24 - S h o u l d I ?

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Fazia muito, muito tempo mesmo que eu não fazia aquilo.
Eu estava desenhando no meu quarto; e mesmo o quarto sendo muito bem iluminado por uma lampada de led, eu ainda usava o auxílio de uma luminária exclusiva, para tornar os traços mais precisos.
O que não estava dando muito certo.
Mais uma bola de papel foi para o chão, enquanto eu me sentia um tanto frustrado.
Dei uma olhada para os ingressos em cima da cômoda e voltei-me aos papéis.
Eu não sabia se a chamaria.
Sinceramente, eu estava com um pouco de medo.
Lisa era tão expressiva e tão única e eu...
Eu parecia uma porta; eu mal conseguia dizer os universos que imaginava sobre ela.
Mas dentre as zilhões de dúvidas que surgiam na minha cabeça clara e confusa, eu tinha uma certeza indescritível: tudo o que eu queria fazer, era segurar a mão dela e nunca mais soltar.
Eu não queria que o rosa do cabelo dela fosse embora, pois ele me animava, e porque agora eu estava desenhando uma floresta de algodão doce, mesmo sem saber...
- Deveria mostrar á ela.
- Ai. - levei a mão ao peito, tentando reduzir as minhas batidas cardíacas, quando fui flagrado.
- Ficou realmente bonito. - ela voltou a idéia central.
Encarei o desenho. Meus traços estavam completamente tortos e o desenho nem estava definido, não passava de um esboço. Eu sinceramente não conseguia enxergar beleza alguma naquilo.
- O que é aquilo? - ela apontou para os ingressos coloridos.
- Lembra do Sebastian? - ela assentiu, com relutância. - São os ingressos, que te disse.
- Ainda não gosto desse menino. - ela cruzou os braços. - Mas acho que deveria ir. É quando?
Levantei e chequei os ingressos.
- No fim do mês.
- Ainda tem tempo para ensaiar na frente do espelho, querido. - ela deu tapinhas no meu ombro. - Victor, você tem que demonstrar que gosta dela.
- Mas eu não consigo. Ela me faz sentir como se eu estivesse tomando choque.
- Diga isso à ela.
- Que ela me faz sentir como se eu estivesse sendo eletrocutado? - fiz uma cara confusa.
- Não, Victor. Como você realmente se sente sobre ela. - eu olhei para o meu desenho.
- É como se tudo girasse ao redor dela. Parece obsessivo. Eu tenho medo, mamãe.
- Medo, por quê? - ela puxou um banquinho e se sentou do meu lado, numa ótima postura que ela sempre me ensinara a ter.
- De isso ser uma obsessão. É meio assustador, essa intensidade toda e eu não sei se sei lidar com isso, mamãe.
- Victor. - ela pousou as duas mãos nos meus ombros e olhou nos meus olhos. - Bem vindo, ao que é estar apaixonado.
"Todas as coisas que sente e pensa sobre ela são meras coisas da paixão."
- Não faz mal pensar tanto em alguém? - mamãe soltou uma risada bonita, cheia de flores de campo. As suas preferidas.
- Claro que não. Depois de um tempo até faz bem. - ela disse ainda com um leve sorriso.
Houve um silêncio enquanto eu tentava me convencer de que todos aqueles ataques cardíacos eram normais e aí eu lembrei de algo:
- O Sebastian acha que nós somos namorados. - os lábios dela brincaram astutos.
- Gostei desse menino. - ela se levantou. - Bom, estou indo jantar com o Renê, mas deixei comida pronta para você. - ela bagunçou meus cabelos e beijou minha cabeça. - Até mais tarde, filho.

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