Capítulo 65

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Entre as sombras das árvores projetadas sob o luar, o General Fantasma golpeava a monstruosa horda com seus pés, punhos e correntes.

Quase às cegas e fazendo da sua audição o seu principal guia, ele tentou avançar para a estrada – onde a escuridão seria menos intensa e os seus movimentos poderiam ser mais amplos –, mas a cada passo o cerco se apertava e a cada minuto, era cada vez mais difícil continuar atacando enquanto evitava ser mordido.

Passado o tempo de um incenso, a grande parcela de monstros que havia se calado juntou-se ao coro de gritos agonizantes de forma ensurdecedora. E quando mais um jiangshi foi misteriosamente lançado contra os outros, o General Fantasma começou a desconfiar que sua tocha não havia sido deliberadamente atingida.

Com tantos monstros ruidosos a confundi-lo, a audição do General Fantasma deixou de ser um direcionamento válido. Impossibilitado de detectar quais jiangshis estavam mais próximos de atingi-lo, ele viu-se obrigado a desferir sucessivos golpes de maneira aleatória e devastadora, deixando um rastro de jiangshis, plantas e árvores pelo caminho.

Tão logo encerrou a sua investida, o resiliente General Fantasma assumiu uma nova posição de ataque. A horda incansável agora se reerguia ou se arrastava e apenas a fração de jiangshis que tiveram o azar de ter suas cabeças estraçalhadas ou arrancadas ao acaso, se mantiveram inativos.

Em meio ao seu novo ataque, enquanto derrubava a primeira leva de jiangshis estropiados que haviam se reerguido, as correntes do General Fantasma chocaram-se em algo substancialmente mais firme. Um forte barulho metálico foi emitido, seguido do estrondo de algo colidindo contra uma árvore, e como que por mágica, quase todos os jiangshis daquele âmbito subitamente calaram-se.

De repente, uma voz humana, ainda púbere, se sobressaiu aos horríveis grunhidos que ainda ressoavam e gritou:

— AAAAHHHH, SOCOOOORRO! AQUI TEM UM BICHO MUITO MAIS PODEROSO! É O REI! É O REI DOS MONSTROS! CORRAM! VENHAM RÁPIDO!

Ao escutá-la, o General Fantasma imediatamente interrompeu os seus ataques, bloqueou o fluxo de energia ressentida e retornou ao seu estado natural.

"Calma, eu não sou um deles!" – Wen Ning tentou dizer, mas para a sua surpresa, a sua voz também havia sido silenciada.

Àquela altura os companheiros do garoto já haviam sido alertados pela destruição que Wen Ning ocasionara e em poucos segundos, várias silhuetas brancas aluíram do céu e correram na direção de Wen Ning em um poderoso ataque coordenado; mas antes que pudessem atingi-lo, uma voz masculina grave, sem emoção e bastante familiar, as deteve.

— Parem – ordenou a voz, e imediatamente todos os atacantes permaneceram em seus lugares com suas espadas ainda em riste.

Luzes se aproximaram vindas de diferentes pontos da floresta e espantaram os jiangshis que ainda possuíam pernas para fugir.

Em pouco tempo, quase vinte Lans com suas honrosas faixas sagradas e impecavelmente trajados de branco, reuniram-se naquele mesmo perímetro.

O líder entre eles eliminou os mutilados jiangshis remanescentes com impetuosa elegância. Muito bem treinados, seus discípulos organizaram-se sem que nenhuma ordem precisasse ser proferida.

Os novos juniores estabeleceram um corredor humano em direção ao rapaz ferido em duas fileiras paralelas e perfeitamente alinhadas. Logo depois, seis cultivadores portando lamparinas se posicionaram – três de cada lado – atrás do grupo de estatura mais baixa.

Com uma tocha em uma mão e uma espada na outra, o imponente mestre caminhou entre as fileiras contando silenciosamente os seus dezessete discípulos e iluminando aqueles rostos mais jovens e ansiosos à medida que passava.

Wen Ning contemplou com atenção todos aqueles homens e rapazes, mas exceto pelo circunspecto semblante de Lan Wangji e pelas conhecidas fisionomias de alguns dos ex juniores – agora cultivadores – da época de A-Yuan, nenhuma das demais feições lhe eram familiares.

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