<Pensamento Harry*On>
Quase deixei que aquele filho da mãe me estragasse o dia maravilhoso que tive hoje. Foi bom ter caminhado por esta terra que é minha, ver os sítios que me viram crescer e estar com as pessoas que ainda permanecem em mim. Melhor ainda é ver o entusiasmo da minha menina, a Emma parece feliz por aqui estar também, apesar de eu ver que isto é tudo novo para ela. Eu entendo o que ela está a sentir mas devo-lhe tanto pelo esforço que ela está a fazer por mim.
Quero deitar tudo para trás das costas, mas quando vi o Derek algo cresceu em mim. Ele mal olhou na minha cara, talvez ele já nem se lembre de mim, ele não sofreu o que eu sofri e sinceramente foi isso que me revoltou! Ele reagiu como se nada fosse!
Resolvi cagar, não por causa dele, ele é um merdas, mas sim por causa da minha Emma e do bebé que ele trazia consigo. Não vim aqui para fazer qualquer tipo de ajuste de contas, vim aqui para começar de novo.
Mas algo me surpreendeu.
Não quis acreditar quando a minha mãe chegou à cozinha e disse-me que eu tinha o Derek na sala, à espera para falar comigo.
Nesse momento eu não sabia o que pensar e agora diante dele, também não sei o que dizer. Continuo sentado no sofá e ele em pé à minha frente, nervoso.
Posso ver o ser nervosismo através da sua testa suada, do seu rosto avermelhado e das suas mãos agitadas.
- Podes-te sentar. - Falei e ele assentiu, sentando-me no sofá à minha frente.
O seu olhar encarava as suas mãos e depois de eu soltar uma tosse forçada, ele encarou-me.
Eu estava nervoso também, porém curioso. Não posso negar também que eu estava na minha autodefesa, não me podem censurar por estar desconfiado desta merda toda.
- Bem... - Ele começou a falar baixinho. - Deves-te estar a perguntar o porquê da minha visita.
- Pois, estou mesmo. - Falei um quanto rude.
Os seus olhos azuis não mostravam a indiferença com que ele sempre me olhava, eles mostravam mais que isso, eles mostravam, talvez, angustia, arrependimento. Não sei bem que raio estou a ver neste gajo, mas ele não parece ser a mesma pessoa de há uns anos.
- Eu sei que me odeias, eu sei que fui um caralho para ti...
As palavras estavam-lhe a faltar e sinceramente a minha paciência também.
- Vieste aqui para quê? À procura de uma consciência tranquila? - Ripostei.
- Mais ou menos. - Ele soltou num suspiro.
- Fala de uma vez o que te trouxe aqui, estou sem paciência para os teus arrependimentos.
E sinceramente, não era falta de paciência, era medo de enfrentar o passado. Agora que eu estou a ficar bem, agora que eu entendi que também sou merecedor de algo bom, não quero que algo me deite abaixo.
- Mas eles são sinceros. - Ele afirmou olhando nos meus olhos. - Eu sei que eu fiz muita merda, eu não me esqueci do que te fiz.
- Engraçado, quando nos cruzamos na padaria não parecia que te lembrasses de mim. - Interrompi-o.
- Eu não sabia como reagir, já não somos umas crianças e eu não queria mais problemas. - Ele defendeu-se calmamente.
- Pois bem, tu nunca tiveste problemas, nem tu nem o teu grupinho de amigos. Vem vez disso, vocês criavam-nos.
- Eu sei. Logo depois de tudo que aconteceu ao Austin eu afastei-me dele, percebi que aquilo não era algo correto. Deixei-me influenciar por ele, fui um merdas, eu sei e nada justifica tudo o que fiz para te prejudicar, alimentando uma vingança dele.
- O que te fez vir aqui? Não quero ouvir essas frases feitas de menino coitadinho. Fui o único prejudicado nisto tudo, e não me vês a fazer papel de coitado. - Estava a tentar não me exaltar.
Estava a fazer das tripas coração para não me passar.
- Tens razão, quero-te só mostrar o meu lado.
- Eu não quero saber. - Fui seco e curto.
- E-eu... eu sou pai. Tenho um bebé de cinco meses. - Ele falou com os seus olhos postos nos meus pés e com a sua voz tremola. - E sinceramente, é por ele que estou aqui.
Confesso que algo mexeu comigo quando ele trouxe o filho à conversa. Fiquei mais calmo.
Não entendo qual a sua jogada, mas sinceramente quero ver o que vai sair daqui.
- Eu vi o bebé no carrinho...
- Sim, ele chama-se Tom e honestamente, ele mudou a minha vida. - Ele soltou um pequeno sorriso.
- Isso é muito bonito, mas creio que não vieste aqui para eu te felicitar.
- Eu entendo que te sintas revoltado comigo, não venho aqui pedir a tua simpatia mas sim o teu perdão. - Ele voltou a encarar-me.
- E porquê que isso é tão importante? - Foquei-me nos seus olhos.
- Porque... - ele fez uma breve pausa - Eu quero ser um bom pai e para ser um bom pai, eu acho que tenho de ser uma melhor pessoa também.
Fui apanhado de surpresa com a sua resposta. Sinceramente comecei-me aperceber que talvez, afinal ambos estávamos no mesmo barco.
- Bem visto... - Deixei de lado a minha arrogância.
- Eu fiz coisas erradas, coisas que tu sabes e outras que nem imaginas. Por causa daquela vida, eu fiquei viciado na droga. - Eu olhei para ele, totalmente boquiaberto com a sua afirmação. - É verdade, eu fiquei viciado em drogas pesadas, perdi os meus amigos, a minha família não me queria ver... As minhas ações também me prejudicaram.
Eu fiquei em silêncio, não por não saber o que deveria dizer, mas sim porque cada um tem a sua luta e por mais mal que façamos, não tenho o direito de o julgar.
- Até que percebi que era novo demais para cair na decadência, não podia continuar a estragar a minha vida. Então pedi ajuda aos meus pais e internei-me há uns 2 anos e lá conheci a Grace. Ela era uma enfermeira que trabalhava na clínica de reabilitação e eu apaixonei-me. Ela tem sido o meu pilar e desde que entrei naquela clínica que não toco em nada, nada mesmo, estou limpo! E graças a isso, agora tenho uma família, apesar de toda a merda, eu fui recompensado e dou graças por isso.
Os seus olhos estavam vermelhos, ele não mostrava quaisquer problemas em estar desarmado à minha frente. De cara lava em lágrimas, ele continuou o seu discurso.
- Depois de te ver, quando cheguei a casa, eu fiquei a olhar para o meu filho. Eu iria matar o filho da puta que lhe fizesse mal! É verdade, eu senti culpa por tudo o que te fiz passar, tu eras um puto porreiro, não merecias nada daquilo. Agora que tenho a cabeça no lugar, quero ser alguém melhor, quero ser alguém de quem a minha mulher e o meu filho se orgulhem e não venho aqui por eles, vim aqui por mim. Porque se eu fui capaz de fazer tudo aquilo contigo, eu também tenho de ter a humildade de vir diante de ti e pedir-te perdão.
Eu estou completamente sem palavras. A minha boca está seca, e os meus olhos húmidos. A verdade é que, eu estou a ver-me nele.
- Não há nada que eu possa fazer para me redimir, eu sei. Mas talvez estar arrependido seja um bom começo.
Eu fiquei imóvel, perdido nos meus pensamentos enquanto o silêncio tomava conta do nosso espaço.
É nítido o arrependimento em seus olhos, ele está a ser sincero, e depois de tudo o que eu ouvi, eu não sinto mais raiva. Não sinto nada.
Eu também fiz muita coisa errada, também magoei pessoas, e agora, também eu estou a tentar ser uma pessoa melhor.
Não quero ser uma pedra no caminho de ninguém, não quero que a magoa vença, crescer também significa saber perdoar e eu quero ser esse tipo de pessoa. Não quero ser rancoroso, a dor não tem de viver para sempre em nós.
- Eu perdoo-te. - Falei, olhando bem nos seus olhos e eu estava mesmo a ser sincero.
- Mesmo? - Ele mostrava admiração em seu rosto.
- Sim. Tu tiveste uma Grace na tua vida e eu tenho uma Emma. Também estou a tentar mudar as coisas más, eu entendo a tua luta.
- Não sabes o peso que tiraste de cima de mim. - Ele suspirou, lançando-me um sorriso.
- Eu sei, também me senti mais leve. - Assenti sorrindo também.
- Espero que a vida te corra bem, Harry. Desejo isso do fundo do meu coração. - E eu acreditava nele.
- Igualmente. Agora volta para a tua família e faz isso valer a pena.
- Podes ter a certeza que é isso que vou fazer. - Ele sorriu, levantando-se e esticando a sua mão na minha direção.
Fiquei uns segundos a admirar aquele rapaz arrependido, e depois estiquei a minha mão, agarrando a dele.
Esta foi de veras, a coisa mais improvável que eu pensaria que pudesse acontecer com a minha vinda aqui.
Depois de o levar à porta, subi as escadas e direcionei-me para o meu quarto. Quando entrei vi a Emma sentada na cama com o computador em cima das suas pernas. Como ela é linda.
Não consigo explicar o que sinto quando olho para esta mulher, ela é tão especial e incrível. Sinto que com ela eu seria capaz de ir até ao fim do mundo, por ela eu faria qualquer coisa.
Ela notou a minha presença e o seu olhar caiu sobre mim, mostrando o seu mais belo sorriso.
- Estás bem, amor? - Ela perguntou fechando o seu computador e pousando-o sobre a cama.
- Sim, linda. - Sorri caminhando até à cama.
Despi a minha camisola, de seguida as minhas calças e deixei-as cair num canto do chão.
- Harry, ainda abocado arrumei o quarto. - Ela suspirou, não tirando os seus olhos do meu tronco.
Eu gosto da maneira como a deixo, gosto da maneira como ela me olha e como eu sei que ela sempre me deseja. Não me importa que ela precise assim tanto de mim, eu preciso muito mais dela.
- Eu amanhã arrumo tudo amor, prometo. - Direcionei-lhe um sorriso e peguei no computador metendo-o em cima da cadeira.
- Quero ver isso. - Ela refilou cruzando os seus braços.
- Minha amuada linda. - Subi para a cama e depositei alguns beijos na sua face enquanto a puxava para mais junto de mim.
Ao inicio ela estava a fazer-se de difícil mas logo não me resistiu e depositou um beijo nos meus lábios, deitando sua cabeça sobre o meu peito.
- Gostaste do dia de hoje? - Perguntei-lhe enquanto uma mão acariciava a sua cabeça e a outra agarrava a sua coxa esticada sobre as minhas pernas.
- Gostei muito. É bom estar aqui, contigo. - O seu dedo indicador delineava as minhas tatuagens do peito e ela focava lá o seu olhar.
- Eu também. - Acabei por soltar um sorriso e beijei a sua testa.
- Queres-me contar sobre a conversa com o Derek? - A sua voz era calma e baixa.
- Quero, mas amanhã. Agora quero só estar assim contigo, és a paz no meu dia. - Apertei-a mais contra mim e senti-a a depositar um beijo no meu peito.
Aconcheguei-nos melhor debaixo das roupas da cama e quando dei por mim, aquela minha, e linda, mulher tivera adormecido.
E o meu único desejo é este, poder vê-la dormir até ao resto dos meus dias e ser capaz de a acordar com um sorriso no rosto.
Esta é, agora, a minha luta.
Oiiiii novo capítulo aqui!!!
O que acharam do capítulo babes??? O que acharam da conversa do Harry e do Derek?
Vá lá comentem e votem!!! Eu sei que estive demasiado tempo fora e não mereço tanto empenho vosso, mas eu estou a dar o meu melhor... ajudem-me a ver se estou a passar a ideia certa, se há algo a melhorar e, principalmente, se estão a gostar!!
Beijinhos ❤❤❤
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* Sweet Trouble * (Acabada)
Fanfiction' O meu destino esteve sempre aos meus olhos, ela foi-me destinada. '
