# Capitulo 136 #

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Sinto-me como se estivesse prestes a ter um ataque cardíaco. O meu coração bate forte, enquanto eu permaneço sentado no sofá da minha casa e da Emma.

Limpei novamente as minhas mãos soadas aos meus calções de ganga e voltei a rodar o meu corpo sobre o sofá. Nenhuma posição é confortável quando o nervosismo toma conta de nós, nada ajuda quando esperamos algo.

Vi a Emma a descer as escadas que ligam o andar de cima à sala e levantei o meu corpo do sofá. Ela descia as escadas devagar, olhando para o chão carregando o nosso mundo na sua mão.

Ela pousou aquele pequeno objeto branco, juntamente com o seu telemóvel, sobre o balcão da cozinha e só depois disso me encarou.

Eu imagino o que ela esteja a sentir, eu sinto-me igual.

Como um pequeno objeto pode mudar a vida de alguém? Coisas pequenas têm sempre tanto significado nas vidas das pessoas, acho que são elas que criam as grandes coisas.

Sentei-me quando a vi sem reação, passando as suas mãos pelo seu vestido de cor neutra.

Hoje foi o dia em que decidimos correr para o nosso destino. Acho que ela nem dormiu esta noite, dei por se mexer toda a noite, como se a cama fosse o seu campo de batalha.

Hoje ela sentiu-se pronta, hoje eu estou pronto. Hoje começa o início de uma nova jornada, pelo menos eu rezo por isso.

Ela permanecia quieta, em pé, ao lado do balcão e sinceramente não sei se o silêncio era o seu refúgio ou se o seu medo não a deixa formar uma frase.

Ela não me disse, mas eu sei que ela quer muito isto. Conheço esta mulher como a palma da minha mão e os panfletos sobre bebes nas suas coisas, também a denunciam.

Eu também sorrio com a ideia de esta criança já existir. A nossa confiança, e principalmente a nossa vontade de que seja verdade, pode se tornar numa mera desilusão.

- Já sabes o resultado? – Eu quebrei finalmente o silêncio e ela olhou para os seus pés.

- Temos de esperar uns minutos, meti o despertador. – A sua voz era baixa e eu notava nervosismo em todo o seu corpo.

- Como isso funciona? – Não entendo nada de testes de gravidez.

- Então... Se tiver dois risquinhos significa que vamos ser pais, se for só um, não.

Os seus olhos encararam os meus e eu só pensava na vontade de ver dois riscos naquela porcaria. Ela está tão receosa, tão nervosa... não gosto de ver assim a minha menina.

Abri os meus braços e ela fez um pequeno sorriso caminhando até mim. Assim que se sentou no meu colo, eu apertei-a contra mim com toda a minha força.

- Eu amo-te. – Falei depois de depositar um beijo na sua bochecha.

Ela encostou a sua cabeça no meu ombro e as suas mãos agarraram os meus braços que a rodavam.

- Queres isto? – Ela sussurrou olhando para as suas mãos.

Se eu quero isto? Pelo tamanho do buraco no meu estômago, pela inquietação do meu coração e pela imagem de um bebé na minha cabeça, tudo indica, que na verdade, eu quero muito isto.

- Não vou dizer que não fui apanhado de surpresa, mas posso dizer que quero tanto isto como tu. – Confortei-a.

Os olhos dela encararam os meus e eu pude ver eles brilharem.

* Sweet Trouble *  (Acabada)Onde histórias criam vida. Descubra agora