Capítulo 16

237 52 53
                                        

Bai Renshu ergueu sua mão esquerda e fez um gesto para que Wen Ning esperasse. Enquanto isso, ele retirou um lenço branco de dentro de seu manto e curvou-se para o lado tossindo sem parar. Após tossir quase por um minuto inteiro e sujar a maior parte de seu lenço com sangue, o cultivador endireitou-se, ofereceu ao General um sorriso abatido e lhe disse em tom de desculpa:
— Não se incomode com isso, é apenas um problema de nascença que eu tenho. Eu passo por isso sempre que eu sinto emoções muito fortes.

Wen Ning arregalou seus olhos, espantado.
— E-e-emoções muito fortes? – repetiu o General, sentindo o seu coração disparar vertiginosamente.
"Isso... Isso significa que ele está..." - Wen Ning enrubesceu, não ousando concluir essa frase nem mesmo em pensamento.

Bai Renshu dobrou três vezes o seu lenço, limpou o suor de sua testa com a pequena parte que não estava ensanguentada e disse de maneira cínica:
— Oras, é isso mesmo! Não é porque eu sou essa divindade reluzente, que isso significa que eu também tenho o coração de ferro! Veja bem, já seria preciso muito sangue-frio para que qualquer sujeito conseguisse ficar em paz sabendo que está sendo agarrado por um bonitão pelado, certo? Então imagina pra mim, que sou metade corta-mangas e a outra metade tentação!

Wen Ning sentiu-se encabulado com o "bonitão pelado", mas não pôde evitar de achar graça daquela falta de modéstia. Ele levou uma das mãos ao rosto, riu bastante de uma forma tímida e depois disse:
— Certo, certo... então me desculpe por isso, senhor Divindade Reluzente e metade tentação!
O General fez uma reverência por brincadeira e depois repreendeu-se em pensamento: "Wen Ning, Wen Ning... é claro que ele não sentiria esse tipo de coisa por você".

Bai Renshu riu também, dando um soco bem levinho e amigável no ombro do outro, também por brincadeira.
— Está desculpado, senhor peladão! - ele disse de forma bem-humorada.

Wen Ning sorriu para ele com toda a sua doçura e continuou a pensar:
"Mas enquanto eu puder tê-lo como amigo, eu já me sentirei feliz dessa forma"

Bai Renshu instintivamente o retribuiu com seu sorriso mais terno e genuíno e pensou enquanto suspirava:
"Me lembrarei desse sorriso doce e do lindo som de sua risada até o último dos meus dias..."

Os dois permaneceram por vários minutos em tolo silêncio, trocando sorrisos e olhares afetuosos, sem sequer se darem conta do tempo que se passou ou do que estavam fazendo.
Foi somente quando Bai Renshu voltou a sentir uma dor aguda, tentou se levantar e desequilibrou-se para frente, que ambos saíram de seus estados de torpor.

Wen Ning prontamente o amparou com seus braços para que ele não se machucasse e o ajudou a se erguer.
O cultivador levantou-se de uma maneira estranha: como se não tivesse pleno domínio de suas articulações. Ele caminhou até a cadeira de com muita dificuldade, apoiando-se todo rígido e encurvado pelas bordas do ofurô como se fosse um velho entrevado.
Wen Ning o observava preocupado e aflito.

Bai Renshu sentou-se com uma expressão de dor, percebeu o espanto no rosto do outro e disse em tom despreocupado:
— Oh! Isso? Não se preocupe. Eu estive ajoelhado até agora, por isso minhas pernas ficaram dormentes. Logo deve melhorar!
Ele se ajeitou semideitado na cadeira com outra expressão dolorida, retirou, de sua vestimenta, um frasco muito parecido com aqueles que Wen Ning vira na casa de Yan Quon e engoliu um comprimido.
Depois de tornar a guardar o frasco, ele recostou sua nuca nas costas da cadeira e ficou de olhos fechados.

— Renshu? - chamou o Wen, com uma expressão séria. — Que comprimidos são esses?

Bai Renshu abriu seus belos olhos verdes, ergueu levemente a cabeça e olhou na direção do outro.
— São só calmantes – ele respondeu. — O médico me receitou pra melhorar essa coisa com a minha emoção. Logo eu melhoro, fique tranquilo.
Bai Renshu deu ao outro um sorriso cansado e depois voltou a recostar sua cabeça na cadeira e fechar os olhos.
— Está bem - concordou o Wen para deixá-lo em paz, embora não estivesse satisfeito com a resposta.

O Legado da CarneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora