Cap. 107 - A última esperança

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Entre pulos e acenos, Bai Renshu esforçava-se para chamar a atenção de sua filha a cada vez que seu amado se virava.

"Anda, minha gatinha, anda! O tempo está se esgotando e você é a minha última esperança de derreter esse coração congelado" – ele balbuciava ansioso, e quando finalmente conseguiu chamar-lhe a atenção, seu primeiro gesto foi o de levar o seu indicador aos lábios e solicitar para que a criança não manifestasse reação alguma.

Ajudando-o a contragosto, Gao Lian exibia um semblante descontente enquanto iluminava Bai Renshu com uma tocha que ele mesmo havia improvisado. "Vê se não vai fazer nenhuma bobagem" – ela o alertava sussurrando, mas quando compreendeu as mímicas que o cultivador acabara de realizar, deu-lhe um empurrão furioso e reclamou indignada:

— Mas que merda, A-Shu! Você enlouqueceu?!

Não obstante, a obediente garotinha já havia compreendido a sua missão e colocava-a em prática. Perguntando para Wen Ning se ele queria ver os seus desenhos, Bai Meilin segurou o estarrecido General pela mão e o arrastou para dentro da casa sem que o mesmo tivesse tempo de negar.

Revoltada, Gao Lian deu um tapa no rosto de Bai Renshu e esbravejou:

— Você tem noção do que você fez?! O que diabos há com você? Você está mesmo maluco?!

Sem esboçar qualquer sentimento de raiva ou a intenção de revidar, Bai Renshu limitou-se a um simples dar de ombros e respondeu:

— Maluco por ele? Sempre fui... e nunca escondi.

Revirando seus olhos para cima, a mulher respondeu:

— Não se faça de cínico, eu estou falando do elixir e você sabe muito bem! Que tipo de pai desnaturado é você?! Você não tem medo de que a sua própria filha seja violentada?

— Medo nenhum – ele afirmou calmamente. — O elixir altera o comportamento, não a índole. E eu apostaria minha própria vida e a do meu venerado que ele jamais seria capaz de um ato tão doentio e covarde.

— Pois a única vida em risco aqui é justamente a da Meilin! E escuta bem o que eu tô te falando, seu moleque: se algo acontecer com a A-Lin, eu jamais irei te perdoar! Na primeira oportunidade nós todos iremos sumir no mundo com essa menina e você NUNCA MAIS vai vê-la, cê tá me entendendo?!

— Estou, Lian, estou... e eu aprecio muito que você tente protegê-la, mas fique tranquila, pois tenho tudo sob controle. Se eu sentir qualquer intenção sexual da parte dele, eu tirarei ela de perto imediatamente.

Arrastando uma das mãos sobre o próprio rosto com irritabilidade, Gao Lian refreou sua vontade de dar-lhe um novo tapa e protestou:

— Maldito seja o dia em que aquele loiro safado não conseguiu manter o seu peru dentro das calças!

Cutucando-a nas costelas, a fim de lhe fazer cócegas, Bai Renshu abriu um sorriso zombeteiro e comentou:

— Ah, vai! Você bem que ficou toda "emocionadinha" quando eu apareci na sua frente!

Contendo o pequenino sorriso que se formara em seu rosto zangado, Gao Lian o empurrou para longe e retrucou:

— Quem, eu? Cê bebeu, moleque?! Eu chorei foi de desespero!

E dirigindo-lhe uma piscadela seguida um beijinho no ar, Bai Renshu ironizou:

— Ãham, seeeei... Você finge que é verdade e eu finjo que acredito.

(...)


A pequena casa possuía apenas dois cômodos: a cozinha ao fundo – separada apenas por uma treliça de madeira, e o cômodo frontal – que servia, ao mesmo tempo, como sala, quarto de banho, dormitório e escritório. Exceto por alguns brinquedos espalhados, a atual moradia de Bai Renshu encontrava-se limpa e razoavelmente organizada.

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