- Tem certeza, Victor? - o senhor Sandle tinha um senso responsável incrível, mas para aquela noite, eu o precisei dispensar. - Já são quase nove horas.
- Tá tudo bem, senhor Sandle. Ainda tem bastante gente nas estações. Nós vamos ficar bem. - ele apenas assentiu pra mim.
- Você avisou sua mãe, né? - quem assentiu agora, fui eu. - Sabe que ônibus pegar para voltar? - acenei positivamente de novo. - Tem dinheiro?
- Tenho. E estou com meu bilhete. - ele destravou as portas. - Vai com Deus, meu filho.
- Amém. - eu bati a porta do carro e comecei a andar em direção à entrada da estação.
O senhor Sandle e eu sabíamos que se ele fosse lá comigo buscar a Lisa, ela ficaria bem irritada, porque ela já estava bem chateada e não valia a pena a irritar mais, então nós apenas concordamos num ponto fixo.
Ele me deixou na estação Tucuruvi e eu pegaria o trem sentido Jabaquara.Aquela foi a primeira vez que eu andei de trem. E eu me sentia sozinho e deprimido.
As três palavras de Lisa batiam de um lado para o outro na minha cabeça, somadas as coisas que Sebastian passara e aquilo me deixou com um pouco de medo do tal sujeito que esse amor dizia ser. Além disso, eu ainda estava preocupado com ela.
Era noite e ela estava numa estação de trem, sabe-se Deus como.
Eu estava em pé. Segurando num dos ferros, com a minha cabeça apoiada na mão, numa expressão um tanto cansada.
Estava bem fria aquela noite e eu observava os lapsos rápidos que o trem me permitia, mais o painel das estações por onde ele passava.
Vergueiro.
Ainda estava um tanto longe do destino que eu queria chegar.
Aquela noite estava realmente fria e eu me arrependi de não ter me agasalhado melhor.
Uma moça entrou na estação seguinte e ela estava pedindo ajuda com exatamente qualquer coisa que poderíamos dar.
Ela segurava uma criancinha com um dos braços. A menininha devia ter uns dois ou três anos e ela estava apenas com um vestido rosa distorcido pelo tempo e com seus pezinhos descalços.
Tirei meu casaco.
- Ei moça, - ela se virou para mim. - Sua filha deve estar com frio.
- Muito obrigada senhor, que Deus te guarde e te leve para onde quer que o senhor for. - ela aceitou o casaco e enrolou a menininha toda.
Seu rosto estava muito grato.
- Amém, moça.
Ela saiu do vagão na próxima estação e eu achei um assento livre. Um azul escuro que me indicava que não era dos especiais.
Sentei nele e me abracei, para espantar o frio.
E assim que sentei, meus olhos se adaptaram à uma moça sentada à minha frente.
Ela estava com os olhos borrados em cima de mim; mas fez questão de os tirar, assim que eu o flagrei.
Ela me lembrou dos tempos em que eu fazia aquilo com Lisa.
Ela me pareceu timidamente eu.
Fiquei com meu olhar parado por um tempo em cima dela.
Ela tinha um cabelo preto e um rosto claro, do qual eu não pude ver muito, porque ela abaixou a cabeça e não me encarou mais.
Ela usava um vestido florido, muito bonito.
Ela não olhou mais para mim.
Então eu parei de a olhar, porque pensei que aquilo deveria ser errado. Eu não podia olhar para outras moças, eu já tinha uma namoradinha. Era errado achar outras bonitas, não era?
Minha estação era a próxima.
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U m a P r i m a ve r a Q u a l q u e r
Romantik"Eu só queria uma resposta. A resposta do que é o amor. Eu queria encontrar uma definição num livro, na internet, mas a única definiçao que eu podia encontrar, era em mim mesmo e aquilo me dava medo, porque... E se eu nunca encontrasse?" - Victor...