sei que ela continua magoada apesar de estar aqui.
Quando chegamos fomos levados até o quarto da Kenya, comecei a fracassar assim que vi as coisas da minha filha, a Mónica segura-me pelo braço e com a ajuda de um menino colocam-me na cama da Kenya.
— Amor! Estás bem? - A Mónica pergunta assustada.
— Estou bem, não precisa se preocupar. - Digo.
— Como não? - Ela diz nervosa.
— Tu deves ser a Caroline, e tu? - Pergunto ao rapaz.
— Michael. - O Rapaz diz.
— O senhor tem certeza que está bem? Nós podemos chamar a ambulância. - A menina diz e eu abano a cabeça em negação.
— Não será necessário. - Digo.
A polícia entra no quarto com a recepcionista.
— Boa tarde, deve ser o senhor Vaz. - Um dos homens aperta-me a mão.
— Boa tarde sim, já há alguma coisa? - Pergunto ansioso.
— Nós entramos o telemóvel da sua filha no lixo por de trás do Café revestido de sangue. - Quando o homem fala sobre sangue meu coração parece querer sair do lugar, quero falar mas não consigo.
— O sangue é dela? - A Mónica pergunta enquanto me segura.
— Não, o sangue é do menino Michael Pereira. O menino está preso!
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NURD
DiversosEla era tão inocente, mas tão inocente que de inocente não tinha nada. Ela era cheia dos mistérios. Mistérios esses que se escondiam por trás de um par de óculos enorme, um cabelo super desarrumado, uma saia compridona e umas camisas de mangas com...
