Capítulo 13

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Bai Renshu apoiou-se semi-sentado no peitoril da janela e encarou o outro de um modo tão indecente e lascivo que foi quase como se seus olhos verdes faiscassem.
— Uau... - disse o Bai, traçando com sua língua um lento semicírculo em seu lábio superior e depois mordendo, de maneira sensual e sugestiva, o seu lábio inferior.
— Eu tenho a nítida impressão de que meus calções de repente ficaram BEM apertados.

Wen Ning empurrou uma onda d'água no cultivador, abraçou fortemente suas próprias pernas e enterrou o seu rosto sobre os joelhos.
— I-isso não é coisa que se diga! - ele reclamou em sua voz abafada e quase inaudível.

Bai Renshu teve o seu abdome e pernas atingidos pela água, mas permaneceu imperturbavel. Ele deu um sorriso malicioso e depois disse de maneira cínica:
— Oh! Verdade? Nesse caso, eu peço que o General me perdoe.

Wen Ning ergueu seu rosto alguns centímetros de maneira bem lenta e receosa. Inocente, ele decidiu observar Bai Renshu acreditando que o mesmo já tivesse parado com suas investidas devassas, mas quando o viu o grande volume em sua região inferior e o cultivador desatando as suas próprias roupas, ele espremeu-se no canto da banheira e com o rosto pálido e alarmado.
— Oqueoqueoqueoque... o que você está fa-fazendo??? - disse o General, em estado de choque.

Bai Renshu já havia exposto seu peito musculoso e agora começava a desatar a parte inferior de sua vestimenta. Ele primeiro lançou ao general um sorriso libertino e depois disse com simulada inocência:
— Ué... já que eu não posso falar sobre como você me deixou depois eu que te vi pelado, então eu preciso te mostrar o meu...

— NÃO! - gritou o apavorado General, atirando um bocado de água no rosto do outro e tapando seu próprio rosto com as mãos.

Bai Renshu voltou a atar suas vestes e secou o rosto na manga de seu hanfu com uma expressão de riso. Percebendo que a parte ainda visível do rosto de Wen Ning estava extremamente vermelha, ele se levantou do peitoril da janela e aproximou-se do ofurô.

— Ora, ora, ora... Me parece que alguém aqui foi fervido em água quente. Será que a temperatura elevou-se sozinha? Acho que eu terei que verificá-la...

Ouvindo a aproximação dos passos, Wen Ning tirou a mão do rosto com a expressão aterrorizada e arrastou-se desesperadamente para o outro lado da banheira.

Bai Renshu sentou-se na beira do ofurô e enfiou a mão na água, agitando-a de um lado para o outro.

— Estranho... não me parece tão quente assim... Então porque será que este General Fortinho está assim, tão vermelho? - disse o cultivador, de maneira lenta e dissimulada.

Wen Ning jogou seus longos cabelos para a frente e se escondeu entre seus fios de modo que seu rosto permanecesse oculto, mas que ele ainda pudesse observar precariamente o cultivador caso de ele tentasse alguma gracinha.

— E-eu estou envergonhado, e-essa situação é muito constrangedora! - respondeu o general, mentalmente agradecendo o fato da água estar muito turva e de Bai Renshu não ser capaz de enxergar a maior parte de seu corpo.

Bai Renshu arrastou seu traseiro pela borda do ofurô, sentou-se mais próximo do General e afastou delicadamente os cabelos de seu rosto. Wen Ning permaneceu o tempo todo constrangido, tenso e estático com seu rosto voltado para baixo, incapaz de encarar o outro.

Com um sorrisinho provocante, Bai Renshu ergueu o queixo de Wen Ning com o toque delicado das pontas de seus dedos e o olhou no fundo de seus olhos.
— Tão fofo... - ele disse em uma voz suave.

Constrangido e assustado, o general deu um pequeno tapa na mão do cultivador para afasta-lo.
— Pare com isso, Bai Renshu! Vo-vo-você está me deixando sem jeito. - disse ele, arrastando-se novamente para o lado oposto e se afundando até o pescoço na água.

Bai Renshu levou sua mão direita aos lábios, fingindo surpresa com evidente sarcasmo.
— Oh! Como você sabe o meu nome? Não me lembro de ter me apresentado.

— Eu investiguei você um pouco - admitiu o general, meio sem jeito.

— Hum...
Bai Renshu levantou-se da borda, caminhou na direção em que Wen Ning estava e agachou-se em frente a ele com os braços cruzados e apoiados na borda do ofurô.
O rosto dos dois estava na mesma altura, muito próximos um do outro. Wen Ning o encarava com sua habitual cara de assustado e sentindo seu coração errar algumas batidas.
— Devo interpretar que o temível General Fantasma esteve tão interessado em mim quanto eu estive nele? - disse o Bai, em sua voz sedutora.

— E-e-eu te investiguei por que você é minha principal pista sobre essa doença misteriosa - disse Wen Ning da maneira mais sincera que pôde, afinal, aquilo era mesmo verdade, ainda que parcial.

De um modo bastante teatral e dramático, Bai Renshu levou suas mãos ao peito como se tivesse recebido uma punhalada e depois fingiu limpar as lágrimas.

Wen Ning não resistiu àquele gesto cômico, levou suas mãos ao rosto de maneira recatada e acabou rindo com a atuação do outro.
— Seu bobo... - disse timidamente o general, finalmente abaixando suas mãos e permitindo-se rir um pouco mais.

 Bai Renshu descansou o queixo sobre seus braços, que continuavam apoiados na banheira, e ficou admirando aquele riso com uma expressão terna e suave, como se estivesse encantado.
— É a primeira vez que eu ouço o som da sua risada - disse o cultivador com o seu sorriso mais doce e sincero. — E é tão linda... eu gosto.

Wen Ning enrubesceu, mas derreteu-se admirando o sorriso do outro. Ele pretendia retribuir o elogio recebido elogiando, também, o sorriso de Bai Renshu, mas acabou se enrolando entre o que pensou e o que queria expressar e disse de modo espontâneo:
— Você também é também lindo e eu gosto.

Quando percebeu a besteira que havia deixado escapar em voz alta, Wen Ning tapou a própria boca com as duas mãos e fez uma expressão apavorada. Seu constrangimento era tão grande que o general afundou-se inteiramente na água e desejou sumir para sempre.

Vencido, Bai Renshu ergueu as mãos na altura da cabeça enquanto se colocava em pé.
— Ok, ok, eu me rendo!
Ouvindo aquelas palavras, Wen Ning emergiu para fora da água apenas o suficiente para que aparecessem os seus olhos e observou o outro com temerosa cautela.
Bai Renshu abaixou os braços, deu um suspiro consternado e disse em uma voz cansada:
— Você é fofo demais pra eu conseguir manter essa minha face grossa.

Wen Ning arrumou-se sentado na banheira e encarou o outro com seus olhos inocentes e sua expressão insegura.
Bai Renshu lhe ofereceu um sorriso um pouco abatido e disse sem nenhum traço de sarcasmo em sua voz:
— Eu vou deixa-lo se banhar em paz enquanto eu faço o jantar.
Depois deu uma risada bem-humorada e continuou:
— Só não prometo que ficará bom!

Bai Renshu se virou de costas, caminhou até a porta e passou a destranca-la.

Reunindo toda sua coragem, Wen Ning disse de modo súbito:
— Bai Renshu, espere! E-e-eu... eu quero saber uma coisa.

Bai Renshu terminou de destrancar a porta e virou-se para ele arqueando uma de suas sobrancelhas em sinal de indagação.

Wen Ning engoliu em seco e continuou:
— Aquilo no bilhete sobre... sobre... so-so-sobre...

Bai Renshu sorriu meio de canto, de modo enigmático. Jamais tivera a dúvida de que as palavras do bilhete seriam questionadas, mas como não pretendia voltar a ver o General, pensou apenas na parte divertida e não preocupou-se com a possibilidade de ter que explicá-las.
O cultivador arrependeu-se por isso.
— Sobre você e eu termos dormido juntos? - disse o Bai em uma voz apática.

O General assentiu, envergonhado.

Bai Renshu deu um suspiro conformado e disse:
— Eu posso até te contar essa história, mas como você estava bêbado e ousado naquela noite, eu acredito que você não vá querer ouvi-la.

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