Eu estava ajudando a mamãe a cortar os legumes para a sopa daquela noite, quando minha campainha soou.
- Deixa que eu vejo. - eu anunciei me dirigindo até a porta.
E quando a abri, a surpresa.
- Oi! - Lisa me deu um oi animado, enquanto segurava alguma coisa atrás do corpo.
E do lado dela, parado no batente, estava Sebastian.
- O que vocês estão fazendo aqui? - eu perguntei indeciso entre um sorriso e pulos internos de alegria.
- Viemos animar sua noite. - disse Lisa, toda cheia de satisfação. - Eu trouxe marshmallow. - ela mostrou o pacote com um sorriso grande, que me fez pensar se nuvens tinham gosto de algodão doce.
Eu quis a beijar de forma fofa, mas me contive.
- Nós, nada. Vim por causa da sopa. - Sebastian adotou o passo e entrou em casa. - Oi, senhora Winters.
- Olá, Sebastian. Olá, Lisa. - mamãe deu um sorriso amigável para os dois.
- Então, eu trouxe alguns filmes e Sebastian trouxe alguma coisa também...
- Sim. O meu espirito alegre pra vocês. - ele trocou o palito de dentes de lado.
Lisa o deu um soco no ombro, e em resposta ele chiou.
Primeiro: eu não entendia onde Sebastian arrumava tanto palito de dente e eu também não entendia como ele conseguia ficar com aquilo na boca frequentemente.
Segundo: eu não sabia porque ele irritava tanto Lisa, se no fim ele sabia que ia levar um cascudo daqueles.
Mas no fim, todas essas perguntas eram perguntas totalmente retóricas, que não precisavam ser respondidas.
Depois de todas aquelas crise, a única coisa que eu queria, eram aqueles frequentes hábitos, porque eles me faziam sentir a comodidade que era tão boa para mim; como um presente de natal. Eu só queria me sentir como... Como se estivesse em casa de novo.
Enquanto eles organizavam as coisas, eu observava a cena toda encostado na bancada de mármore falso da cozinha.
- Por que não se junta a eles? - mamãe perguntou, adotando a mesma posição que eu.
- Porque eu estou agradecendo a Deus por eles. - senti o sorriso de mamãe. - Mãe, eu sou muito sortudo por ter eles, sabe?
- Que bom que criei um garoto que sabe reconhecer isso. - ela passou o braço pelos meus ombros.
- Olha lá, aquela é a minha namoradinha. - eu sorri quando disse isso. - Mãe, ela é muito linda.
- Você está falando isso, exatamente como na primeira vez.- ela comentou.
- Isso é bom ou ruim?
- Isso significa que você continua apaixonado da mesma forma por ela.
Eu apenas assenti.
- Victor, vem! - ela me chamou, com seu sorriso animado e quando cheguei lá, em menos de três segundos, ela já tinha começado uma nova discussão com Sebastian.Mamãe assistira a uns dois filmes com a gente e então subira para descansar.
Estávamos mais eu e Sebastian na sala, porque Lisa estava ressonando no meu ombro, com sua boquinha naturalmente rosa entreaberta. Suas feições, de vez em quando, mudavam e me retratavam o que estava acontecendo no seu sono.
Pensei que talvez aquela posição fosse um tanto desconfortável para ela, e que talvez ela acordasse com o pescoço dolorido, e eu tentei a acordar, mas a tentativa não passou do meu abrir de boca. Ela estava muito fofinha, e eu não a quis acordar.
- Ei, Victor? - era Sebastian.
- Hum?
- Você está bem? - a sala estava escura, mas ainda sim eu consegui diferenciar seu rosto de traços claros.
- Sim. - eu concordei com meu interior. - E você?
Ele assentiu apenas e se voltou para a tela da tv.
- Victor, onde tem cobertores por aqui? - ele se voltou a mim.
- Já pego.
- Eu pego. Só me diga onde está.
- Ah, anh, está no meu guarda roupa. A segunda porta á esquerda. - ele assentiu e se levantou.
Não deu três segundos:
Lisa se espreguiçou:
- Eu estou com frio. - ela dizia sonolenta. - peguei o cobertor que estava na sua cintura e puxei até seu pescoço. - Você não quer deitar? - ela disse coçando os olhos.
- U-hum. - eu deitei de barriga para cima e ela se deitou com a cabeça no meu peito.
Fiquei com muito medo dela escutar os gritos sanfonados do meu coração pelo gesto dela de se deitar tão perto e me permitir sentir seus cabelos jogados pela extensão do meu braço e peito.
Ela se aninhou melhor ali e puxou mais o lençol. Ela pareceu uma gatinha fazendo aquilo e Deus, eu quis a beijar por aquilo.
- Ei. - ela sussurrou e vi que ela tinha levantado a cabeça para mim.
- Oi, algodão doce.
Ela se esgueirou até conseguir um selinho.
- Boa noite, Victor... - e eu já ia a dando boa noite, enquanto os olhos dela fechavam. - Eu amo você.
Não consegui respirar.
Aquelas três palavras.
Eu só não conseguia respirar.
Eu continuei parado, exatamente na mesma posição por um bom tempo, encarando o teto e sem dizer um "A".
Ela dissera aquilo? Realmente aquilo?
Mas... Mas... Mas aquilo não era o último estágio? Aquela não era a coisa mais forte que podia nos acontecer? Nós já estávamos naquele ponto?
Tão rápido assim? Aquilo era o amor?
Nós nos amávamos?
Eu não consegui retribuir. Por alguma razão mediana ou superlativa, eu só não consegui retribuir o "eu te amo" de Lisa e eu me senti triste por aquilo.
Mas ela caiu no sono.
Além de triste, fiquei com um pouco de medo, por ela ter ficado tão triste que estava fingindo ter pegado no sono só para não me dizer nada.
Sebastian voltou com um cobertor e mais dois travesseiros.
Eu estava dando uns gritos mudos para ele; mas tudo o que ele fez foi se deitar no colchão embaixo do sofá e voltar a se concentrar na tevê.
Eu queria saber o que tinha acontecido naquele momento.
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U m a P r i m a ve r a Q u a l q u e r
Romance"Eu só queria uma resposta. A resposta do que é o amor. Eu queria encontrar uma definição num livro, na internet, mas a única definiçao que eu podia encontrar, era em mim mesmo e aquilo me dava medo, porque... E se eu nunca encontrasse?" - Victor...