52 - S t o p I t

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Lisa estava sem falar comigo fazia dois dias e eu também desistira de ir atrás dela.
Acontece que por algum motivo obscuro, o que Sebastian me disse, ficava batendo contra a minha vontade de ir atrás dela. Não era orgulho, mas aquilo que ele me dissera, me fez ficar confuso, sobre eu realmente ter feito algo de errado.
Eu passava o tempo que podia encarando as suas costas sempre arqueadas e sua visão concentrada; mas ela nunca me retornava o olhar e eu já estava ficando mais chateado do que deveria com aquilo.

Na hora da saída, eu vi ela passar direto por mim, sem quase notar a minha existência ali.
Eu abaixei minha cabeça.
Abaixei minha cabeça e encarei o chão.
- Ei, vamos para casa. - Sebastian disse tocando meu ombro e dando tapinhas reconfortantes no meu ombro, enquanto me guiava portões a fora.
Mas assim que começamos a caminhar, Sophia passou por nós dois como uma rajada esmagadora de vento e continuou, em direção à Lisa.
Eu e Sebastian paramos e nos olhamos sem entender nada. O que Sophia poderia querer com ela?
A garota simplesmente cutucou as costas de Lisa, que se virou. Num gesto abrangente com seus cabelos rosa.
- Lisa, escuta só, preciso falar com você.
- Eu não quero falar com você. - ela disse, a deu as costas e voltou a andar.
- Lisa, você vai me escutar, nem que eu tenha que te amarrar.
Sebastian trocou o palito de lado na boca, encostando na grade do portão e observando a cena; "agora, isso vai ficar interessante", se lia no olhar dele.
- O que você quer tanto dizer?
- Deveria parar de ficar tão brava com o Victor. Ele não fez nada; exatamente nada. - ela suspirou, como se aquilo fosse uma coisa muito óbvia. - Ele só me abraçou porque eu estava chorando e estava triste. Acredito que ele fez com a melhor das intenções.
- Mas...
- Lisa, você deveria confiar mais no que ele sente poe você. - Sophia disse num tom completamente normal, mas que deixou o rosto dela xadrez. - Ele gosta para caramba de você; ele não quer outra garota. Todo mundo sabe disso!
Lisa abaxou a cabeça e saiu andando sem prescendentes.
Sophia ficou olhando ela se afastar; ela só observou e negou com a cabeça, como se rejeitasse completamente aquilo.
Eu e Sebastian voltamos a caminhar em direção à minha casa.
- Você tá bem? - ele disse quando paramos em frente ao meu portão verde.
Eu assenti negativamente e mantive meu olhar baixo.
- Ela precisa notar que o que fez foi errado, Victor. Ou isso vai virar uma bola de neve. - eu assenti de novo. Dessa vez positivamente.
- Obrigado. - eu disse e entrei.

Mamãe ficaria até mais tarde no trabalho, então eu estava lavando o banheiro de cima para a ajudar, pois hoje seria dia de faxina. Afinal era sexta feira.
Eu estava jogando candida na privada, quando minha campainha tocou.
Tomei cuidado para não escorregar na espuma e desci as escadas para ver quem era:
- Algodão Doce?
- Será que eu posso entrar? - o olhar dela estava desconcertado.
Eu assenti e deixei a porta aberta, enquanto me retirava da passagem.
Ela ficou me encarando por um momento, enquanto nossos olhos se repeliam, o que nunca acontecera antes. Foi meio assustador ver aquilo acontecer. Quis chorar.
- Vim pedir desculpas. - ela segurava a alça de sua bolsa vermelha com as duas mãos. - Fui muito injusta com você e não o dei nem o direito de falar. Eu fui uma tola. - ela olhou para o chão com receio. - Me desculpa, por favor.
Eu estava com emus braços cruzados até então, sem saber o que fazer, mas naquele momento, eu soltei meus braços e caminhei até ela.
Eu a abracei e ela relaxou a postura dentro dos meus braços.
- Tudo bem, algodão doce. - eu fiz carinho no seu cabelo rosa. - Você me deixou assustado.
- É só que... Eu... Fiquei com medo de... Você estar gostando dela e...
- É uma idéia muito boba.
- Me desculpe. - ela escondeu o rosto na minha blusa e fungou.
- Ei, - eu não queria mais falar daquilo. - Quer me ajudar?
- Com o quê?

U m a   P r i m a ve r a   Q u a l q u e r Onde histórias criam vida. Descubra agora