Cap. 115 - O limite da amizade - parte III

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De lábios entreabertos e as sobrancelhas franzidas, Wen Ning tentava decifrar o que havia ouvido. Apesar de ter conseguido discernir algumas palavras, a mensagem que entendeu não fazia o menor sentido.

Com seu semblante confuso e a voz carregada de incerteza, o General coçou a cabeça, antes de perguntar: "Desculpe, não sei se eu entendi. Você quer que eu pergunte ao vizinho se você vai se trocar?"

Bai Renshu exibiu um olhar gélido e distante, como se ponderasse sobre a conveniência de responder a uma pergunta tão tola. Por fim, julgando mais sensato evitar um conflito, fingiu analisar as próprias unhas e respondeu com indiferença:

— Eu apenas comentei que gostaria de trocar esta roupa.

"Assim como você gosta de trocar de namorados", acusou-o mentalmente.

Percebendo que as emoções do cultivador divergiam do que ele tentava aparentar, Wen Ning se posicionou à sua frente e suavemente colocou as mãos em seus ombros. Com movimentos leves e relaxantes, ele os massageou tentando acalmá-lo enquanto o encorajava a falar:

— Renshu, querido amigo, existe alguma outra coisa que você queira me contar?

O cultivador o olhou nos olhos, fazendo Wen Ning enrubescer e posteriormente recuar. Apesar do estado em que Bai Renshu se encontrava, aquelas sobrancelhas marcantes sobre um expressivo olhar de esmeraldas, ainda faziam o seu coração palpitar.

Lamentando tê-lo afastado, Bai Renshu deu um longo suspiro.

— Eu poderia lhe fazer a mesma pergunta – ele então respondeu.

— Co-co...c-como assim?

— Seus olhos, Ning... eles me contam uma história bastante diferente de tudo aquilo que você me diz, faz e demonstra. Às vezes isso me deixa tão perdido que eu nem sei o que pensar...

— E-e-e-eu não faço a menor ideia do q-que você esteja fa-falando!

Cabisbaixo, Bai Renshu refletiu e depois comentou:

— Tudo bem... É provável que eu só esteja me iludindo com algo que eu queira muito acreditar.

"O que você quer muito acreditar?", Wen Ning perguntou com ingenuidade. Mas, quando o cultivador tornou a olhar significativamente em seus olhos, o General apressou-se em declarar:

— De-de-deixa pra lá!

— Como queira – anuiu o cultivador. E depois disso, durante um bom tempo, nenhum dos dois atreveu-se a falar. 

(...)

Wen Ning o acompanhava com o olhar enquanto Bai Renshu remexia seu grosseiro guarda-roupas – guarda-roupas este, que o próprio Wen havia fabricado. Dentre as inúmeras peças infantis, sempre muito elegantes e em sua maioria cor-de-rosa, o cultivador empenhava-se para encontrar o que havia de menos precário em meio às escassas roupas surradas que a ele pertenciam. 

Enquanto Wen Ning o observava, preocupava-se o tempo inteiro com as mudanças drásticas pelas quais seu amigo havia passado."Não me parece que ele seja feliz com aquela mulher" – o General ponderava – "E se ele a ama e sofre por conta disso, eu, na condição de amigo, deveria ter sido mais compreensivo".

"Por quanto tempo você ainda pretende me olhar com essa cara de cão arrependido?" perguntou  Bai Renshu, como se tivesse olhos nas costas.

— Nã-nã-não era minha intenção! Eu só estava pensando em como me desculpar com você – admitiu Wen Ning.

— A respeito do que, exatamente?

— Bem... err... em relação a sua aparência, mais especificamente.

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