Capítulo 72

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 — Sênior Wen, o sol está nascendo e em breve seus raios alcançarão este lugar. Se o senhor planeja enterrá-lo, precisamos agir rápido – disse Lan Sizhui, com seu semblante entristecido e preocupado.

— Se desejar sepultá-lo, será necessário decapitá-lo. Por precaução, espero que compreenda – disse Lan Wangji sem mais delongas.

De ombros encurvados e de cabeça baixa, o melancólico Wen permaneceu calado.

Consternado, Lan Sizhui tocou-lhe o ombro com delicadeza e então insistiu:

— Sênior Wen? O que o senhor decide? O senhor sabe que lhe tenho em grande estima, então se precisar de alguma ajuda, basta me dizer.

Enfim quebrando o seu silêncio, Wen Ning emitiu um longo suspiro desolado e então respondeu:
— Obrigado, A-Yuan, mas vou apenas deixar que sol o purifique. Acho que é isso o que ele iria querer...

— Ahn... sênior Wen, o senhor quer que a gente espere ou prefere ficar sozinho?

— Tanto faz... Podem ir, se quiserem, ou então fiquem e assistam. Agradeço a gentileza, mas não é como se eu ainda me importasse com alguma coisa...

Passando a acariciar respeitosamente as costas de seu tio para confortá-lo, Lan Sizhui voltou o seu rosto na direção de Lan Wangji e lançou-lhe um olhar suplicante, dizendo:

— Ficaremos, então. Né, Hanguang-jun?

— Hm – ele respondeu, assentindo.

— Se é o que desejam...

Depois dessa breve conversa, um pesado silêncio se instaurou.

De maneira não intencional, Wen Ning emitia desolados suspiros. Observava o clareamento celeste com um olhar tão triste, que sua melancolia parecia quase tangível.

Lan Wangji, por sua vez, engolia em seco a cada vez que ele suspirava. Não era íntimo o bastante para se dispor a consolar o Wen, mas tampouco conseguia se manter indiferente mediante tamanha tristeza, o que o deixava numa posição bastante desconfortável.

Tentando tornar a situação um pouco menos tensa, Lan Sizhui tentou puxar um assunto qualquer.

— Ahn... sênior Wen, o que o senhor pretende fazer depois de... ahn... disso?

— Recolherei as cinzas...  e depois procurarei pelos locais onde esses monstros se escondem durante o dia.

— Ahn... e o senhor planeja guardar as cinzas dele em algum lugar? Quer que eu as leve para aquela casa onde eu encontrei o senhor?

— Não. Nunca irei abandoná-lo, nem mesmo na morte. E já que não posso ceder ao ímpeto de me unir a ele até que essa maldição seja erradicada, então eu o carregarei comigo pelo tempo em que eu ainda estiver vivo. Pouco me importa o quão doentio isso pareça...

Levando suas mãos ao rosto e arregalando seus olhos numa expressão incrédula, Lan Sizhui afastou-se sobressaltado e gritou:

— PELAS BARBAS DE LAN QIREN! MEU TIO TEM A RESILIÊNCIA DE UMA BARATA ESMAGADA QUE AINDA INSISTE EM MEXER AS PERNINHAS!

— Lan Sizhui, você deve respeito ao seu sênior – repreendeu Lan Wangji.

— Tudo bem, Hanguang-jun, eu não me ofendi...

— NÃO ESSE TIO! O OUTRO TIO!!!

— Lan Sizhui, tenha modos!

Corado e desconcertado com o seu próprio comportamento, Lan Sizhui pigarreou e disse polidamente:

O Legado da CarneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora