Era um parque improvisado dentro do Bosque Maia e meu Deus do céu! Eu nunca rira tanto como nessa noite.
Ela fazia piadas, que na boca de outros, seriam todas terrivelmente ruins, mas na dela, pareciam as peripécias mais engraçadas do mundo.
Eu me divertia com o fato da risada dela ser a coisa mais gostosa que eu já ouvira na vida; por ser toda esbanjada. Eu me divertia pelo fato, dela nunca conseguir contar uma piada, sem conseguir ficar rindo durante dela.
Ela era tão interessante. Tão intensa. E eu realmente sentia que eu tinha alguma importância perto dela. Como se todas as coisas bobas realmente valessem a pena; mesmo que as mais bobas.
- Você quer ir em que brinquedo agora? - eu perguntei, enquanto andávamos pela extensão do parque.
Ela segurava um ursinho de pelúcia branco gigantesco, que ela mesmo havia ganhado no tiro ao alvo.
E ver ela com aquela arminha de brinquedo, me fez pensar em como ela tinha uma mira e eu era um desastrado nato; me fez pensar em como ela era independente.
E em sua outra mão, ela segurava um pirulito colorido, também gigante, que vez ou outra, ela lambia.
- Eu não sei. - ela disse, lambendo o pirulito. - Olha, tem um carrossel ali!
Ela disse e vi seus olhos brilharem; eu lembrei dos vagalumes daquele dia e eu simplesmente soube, que ela devia adorar aquilo.
- Você quer ir no carrossel?
- Não. Eu quero ver. - ela agarrou minha mão e saiu correndo e me puxando para sentar num banco que ficava bem de frente para o brinquedo. - Não é incrível?
E quando eu resolvi me virar para a encarar, eu soube que os olhos dela estavam brilhando, pois era como se eu pudesse ouvir.
E de fato, eles estavam brilhando e ela observava o carrossel, como se aquilo pudesse a dar ar para respirar. Como se todas as moléculas de O² estivessem concentradas lá e ela precisasse dar uma respirada profunda para voltar a ter cor.
Ela se levantou e saiu andando, como num transe mediano, onde ela quisesse se conectar com a música infantil e levemente dócil.
Ela andou e se pendurou na grade de proteção vermelha, enquanto observava o constante girar dos cavalos de plástico.
Eu também me aproximei da grade, fascinado. Era bonito.
Quando eu estava perto dela eu conseguisse enxergar a beleza de cada coisa; era como se eu pudesse ver átomos e suas cargas elétricas. E Deus do céu! Naquela noite, eu só desejei uma ligação covalente.
Eu só desejei que os meus átomos fossem compatíveis com os átomos dela.
- Lisa? - ela virou o rosto para me responder, quando eu percebi todas as luzes coloridas sendo transmitidas para o rosto dela.
Ela pareceu um quadro naquele momento. Com lindos contornos rosa. Ela era arte.
- Hum?
- Lisa, eu... - minha mão simplesmente se juntou com a dela, em cima da grade de proteção. - Eu - os olhos dela pareciam querer engolir os meus.
Eu respirei fundo.
- Lisa, eu gosto de você.
A boca dela se abriu num mísero som de silêncio, enquanto seus dentinhos espaçados, ameaçavam aparecer.
- Gosto de você desde a primeira vez que vi você e eu realmente me assustei quando me apaixonei por você, porque eu... Eu acho que... - suspirei, mas não em desistência. - ...porque eu tinha medo de você quebrar o meu coração.
Ela tirou as mãos da grade de proteção e segurou as minhas duas. Enquanto olhava nos meus olhos:
- Eu nunca quebraria o seu coração, Principezinho. - um sorriso breve; de algodão doce.
- E Lisa, eu adoro o seu cabelo, não tem ninguém no mundo que eu goste mais de falar do que você.
"E eu nunca sorri tanto com alguém como eu sorrio quando estou com você.
"E eu só me sinto assim... Quando estou com você."
Dizer que o rosto atencioso dela estava lindo, deveria ser pleonasmo:
- É só que... Você sempre pareceu tão interessante e eu... Eu sempre quis ser interessante o suficiente para você gostar de mim...
- Você já é interessante o suficiente, porque eu acho cada detalhe de você curioso e não tem nada que me interesse mais... - ela levantou os olhos de seus pezinhos e me iluminou com eles - Do que você.
- Você... Gosta...
- Victor, eu me apaixonei por você desde que te vi na aula de história aquele dia.
- Lisa, eu... - eu pensei em algo bom para dizer, mas de repente tudo o que havia, era eu, o ar e a garota mais linda do mundo. Bem na minha frente.
Eu aproximei meu corpo dela, levei minhas mãos à sua cintura e encarei seus olhos:
- Eu quero beijar você.
- O que você tá esperando? - ela perguntou com um olhar um pouco mais do que presunçoso e colocou os braços sobre meus ombros.
Eu a beijei. E eu me senti tão confortável quando os meus lábios tocaram os dela.
Eu me senti... Em casa. Como se eu tivesse viajado por muito tempo, e só quisesse o cheiro de camomila das florzinhas da minha casa de campo; como se aquele fosse o lugar que eu realmente precisasse estar.
Nossos rostos se moldaram, um no outro e nossas bocas continuaram se massageando, enquanto o toque se perpetuava delicado.
E eu esqueci. Esqueci das pessoas ao nosso redor, esqueci do medo de não ser interessante ou de ser ignorado.
De repente eu me tornei alguém tão importante, porque eu estava apaixonado por Lisa.
E ela estava apaixonada por mim de volta.
E enquanto a boca dela invadia a minha de forma gentil e eu a abria e fechava para a dar mais liberdade, eu pensava no quão sortudo você deveria ser para ter seus sentimentos irracionais retribuídos.
E naquele momento, enquanto uma mão minha subia para sua nuca, eu agradeci a Deus por ela simplesmente existir, porque mesmo que ela não estivesse apaixonada por mim, eu ficaria feliz só em ver o seu cabelo rosa todo santo dia.
Nós acabamos de nós beijar, mas continuamos com nossos narizes encostados e as mãos estrelaçadas, enquanto cada molécula nossa, reconhecia o doce gosto do que tínhamos acabado de acontecer.
- Lisa?
- Oi? - ela respondeu no mesmo tom sussurrado que eu.
- Eu quero ser mais do que seu amigo. - os olhos dela cresceram pela terceira vez na noite. - Eu quero andar de mãos dadas com você, Algodão Doce; eu quero dar beijos na sua testa e não só na sua bochecha; eu quero fazer carinho no seu cabelo para você dormir e eu poder levar você no colo até seu quarto; eu quero dizer o quanto você está bonita todos os dias, mesmo isso sendo redundante.
- Victor, eu...
- Lisa, você aceita ser a minha namorada? - e finalmente as flores que estavam no meu pulmão, desabrocharam.
Ela me olhou e deu um sorriso torto. O meu sorriso preferido. O que me fazia meio sem opinião, porque qualquer coisa que vinha dela, era a minha preferida.
E então uma gargalhada tão cativante, que a raposinha do Pequeno Príncipe se orgulharia.
Ela deu uma volta no piso liso, enquanto gargalhava, com as mãozinhas sobre a boca.
E então ela veio correndo na minha direção e me abraçou. Eu a peguei no ar, enquanto ela grudava as pernas ao meu redor e eu sustentava suas costas.
- EU ACEITO! EU ACEITO! EU ACEITO SER A SUA NAMORADA!
O grito soou mais alto do que a música amplificada pelas caixas de som do show que estava acontecendo logo atrás e logo, várias pessoas começaram a aplaudir e a sorrir com um trejeito encantador.
Então ela saltou do meu colo e me abraçou, enquanto sorria tão grande que mal lhe cabia nela.
- Seu coração está acelerado. - e mais uma risada. - É por minha causa? - então os olhinhos dela estavam curiosos de novo.
- Sim. - e ela roubou todas as estrelas do céu, só para dançarem com ela, ao meu redor.
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U m a P r i m a ve r a Q u a l q u e r
Romance"Eu só queria uma resposta. A resposta do que é o amor. Eu queria encontrar uma definição num livro, na internet, mas a única definiçao que eu podia encontrar, era em mim mesmo e aquilo me dava medo, porque... E se eu nunca encontrasse?" - Victor...