Eu me oferecera para ir na padaria junto com Sebastian, porque mamãe e Lisa estavam dormindo e eu realmente precisava que ele me dissesse alguma coisa:
- Sebastian?
Ele virou o olhar para mim.
- Ontem aconteceu uma coisa. - eu tentava andar um pouco mais rápido, para acompanhar os passos mais abertos dele. - Comigo e com Lisa.
Ele parou de andar e até tirou o palito da boca.
- O que aconteceu, Victor?
Eu só não entendi porque o olhar dele ficou tão crítico.
- Ela me disse uma coisa e eu... Eu travei.
- Ah. - ele ele suspirou de leve, quase de forma imperceptível e continuou andando; eu o acompanhei. - E que coisa foi essa?
- Ela me disse "eu amo você".
- E qual o problema nisso? - ele curvou suas sobrancelhas.
- Eu não consegui dizer de volta.
Nós entramos na padaria e algumas pessoas olharam para nós.
Na minha cabeça, todas aquelas pessoas olharam na realidade, para mim, com olhares ultrajantes, me julgando porque eu não retribuira o que Lisa dissera. Mesmo eu sabendo que aquilo não fazia o menor sentido, eu estava crente nisso.
- Eu só não sei se já sinto isso. - eu estava com medo de soltar o que eu realmente queria e acabar soando de forma violenta ou até cruel, como se eu desprezasse os sentimentos dela, porque nem de longe era aquilo. - Faz tão pouco tempo, um mês e alguma coisinha, eu só...
- Você só não sabe se a ama. - ele disse o que eu queria.
Eu assenti.
- Espera só um minuto. - era a nossa vez na fila. - Me dá cem gramas de queijo cheddar e mais cem de peito de peru, por favor.
Nós esperamos e pegamos os frios, indo até o caixa para pagar.
- Isso é um problema, não é? Eu deveria saber que retribuo isso, não é? - Sebastian confiria o troco na maior tranquilidade da Terra, enquanto eu tinha um mini surto do seu lado. - O que há de errado comigo, Sebastian?
- Nada. - ele disse, assim que empurrou a porta da padaria e começamos a encarar um clima frio, nada propenso de Dezembro.
- Como nada? Eu travei! Eu deveria dizer...
- Você não deve, nem tem nada, até que se sinta pronto para isso. - e ele finalmente me explicou o ponto, com seus olhos. - Você não pode fazer uma coisa apenas por obrigação ou retribuição, tem que fazer porque acredita e porque sente isso, entendeu?
Eu assenti.
- Faz só um mês, Victor. Eu diria que isso está sendo precipitado demais da parte dela, mas eu não posso afirmar nada sobre ela. Não sei como de fato, ela se sente.
- Como assim? - me confundi.
- Ela pode estar se confundindo sobre si mesma. Misturando as coisas, sabe? - eu neguei e ele suspirou mais uma vez; pareceu um pouco impaciente, mas mesmo assim, ele continuou. - O amor é muito diferente dos outros sentimentos. Não tem como explicar, você só... Sente. - ele pareceu viajar. - Mas até você saber o distinguir, demora.
- Você acha que ela realmente me ama?
- Não posso saber. - ele pousou o palito de novo, sobre os lábios. - Isso apenas ela pode.
Eu abaixei a cabeça e segui andando.
- Mas não se sinta mal. Por não sentir ou achar que sente isso ainda. Tome o seu próprio tempo. - ele colocou as mãos no casaco cinza e continuou andando, enquanto um vento estranho fazia acrobacias na nossa frente.
- Eu tenho medo, Sebastian. - ele esperou o resto do processo. - E se eu não souber distinguir nunca se a amo?
- Então você não a ama. - ele tirou o palito da boca e aquele olhar doeu, no fundo da minha alma. - Quando se ama alguém, não há dúvidas.
Eu fiquei assustado.
Muito assustado, por isso resolvi parar aquela manada de terremotos e furacões.
- E você Sebastian? Já amou alguém?
Ele me encarou e voltou a um silêncio morto.
Me assustei mais um pouco.
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U m a P r i m a ve r a Q u a l q u e r
Romance"Eu só queria uma resposta. A resposta do que é o amor. Eu queria encontrar uma definição num livro, na internet, mas a única definiçao que eu podia encontrar, era em mim mesmo e aquilo me dava medo, porque... E se eu nunca encontrasse?" - Victor...