— Renshu? Renshu? O que foi, Renshu? Por que você está desse jeito? - chamou o assustado General, chacoalhando o corpo do amigo pelos ombros e depois puxando-o para um abraço apertado.
Bai Renshu bravamente conseguiu engolir o choro e lhe devolveu um abraço demorado e amoroso. Wen Ning acariciou as costas do cultivador e beijou seu ombro seguidas vezes com todo o carinho do mundo, mas desta vez o coração de Bai Renshu estava tão doloroso que sequer havia disparado.
Alguns minutos mais tarde, Bai Renshu começou a rir de maneira bem estranha. Wen Ning afastou-se e observou o rosto do cultivador que, exceto pela palidez excessiva que ele adquirira nas ultimas horas, agora parecia bastante normal.
— Ora, ora, ora... mas que grande vexame! – exclamou o Bai, com aparente bom humor. — Este garanhão que vos fala quase se mostrou um pequeno potro que não se contém em uma simples despedida! Haha!
O General o observou com tristeza e respondeu:
— Não foi uma simples despedida, Renshu... você estava me dizendo que provavelmente a gente não se reencontraria nunca mais.
"Eu também quis chorar, mas ainda tenho esperanças de que haja um segundo caminho" – pensou o Wen.
Bai Renshu deu de ombros, dizendo:
— Bem... são coisas da vida! Somos dois homens adultos, afinal. Sempre haverão coisas desagradáveis que deveremos suportar.
Wen Ning o agarrou pelos braços e fitou seus olhos com uma expressão de súplica.
— Mas não precisamos suportar nada, Renshu! Me deixe ir junto com você! – disse o Wen, com certo desespero.
Após esse pedido, o semblante do cultivador tornou-se bastante sombrio. Ele gentilmente desvencilhou-se de Wen Ning e desviou seu olhar para o lado com uma expressão bastante sofrida.
— Por favor, Wen Ning, não volte a me dizer que você deseja ir para o mesmo lugar que eu vou. Nem de brincadeira...
Wen Ning soltou ruidosamente o ar de seus pulmões, parecendo desolado.
— Então eu posso, pelo menos, saber o motivo de eu não poder ir? – perguntou o Wen.
— Não – respondeu o Bai.
— Por quê?
— Porque você ficaria triste e provavelmente tentaria me impedir.
— Então... você está mesmo indo embora por causa de uma pessoa?
Bai Renshu riu da pergunta e disse em uma entonação que denotava a sua surpresa:
— Oras! E você ficaria triste e tentaria me impedir se fosse por causa de uma pessoa?
"Eu já não deixei isso bastante óbvio?" - pensou o Wen, dando um suspiro impaciente.
Wen Ning o olhou com a expressão séria e insistiu:
— Responde, Renshu.
— Bom... sim. Não é exatamente o motivo principal, mas foi por causa de uma pessoa que eu tomei essa decisão.
— Mas... você gosta dessa pessoa?
Bai Renshu sorriu, fazendo um fraterno afago na cabeça do outro e bagunçando os seus cabelos.
— Se eu não gostasse muito dele, eu não deixaria meu bom amigo aqui sozinho! – ele respondeu.
"Dele? Então é um homem... Será que é o rapaz da carta? A família dele é mesmo bastante preconceituosa. Será que eles vão precisar fugir pra poderem ficar juntos, já que a família não aprova um relacionamento entre dois corta-mangas?" – refletiu o Wen, sentindo seu coração apertar.
Wen Ning respirou fundo, ignorou o seu medo da resposta e corajosamente perguntou:
— Mas, Renshu... você gosta-GOSTA dessa pessoa?
Bai Renshu riu, achando aquela forma de se referir ao amor um pouco fofa.
— Por que essa conversa está tomando um rumo tão piegas? - ele perguntou, com bom humor.
Wen Ning enrubesceu de vergonha.
— Me desculpe.
— Ora, ora, fique tranquilo! Mas como eu já disse pra você, eu não acredito no amor romântico. Eu acredito no amor de mãe, de pai, de irmão... mas não no de duas pessoas sem laços familiares. Portanto, a minha resposta é não.
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O Legado da Carne
FanfictionDois anos após tornar-se independente de Wei Wuxian, seu antigo mestre, o ainda temido e odiado "General Fantasma" tornou-se um andarilho solitário que vagava o mundo eliminando monstros e sobrevivendo humildemente de pequenas recompensas. Enquanto...
