06 - W a s i t y o u ?

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Quatro dias.
Faziam quatro dias que eu estava na escola. E eu estava gostando.
Era a escola mais divertida que eu já havia frequentado.
As pessoas em geral não eram tão insuportáveis, mais na realidade eu só falava com dois colegas. Shopia e Everton e eram sempre eles que iam falar comigo.
Na maioria do tempo, eu estava concentrado com meu lápis e borracha, enquanto as pessoas da minha classe, faziam guerra de bolinhas de papel e coisas que você não achava que veria no ensino médio.
Tinham algumas pessoas bem imaturas ali. Mas tudo bem, porque a maior parte do tempo, eu passava desenhando.
Eu sempre me concentrava muito nos meus traços e acabava esquecendo da existência de pessoas.
Então todos os detalhes consecutivos sobre elas, eram perdidos no vácuo do espaço tempo. Eu não as dava muita importância.
Eu andava pela calçada da direita. A que de fato levaria à minha casa e eu olhava reto; estava com medo de olhar para o lado e levar mais um choque. Na realidade, eu podia ser uma usina hidrelétrica, de tantas correntes que ela estava me causando.
Mas eu não estava distraído. Eu nunca estava. Ser paranóico tem seus lados positivos, e um deles é que você é extremamente observador; você consegue notar tudo o que está acontecendo ao seu redor.
Continuei andando. E meu plano de chegar em casa sem um susto ocasionado por uma sensação boa, estava quase dando certo, mas um motoqueiro passou fazendo um barulho destilado e eu fui obrigado a olhar para rua, para ver o que estava acontecendo.
Depois do que aconteceu na aquele dia, eu sempre me assustava com coisas que se referiam ao trânsito.
Foi um momento feliz e infeliz, porque ela descia exatamente no mesmo ritmo que eu. Pude ver ela mexendo a boca, evidentemente acompanhando a música nos seus fones de ouvido.
Graças a Deus, ela não me vira. Apertei o passo.
Outro carro passou. Um vermelho.
Uma buzinada e quando eu tive noção do que estava acontecendo, ela já estava atravessando a rua.
- Ei! - ela gritou. - Ei! - ela diminuiu o tom, enquanto ofegava. - Oi.
- Olá. - minha voz era um paradoxo no qual eu não podia confiar.
- Você é o novo aluno, não é?
Eu apenas assenti.
Ela estava tão perto e a voz dela soava tão direta que eu sentia como se pudesse derreter a qualquer momento.
- Ah Desculpe, eu sou Lisa. Lisa Sandle. - ela deu um grande sorriso de dentes espaçados.
Eu já sabia que ela era bonita, mas meu Deus do céu.
Ela era muito bonita.
Seu cabelo rosa era liso, era um pouco longo e sempre estava dividido no meio; mostrando sua raiz.
Suas sobrancelhas eram grossas e escuras, acompanhando olhos grandes e amendoados, de um castanho bonito, que me cheirou á café num primeiro momento. Ela também tinha longos cílios, que não se mostravam tanto por serem retos...
- E você? Como se chama?
- Sou Victor. Victor Winters.
Eu havia me esquecido de dizer.
- Você tem um sobrenome bonito. -
- Seu cabelo também é bonito. Parece algodão doce. - senti vontade de me jogar debaixo de um carro e meu estômago embrulhou como papel alumínio.
Mas ela corou. Meu Deus, ela corou. Ela pareceu uma criança de doze anos recebendo um elogio e esbanjando uma reação por isso.
... Ela tinha bochechas grandes e claras, que estavam bem vermelhinhas agora. Ela também tinha um nariz pequeno, mas um pouco largo e por todo o seu rosto bonito, haviam sardinhas marrons.
- Obrigada. - ela ainda estava com seu sorriso aberto.
Eu não consegui falar. Como era possível que alguém conseguisse falar perto de uma pessoa tão bonita?
Continuamos andando em silencio.
- Então... Você vai me acompanhar até em casa? - ela insinuou.
- Você quer que eu te acompanhe?
- Se você está pedindo, tudo bem. - ela era toda risonha e presunçosa. - Sua casa é para aquele lado né? - viramos a esquina da direita.
- Não. Minha casa, também é para cá.
- Que ótimo. - ela deu alguns pulinhos animados. - Nós temos aula de história juntos.
Eu queria saber o que dizer; eu queria ter algo interessante para dizer; não. Eu queria ter qualquer coisa para dizer, mas eu estava travado.
- Sim.
- Ei espera, - ela parou de andar e eu não soube o que esperar. Ela parecia meio louca. - Não era você ontem na livraria?
- Você estava lá? - sim, eu me fiz de desentendido. Meu cérebro estava simplesmente dando curto.
- Sim. Eu vi você. - voltamos a andar, enquanto ela encarava seus pezinhos num all star vermelho.
- Você foi procurar por um livro?
Não. Eu não havia feito isso. Para que as pessoa iam á uma livraria?
- Na verdade por um mangá. Mas eu não encontrei... - sua voz baixou. Ela pareceu decepcionada.
- Você gosta de mangás? - eu não sabia se aquilo era se sentir muito bem, ou se aquilo era estar à beira de um ataque cardíaco.
- Eu adoro. - seus olhos curvaram. - Estou começando a ler one piece. Já ouviu falar?
- É o meu anime preferido.
A boca dela se abriu em um "O" perfeito e ela se empolgou de novo:
- Caramba, não acredito que achei alguém que gosta de One Piece! Deve ser muita sorte minha.
- Eu tenho uns mangás... Se você quiser, eu posso te emprestar.
- Você está brincando comigo? - ela disse aquilo, como se o fato de eu a emprestar mangás fosse a coisa mais incrível do planeta.
- Qual o volume que você está?
- O quinto. - ela fez com a mão.
- Tudo bem. Então amanhã, eu trago para você. - eu quase consegui sorrir, mas meus músculos pareciam estar todos congelados.
- Eu vou tomar muito, muito cuidado com ele. - ela fez um sinal de figa. - Eu prometo.
- Tudo bem.
- Obrigada por me trazer. - ela disse parada em frente a um portão branco. - É a minha casa.
- Sem problemas. - eu arrumei a bolsa nos ombros.
- Tchau, Victor.
- Tchau, Lisa.


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